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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Maria do Rosário Pedreira /// O meu amor não cabe num poema...





 
 
O meu amor não cabe num poema ― há coisas assim,
que não se rendem à geometria deste mundo;
são como corpos desencontrados da sua arquitectura
os quartos que os gestos não preenchem.
 
O meu amor é maior que as palavras; e daí inútil
a agitação dos dedos na intimidade do texto ―
a página não ilustra o zelo do farol que agasalha as baías
nem a candura a mão que protege a chama que estremece.
 
O meu amor não se deixa dizer ― é um formigueiro
que acode aos lábios com a urgência de um beijo
ou a matéria efervescente os segredos; a combustão
laboriosa que evoca, à flor da pele, vestígios
de uma explosão exemplar: a cratera que um corpo,
ao levantar-se, deixa para sempre na vizinhança de outro corpo.
 
O meu amor anda por dentro do silêncio a formular loucuras
com a nudez do teu nome ― é um fantasma que estrebucha
no dédalo das veias e sangra quando o encerram em metáforas.
Um verso que o vestisse definharia sob a roupa
como o esqueleto de uma palavra morta. nenhum poema
podia ser o chão a sua casa.
 
Maria do Rosário Pedreira















NOTA)
O MEU AMOR NÃO   CABE NUM POEMA

nem a candura a mão que protege a chama que estremece.
 

2 comentários:

Marcia Morais disse...

Que lindo meu card aqui amei de paixão

Don Juan disse...



Olá Marcinha ,,

Obgº pela tua visita.

Em poesia cada vez mais me preenches

pois, sinto verdade nos teus versos....

Beijo