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sábado, 22 de abril de 2017

Laura Santos






A POMBA
Sonhei que o teu corpo era um riacho.
Nas tuas margens plantei todas as sementes;
De ti tudo nasceu, tudo transformaste:
O que sonhei, o que sonhaste.
Do sol veio a luz,
No teu corpo lavrado floresci.
Depois nem sei, vi que mudaste.
Já não eras riacho, eras fonte seca
Onde mirei o meu olhar.
Do teu corpo nu brotou a árvore, 
Dos teus cabelos revoltos, como folhas, o silêncio
As minhas mãos poisaram como pássaros
Nas tuas mãos abertas como pontes.
Tua boca debiquei e tu sorriste.
Do nada surgiu o teu peito branco,
Nas tuas costas graníticas me sentei.
Debrucei-me sobre ti, uma nuvem surgiu;
Do céu dos teus olhos, como grãos
Gotas caíram.
Sequiosa pomba mensageira, uma bebi.
Passei teu território, a fronteira.
Voltei de novo a ti mas não te vi.
Diz-me meu amor porque voaste...



Laura Santos   


Foto de Antonio Maria.


quinta-feira, 20 de abril de 2017

Artur da Távola






Coisas que a vida ensina depois dos 40.......



Amor não se implora, não se pede não se espera...
Amor se vive ou não....
Ciúmes é um sentimento inútil. Não torna ninguém fiel a você.
Animais são anjos disfarçados, mandados a terra por Deus para
mostrar ao homem o que é fidelidade.
Crianças aprendem com aquilo que você faz, não com o que você diz.
As pessoas que falam dos outros pra você, vão falar de você para os outros.
Perdoar e esquecer-nos torna mais jovens.
Água é um santo remédio.
Deus inventou o choro para o homem não explodir.
Ausência de regras é uma regra que depende do bom senso.
Não existe comida ruim, existe comida mal temperada.
A criatividade caminha junto com a falta de grana.
Ser autêntico é a melhor e única forma de agradar.
Amigos de verdade nunca te abandonam.
O carinho é a melhor arma contra o ódio.
As diferenças tornam a vida mais bonita e colorida.
Há poesia em toda a criação divina.
Deus é o maior poeta de todos os tempos.
A música é a sobremesa da vida.
Acreditar, não faz de ninguém um tolo. Tolo é quem mente.
Filhos são presentes raros.
De tudo, o que fica é o seu nome e as lembranças a cerca de suas ações.
Obrigada, desculpa, por favor, são palavras mágicas, chaves que
abrem portas para uma vida melhor
O amor... Ah, o amor...
O amor quebra barreiras, une facções,
destrói preconceitos,
cura doenças...
Não há vida decente sem amor!
E é certo, quem ama, é muito amado.
E vive a vida mais alegremente...




Artur da Távola   

Foto de Antonio Maria.

Mário Cesariny







Faz-me o favor


Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá...
Tua boca velada
É ouvir-te já.


É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das caras e dos dias.


Tu és melhor - muito melhor!
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.



Mário Cesariny   


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Cidália Ferreira.







Sinto em teu corpo o calor do teu prazer

Nesta noite iluminada pelo teu ser
Como chuva de estrelas em brandura 
Que iluminam, aconchegam meu coração,
Sinto em teu corpo o calor do teu prazer
Que me transmite segurança sem se ver,
Neste momento em que o desejo, a paixão
Fazem parte de toda a minha loucura,
Quero sim, que me aconchegues nesta noite
Em que os desejos são a minha companhia, 
.
Não saberás o valor do meu carinho
Quando entras em meus sonhos enamorados,
São teus beijos partículas de poesia
Que espalhas em meu corpo desejoso,
São nossas vestes a transparecia, o glamour 
De todo o nosso momentos esplendoroso
Nesta noite iluminada pelo teu ser
Saberás tu o valor que tens para mim
Quando nesta entrega sentirás, o meu amor.


Cidália Ferreira.

HAMILTON RAMOS AFONSO







SONHEI-TE




Foi tão real!


Por uns momentos senti-te, 
nos meus braços, em minha cama
o perfume da tua pele 
impregnando os lençóis,unindo-se 
ao meu cheiro…


O beijo que eu te dei, pleno de saliva
quente, doce e sensual, fez-me
arder de desejo, e despertou a 
urgência da descoberta do teu corpo


Visitei, com as minhas mãos nuas, em
gestos lentos e sensuais o relevo
do teu peito, tomando-o 
em gestos serenos e macios, sentindo a
frescura de veludo da tua pele


Puxei, com ternura o teu corpo
para o meu, e tu ternamente abriste
a tua fonte da vida, ao paroxismo 
de dois corpos que se amam, com paixão,
até que ambos atingimos o clímax, jorrando em ti a 
minha seiva até à ultima gota


Acordei, e só então reparei que não passou
de um sonho.


A distância continua a colocar em nós
uma cruel barreira à necessidade de
nos cumprirmos, de em nós
fazermos vida…




HAMILTON RAMOS AFONSO   



Foto de Antonio Maria.

                       

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Eugénio de Andrade









Acordo sem o contorno do teu rosto na 
minha almofada, sem o teu peito liso e claro 
como um dia de vento, e começo a erguer a 
madrugada apenas com as duas mãos que 
me deixaste, hesitante nos gestos, porque os 
meus olhos partiram nos teus. 
E é assim que a noite chega, e dentro dela 
te procuro, encostado ao teu nome, pelas 
ruas álgidas onde tu não passas, a solidão 
aberta nos dedos como um cravo. 
Meu amor, amor de uma breve madrugada 
de bandeiras, arranco a tua boca da minha e 
desfolho-a lentamente, até que outra boca - 
e sempre a tua boca - comece de novo a 
nascer na minha boca. 
Que posso eu fazer senão escutar o coração 
inseguro dos pássaros, encostar a face ao 
rosto lunar dos bêbados e perguntar o que 
aconteceu. 


Eugénio de Andrade   


Foto de Hamilton Ramos Afonso -poesia.

rui amaral mendes























Perdition catch my soul
But I do love thee!
And when I love thee not
Chaos is come again.

Shakespeare 


escrevo a destempo
das verdades que me habitam.
conjugo sujeito, predicado
complementos

unicamente nos momentos
em que substantivos e verbos
adjectivos e pronomes
palavras isoladamente neutras

se alinham
como astros num imenso cosmos
para conferir cor ao fogo que
carrego.

se silêncios entrego
não os cuides vazios:
permanece densa     ensurdecedora
a verdade da essência que carregam.

a matéria do poema, sabes!,
são palavras que desejo livres
da ditadura das grilhetas
vazias das circunstâncias,

celebrando a errância de alma minha
por dentro de veredas tuas,
temendo apenas o caos
que sobrevirá à tua ausência.


rui amaral mendes
 in a noite o sangue [2016] ©

domingo, 16 de abril de 2017

Florbela Espanca









Alma a Sangrar


És pequenina e ris ... A boca breve ...
É um pequeno idílio cor-de-rosa ... 
Haste de lírio frágil e mimosa! 
Cofre de beijos feito sonho e neve!


Doce quimera que a nossa alma deve 
Ao Céu que assim te faz tão graciosa! 
Que nesta vida amarga e tormentosa 
Te fez nascer como um perfume leve!


O ver o teu olhar faz bem à gente ... 
E cheira e sabe, a nossa boca, a flores 
Quando o teu nome diz, suavemente ...


Pequenina que a Mãe de Deus sonhou, 
Que ela afaste de ti aquelas dores 
Que fizeram de mim isto que sou! 



Florbela Espanca


, in "Livro de Mágoas"  


Foto de Hamilton Ramos Afonso -poesia.

A QUALQUER HORA.







A QUALQUER HORA.

A qualquer hora em que chegares, sentarás comigo em minha mesa. A qualquer hora em que bateres a minha porta, o meu coração também se abrirá. A qualquer hora em que chamares, eu me apressarei. A qualquer hora em que vieres, será o melhor tempo de te receber. A qualquer hora em que te decidires, estarei pronto para te seguir. A qualquer hora em que quiseres beber, eu irei a fonte. A qualquer hora em que te alegrares, eu bendirei ao Senhor. A qualquer hora em que sorrires, será mais uma graça que o Senhor me concede. A qualquer hora em que quiseres partir, eu irei a frente nos caminhos. A qualquer hora em que cantares, eu estenderei os braços. A qualquer hora em que te cansares, eu levarei a cruz. A qualquer hora em que te sentires triste, eu permanecerei contigo. A qualquer hora em que te lembrares de mim, eu acharei a vida mais bela. A qualquer hora em que partires, ficarás com a lembrança de uma flor. A qualquer hora em que voltares, renovarás todas minhas alegrias. A qualquer hora que quiseres uma rosa, eu te darei toda roseira. Eu te digo tudo isso, porque não posso imaginar uma amizade que não seja total, de todos os instantes e para todo bem.

Como é bom ter amigos,beijinhos com carinho...



Foto de Antonio Maria.

sábado, 15 de abril de 2017

Eugénio de Andrade







Adeus





Já gastámos as palavras pela rua, meu amor, 
e o que nos ficou não chega 
para afastar o frio de quatro paredes. 
Gastámos tudo menos o silêncio. 
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas, 
gastámos as mãos à força de as apertarmos, 
gastámos o relógio e as pedras das esquinas 
em esperas inúteis.


Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. 
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro; 
era como se todas as coisas fossem minhas: 
quanto mais te dava mais tinha para te dar.


Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes. 
E eu acreditava. 
Acreditava, 
porque ao teu lado 
todas as coisas eram possíveis.


Mas isso era no tempo dos segredos, 
era no tempo em que o teu corpo era um aquário, 
era no tempo em que os meus olhos 
eram realmente peixes verdes. 
Hoje são apenas os meus olhos. 
É pouco, mas é verdade, 
uns olhos como todos os outros.


Já gastámos as palavras. 
Quando agora digo: meu amor, 
já se não passa absolutamente nada. 
E no entanto, antes das palavras gastas, 
tenho a certeza 
que todas as coisas estremeciam 
só de murmurar o teu nome 
no silêncio do meu coração.


Não temos já nada para dar. 
Dentro de ti 
não há nada que me peça água. 
O passado é inútil como um trapo. 
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.


Eugénio de Andrade
, in “Poesia e Prosa”  


Foto de Antonio Maria.

Rita Leston








Gosto de ti e então????????
Estar contigo é estar em paz. É estar em segurança. Estar contigo faz com que a minha mente aquiete. Com que eu seja o mesmo. Faz com que ser eu não custe.
Estar contigo é sorrir. É gargalhadas sem razão. É sorrisos ternos e olhos brilhantes. São abraços que se sentem mesmo quando não estamos. É ter a música própria que mais ninguém ouve. Estar contigo é trazer o sol comigo, mesmo num dia de chuva.
Estar contigo, é estar em paz. 
Demoras?



Rita Leston   

Foto de Antonio Maria.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

EXPLICAÇÃO DO AMOR.....








EXPLICAÇÃO DO AMOR







O amor, minha linda, é esta coisa louca    
que faz meu coração sair pela boca
quando te toco, quando posso te beijar.
Sei que devo, mas, não posso explicar
como minha pulsação se acelera
e o mundo dá mil voltas
ao, levemente, por meus dedos nos teus seios
e, mais suavemente ainda, colher o mel
da tua flor tão bela, doce, embriagadora.
O amor, minha linda, é este querer desesperado,
esta sensação duradoura
de uma necessidade imperiosa
que torna imprescindível o ser amado
e colore o mundo, o ar, a vida
quando te vejo, querida,
e, intuitivamente, sei
que sem ti
feliz jamais serei.

Rosa Lobato Faria









Ele tirou a roupa com elegância e o seu corpo nu era bem a prova da existência do deus que criou o homem ao sétimo dia e descansou. Olhou-a sem a tocar e disse, tira a pulseira, os brincos, esse fio de ouro, quero-te nua, estás cheia de símbolos de classe social e agora não és nada disso, és um bicho soberbo, felino, em pleno cio. Ela obedeceu sem tirar os olhos dos seus olhos daquele dia, e ele procurou a boca dela pelo caminho das coxas, do ventre, dos seios, dos olhos, das orelhas, purificou-se na humidade dos lábios, disse palavras tontas, cântaro, barco à vela, fada, gueisha, camélia, tangerina, iniciou o caminho de volta enquanto as mãos ensaiavam voos de gaivota pela praia, pelos ombros, as costas, as nádegas, e os dedos festejavam e dizia palavras. E o corpo dela de tocaia suspenso entre o céu e a terra, oferecendo-se àquela língua sábia, enquanto o coração, ai dele, se afogava em marés ilimitadas. A sua branca, feminina garganta navegou em todos os cambiantes do murmúrio e do grito, e na hora vermelha, solta de todas as amarras, ouviu-se dizer palavras espantosas, morde-me, inunda-me, mata-me, quero que todos saibam que sou a tua coisa, a tua fêmea, ai.”

Rosa Lobato Faria

In “Os pássaros de seda”
Homenagem a Rosa Lobato Faria   


Foto de Antonio Maria.

Pedro Tamen







Mudanças



Palavras que disseste e já não dizes,...
palavras como um sol que me queimava,
olhos loucos de um vento que soprava
em olhos que eram meus, e mais felizes.


Palavras que disseste e que diziam
segredos que eram lentas madrugadas,
promessas imperfeitas, murmuradas
enquanto os nossos beijos permitiam.


Palavras que dizias, sem sentido,
sem as quereres, mas só porque eram elas
que traziam a calma das estrelas
à noite que assomava ao meu ouvido...


Palavras que não dizes, nem são tuas,
que morreram, que em ti já não existem
- que são minhas, só minhas, pois persistem
na memória que arrasto pelas ruas.


Pedro Tamen   

Foto de Antonio Maria.


quinta-feira, 13 de abril de 2017

Eunice Oliveira







Leio-te...


Leio-te cada gesto, teu sorriso, teu olhar...
Leio em mim o teu respirar, cada traço teu...
Leio sim e sorrio...
Existe algo mais belo que ler-te?!!!

Ninguém me diga que sim, pois por mim amor, vou ler-te até ao fim...
Enquanto escreves, quando me amas, os nossos gemidos, todos os nossos sentidos vou lêr e escrever, para que tu me leias também...
Juntos fazemos a nossa história, o nosso livro do sentir...



Eunice Oliveira   



Páscoa







Páscoa

A todos vós desejo uma Santa Páscoa.




Nuno Júdice







Leio o amor no livro...
da tua pele; demoro-me em cada
sílaba, no sulco macio
das vogais, num breve obstáculo
de consoantes, em que os meus dedos...
penetram, até chegarem
ao fundo dos sentidos. Desfolho
as páginas que o teu desejo me abre,
ouvindo o murmúrio de um roçar
de palavras que se
juntam, como corpos, no abraço
de cada frase. E chego ao fim
para voltar ao princípio, decorando
o que já sei, e é sempre novo
quando o leio na tua pele.



Nuno Júdice   


Foto de Antonio Maria.



quarta-feira, 12 de abril de 2017

Pedro Tamen








Palavras que disseste e já não dizes,
palavras como um sol que me queimava,
olhos loucos de um vento que soprava...
em olhos que eram meus, e mais felizes.

Palavras que disseste e que diziam
segredos que eram lentas madrugadas,
promessas imperfeitas, murmuradas
enquanto os nossos beijos permitiam.

Palavras que dizias, sem sentido,
sem as quereres, mas só porque eram elas
que traziam a calma das estrelas
à noite que assomava ao meu ouvido... 

Palavras que não dizes, nem são tuas,
que morreram, que em ti já não existem
- que são minhas, só minhas, pois persistem
na memória que arrasto pelas ruas.

Pedro Tamen.   


Foto de Antonio Maria.


Pablo Neruda











Saberás que não te amo e que te amo
pois que de dois modos é a vida,
...
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem a sua metade de frio.
Amo-te para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.
Amo-te e não te amo como se tivesse
nas minhas mãos a chave da felicidade
e um incerto destino infeliz.
O meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.


Poema XLIV – Pablo Neruda   

Foto de Antonio Maria.


terça-feira, 11 de abril de 2017

Isabel Sousa (luadiurna)








Lua Diurna

..

Entardece
nas margens do poente

bebo o cálice dos sonhos postos
na luz crepuscular da ilusão

na obliqua transparencia das palavras
ditas
e das que(nos)ficaram por dizer
doem-me as vagas mornas
p'lo canto das sereias encantadas
ninfas de esperança.. desgastadas
à espera de um sonho por viver

doi-me este entardecer de lua ausente
paixão tardia que a mim assim vieste
vestida de maresia . amor agreste
surgindo assim, tão de repente,

Quisera ser o sol e não poente
quisera ser candeia que alumia
as noites de ternura entrelaçada

quisera ser o dia matinal
onde tudo recomeça, transversal

e não se acaba.
por isso.....
meu amor.que seja a noite
Visita de minha alma ..permanente
e que amanheça
nas margens do poente.



Isabel Sousa(luadiurna)  

Foto de Lua Diurna.


Fátima Porto








CORPOS COLADOS
Nossos corpos colados
A tua respiração na minha
Nosso beijo
Uma paixão
Mãos que vagueiam 
Teu sussurro me prende a ti
Somos almas ao vento, 
Mas numa só
O teu toque pelo meu peito
O teu olhar no meu
Assim como sem jeito
O meu corpo é o teu
E a espuma das ondas vem
Como se o mar viesse também
E não sabemos quem somos
Sussurros na noite, abraços apertados
Entusiasmo abrasador, como barcos parados
Sensações ardentes, 
Quando em ti me sentes
Olha-mo-nos nesse momento
E foi como sentir o vento,
Em corações acelerados
Num só corpo…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC   

Foto de Antonio Maria.

LUÍS FILIPE MAÇARICO







 //// Árvore




Quero entrar na flor dos
Teus lábios
de cerejeira,
Dançar na carícia amena
Do teu sangue
Arder entre glicínias
e laranjais,
Na brisa quente
do corpo de erva
e barro.
Ser tu e eu
No verso de água
dos gestos em comunhão.
Ficar enfim no teu olhar
Como quem se transforma
em árvore
Depois da longa caminhada.



LUÍS FILIPE MAÇARICO   


Foto de Antonio Maria.


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Mia Couto







"Identidade"

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto
Sou areia sustentando
o sexo das árvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço"



Mia Couto   

Foto de Antonio Maria.

sábado, 8 de abril de 2017

Joaquim Pessoa



    Nos Teus Gestos

    Nos teus gestos há animais em liberdade 
    e o brilho doce que só têm as cerejas. 
    É neles que adormeço, e dos teus dedos 
    retiro a luz azul dos arquipélagos.


    Os teus gestos são letras, sílabas, poemas. 
    Os teus gestos são páginas inteiras. São 
    a tua boca a namorar na minha boca, 
    o cio dos séculos a saudar o tempo.


    São os teus gestos que me acordam. Gestos 
    que vestem o silêncio fundo das ravinas 
    e assinalam a água dos desertos.


    Os teus gestos são música. São lume. 
    São a respiração do teu olhar. A seara 
    de espigas que ondula no meu corpo.

    Joaquim Pessoa, in 'Guardar o Fogo'






Foto de Antonio Maria.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Helena Guimarães







AS TUAS MÃOS

...
as tuas mãos longas
e morenas
que exprimem do gesto
a subtileza
são lindas, são etéreas
são subtis.
Parecem aves
esvoaçando presas...
Como gosto
de, perdida em pensamento,
seguir as figuras
que, no espaço,
as tuas mãos desenham
em sentido,
e cingi-las ao meu corpo
qual abraço...



Como gosto
quando apontam o universo,
os dedos estirados
como setas...
me elevam, me redimem, me libertam.
Me encontram o perdão
do meu pecado.
Me acalmam,
me sublimam,
como ascetas.!!  


Helena Guimarães
Do livro "" Intimidades "" / 1994  


Foto de Antonio Maria.

Cidália Ferreira







Sinto o calor dos teus doces lábios.

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Sinto calor dos teus doces lábios
Em suaves movimentos arrepiantes,
Sinto o arrepio das tuas mãos passeando
Pelos recantos do meu corpo suado,
São teus sussurros carinhos ofegantes
E teus beijos, o elixir que me acalma,
É meu corpo o alimento dos sábios
Por te pertencer se sente abençoado,
.
É a tua voz terna e tão doce
Os teus abraços, meu porto seguro
São momentos, puros devaneios
E desejos, que em ti procuro,
Tremem nossos corpos em puro desejo
Unidos pela embriaguez do sonho
Desejosos, carentes e sem rodeios
Unidos, pela recordação de um beijo.


Cidália Ferreira