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quinta-feira, 19 de julho de 2018

João Morgado





Só gostamos de uma mulher quando gostamos do seu cheiro. Quando tudo nos leva a bebe-la, como um chá quente, excitante, aromático. Se não gostarmos do seu cheiro não conseguimos ama-la, nem na pele nem na alma. 
Podemos ser amigos, companheiros, nunca amantes. Amar é beber um cheiro. É transporta-lo para dentro de nós.

João Morgado  


Foto de Antonio Maria.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Publicada por Ricardo- águialivre






Amor do meu coração ao infinito

Quero que o meu amor seja uma estrela cintilante
Que ilumine o teu coração de um desejo profundo
Que deste amor não queiras nunca estar distante
Pois quando se ama não há lonjura neste mundo
.
Quero que sintas o meu carinho, em cada instante
Que caminhes pelas ruas, com um sorriso aberto
Que entre em teu coração este amor penetrante
Que vagueia pelo sonho por um caminho incerto
.
Quero que sorrias perante o obscuro da incerteza
Em que o teu olhar sorria num abraço de firmeza
Sabendo que o meu carinho é tão robusto e bonito
.
Que não haverão montes, nem mares, nem ondas
Nem campos, nem áridos vales, onde te escondas
Pois o amor será teu, do meu coração ao infinito

Publicada por Ricardo- águialivre  

terça-feira, 17 de julho de 2018






A Demora - Mia Couto

O amor nos condena:
demoras
mesmo quando chegas antes.
Porque não é no tempo que eu te espero.

Espero-te antes de haver vida
e és tu quem faz nascer os dias.

Quando chegas
já não sou senão saudade
e as flores
tombam-me dos braços
para dar cor ao chão em que te ergues.

Perdido o lugar
em que te aguardo,
só me resta água no lábio
para aplacar a tua sede.

Envelhecida a palavra,
tomo a lua por minha boca
e a noite, já sem voz
se vai despindo em ti.

O teu vestido tomba
e é uma nuvem.
O teu corpo se deita no meu,
um rio se vai aguando até ser mar.

in " idades cidades divindades"

António Emílio Leite Couto, que usa o pseudónimo literário de Mia Couto, nasceu na Beira, em Moçambique, em 5 de julho de 1955   

Foto de Toni Bernhard, author.

domingo, 15 de julho de 2018

José Carlos Ary dos Santos





Canção de madrugar


De linho te vesti
de nardos te enfeitei
amor que nunca vi
mas sei.

Sei dos teus olhos acesos na noite
- sinais de bem despertar -
sei dos teus braços abertos a todos
que morrem devagar.

Sei meu amor inventado que um dia
teu corpo pode acender
uma fogueira de sol e de fúria
que nos verá nascer.

Irei beber em ti
o vinho que pisei
o fel do que sofri
e dei.

Dei do meu corpo um chicote de força.
Rasei meus olhos com água.
Dei do meu sangue uma espada de raiva
e uma lança de mágoa.

Dei do meu sonho uma corda de insónias
cravei meus braços com setas
descobri rosas alarguei cidades
e construí poetas.

E nunca te encontrei
na estrada do que fiz
amor que nunca logrei
mas quis.

Sei meu amor inventado que um dia
teu corpo há-de acender
uma fogueira de sol e de fúria
que nos verá nascer.

Então:
nem choros nem medos nem uivos
nem gritos nem pedras nem facas
nem fomes nem secas nem feras
nem ferros nem farpas nem farsas
nem forcas nem cardos nem dardos
nem guerras

José Carlos Ary dos Santos   

Foto de Antonio Maria.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Maria Helena Guimarães /// Quando tu vieste







Quando tu vieste 
a primavera tinha passado já...
e a calma do verão preenchia
o diário da minha existência.

Mas de repente foi Março.
Março de jasmim e glicínias
enlaçando nossos corpos.

Foi Abril de rosas.
Botões a florir no regaço,
a desabrochar corolas perfumadas.

E foi Maio agreste.
Maio de lágrimas e granizo,
perfume agreste de giestas floridas.

Foi Março, foi Abril e foi Maio,
de lágrimas , de dor ,
de prazer , de comunhão , de amor.

Quando tu vieste...
Foi outra vez Primavera !

Braga 1997
Do livro " Manhãs de Setembro " // 1998   

Foto de Antonio Maria.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Ruy Cinatti







(dos) caminhos...

Tudo se acaba. É mentira.
Há parcelas que se juntam,
se adicionam,
como a ideia e o sentimento,
o tempo
perdido
e o momento de acção
iluminado.

Ninguém se convença
que acaba.
Há o céu que nos espera,
a sua ilusão
remordida até ao paroxismo.
Ou há passado
sem destino.

A dolorosa mensagem
da nossa vida
é estar: caminhar sempre;
atar as vides da vinha
vindimada.

Saber esperar.
Andar, andar,
nem que seja de rastos.

Ruy Cinatti   

Foto de Antonio Maria.

Maria do Rosário Pedreira







Facto...
Nunca te esqueci - é este um amor maior 
que atravessa a vida e resiste à cicatriz 
do tempo. O que ontem me disseste agora 
o ouço, como se nada tivesse interrompido 
a magia do instante em que as nossas bocas 
se aguardavam na distância de um beijo e 
o olhar tocava o corpo antes da mão. Se

hoje vieres por esse livro que deixaste (e cuja 
lombada acariciei todos os dias que durou a tua 
ausência como uma nesga de sol acaricia 
um rosto no Inverno), encontrarás a sopa a fumegar 
na mesa, e a camisa engomada no cabide, e os 
lençóis da cama imaculados, e um corpo pronto 
para qualquer aventura - e ainda o cão deitado 
à porta, à tua espera, como na véspera de partires.

Porque os anos não contam para quem assim ama.

Maria do Rosário Pedreira   

Foto de Antonio Maria.