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terça-feira, 22 de maio de 2018

Autor: gil antónio









Falar-te de Amor...em teu sorriso de desdém.


Falar de amor. Não quiseste ouvir
Tudo o que sentia e te queria dizer
Seria a ocasião para poderes saber
Que o meu coração são sabe mentir
.
Era a limpidez do meu sentimento
Uma doce paixão que queria viver
Talvez não fosse esse o momento
De saberes o que te queria dizer.
.
Sabias bem o que estava sentindo
Mas não quiseste saber nem  ouvir
Brincaste e ficaste mesmo sorrindo
Desse fino amor que eu sabia sentir
.
Meu olhar ficou triste, tão fechado
Os teus olhos de desdém, sorriam
Deixaste meus sentimentos de lado
Quando sabias que não mentiam
.
Hoje, sabemos que a felicidade
Findou depois daquele momento
Em que a triste e dura realidade
Ficou ligada ao meu sentimento
.
Autor: gil antónio

Frederico Garcia Lorca






Frederico Garcia Lorca !!!... 
Tenho pena de ser sobre esta orilha
tronco sem ramos, e a dor que sustento
é não ter eu a flor, polpa ou argila
pró verme de meu próprio sofrimento
se és meu tesouro oculto, que sitio,
se és minha cruz e meu sofrer molhado
e eu o cão preso de teu senhorio,
não me deixes perder o que me é dado:
vem decorar as águas do teu rio
com folhas de meu outono perturbado.

.
Soneto de la dulce queja
Tengo miedo a perder la maravilla
de tus ojos de estatua y el acento
que de noche me pone en la mejilla
la solitaria rosa de tu aliento.
Tengo pena de ser en esta orilla
tronco sin ramas; y lo que más siento
es no tener la flor, pulpa o arcilla,
para el gusano de mi sufrimiento.
Si tú eres el tesoro oculto mío,
si eres mi cruz y mi dolor mojado,
si soy el perro de tu señorío,
no me dejes perder lo que he ganado
y decora las aguas de tu río
con hojas de mi otoño enajenado.

– Federico García Lorca, em “Antologia poética”. [tradução José Bento]. Lisboa: Relógio d’Água, 1993.


segunda-feira, 21 de maio de 2018

Pablo Neruda








Saudade

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas a amada já...
Saudade é amar um passado
que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe
o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudade,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

Pablo Neruda   


Foto de Antonio Maria.

Isabel de Sousa ( luadiurna )








A palavra
Há uma fogueira acesa no interior da palavra:
um rio que corre para o sol de Março.
estende os seus braços para a nascente
onde o sentir se espraia no caminho da Fonte
e é lá que cabem todos os sonhos 
vestidos de Verdade.

Correm para a Foz, adentram o mar
abraçam a luz ,onde pelo Verbo
tudo se cria

Há um horizonte aberto nos olhos do sentir
e é lá que a Primavera amadurece
no interior da palavra, que em verdade 
te digo
sem mácula e sem reflexos distorcidos 
no espelho da alma

devolvendo(nos) o melhor 
que houver em nós!!!!

Isabel de Sousa
( luadiurna )   

Foto de Antonio Maria.

Nuno Júdice

































Podia ser aí. Contigo. Com o teu corpo
ainda nu, ou vestido da luz que entra pelas 
persianas velhas, trazendo a tremura 
das folhas na trepadeira do quintal. 

Podia ser de manhã, ou de madrugada, 
sabendo que teria de te abraçar para que não
desses pelo frio, com o quarto ainda 
húmido da noite, num fim de outono. 

Podia não ter sido nunca, se não fossem 
assim as coisas: a tua mão ao encontro da 
minha, no tampo da mesa, como se fosse 
aí que tudo se jogasse, entre duas mãos.


Nuno Júdice

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Autor : Pablo Neruda








O teu riso

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria."

Autor : Pablo Neruda

nishe photography  

Foto de Antonio Maria.

Eugénio de Andrade







Tu és a esperança, a madrugada

Tu és a esperança, a madrugada.
Nasceste nas tardes de setembro,
quando a luz é perfeita e mais dourada,
e há uma fonte crescendo no silêncio
da boca mais sombria e mais fechada.
Para ti criei palavras sem sentido,
inventei brumas, lagos densos,
e deixei no ar braços suspensos
ao encontro da luz que anda contigo.
Tu és a esperança onde deponho
meus versos que não podem ser mais nada.
Esperança minha, onde meus olhos bebem,
fundo, como quem bebe a madrugada.


Eugénio de Andrade  

Foto de Antonio Maria.