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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Nuno Júdice //// AMOR......

 
POESIA  
 
 

Pergunto-te o que é o amor? E tu
 dizes-me que o amor é perguntar-se por ele, e é
 a dúvida que entra nessa pergunta
 a que me dás a resposta, e a certeza
 com que devolves a minha dúvida.
Acredito em ti. Nem o amor permitiria
 outra coisa, nem conheço outra fé capaz de
 misturar dúvidas e certeza, ou se haverá
 mãos mais hábeis do que as tuas para
 fazer essa alquimia de corpo e alma.
Tenho então de saber que não pode ser
 senão assim. A crença no teu amor só pode nascer
 do meu amor; e se trocamos perguntas e
 respostas, como trocamos sentimentos e olhares,
 é porque o amor é um jogo de interrogações.
Afinal, dizes-me, sabias o que é o amor? E
 eu respondo que não conheço as regras desse
 jogo; que és tu quem tem as peças e o tabuleiro
 onde nos procuramos, mesmo que já nos tenhamos
 encontrado, no abraço em que tudo acaba e começa.
Gosto destes jogos em que já se sabe quem
 vai ganhar. Eu ou tu? qual das peças
 avançará primeiro? Pouco importa, no fundo. A
 minha dúvida nasce da tua certeza, como a
 resposta que me dás é esta dúvida que te devolvo.


Nuno Júdice  

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

FELIZ 2016

Feliz     2016   para todos os meus amigos e conhecidos em todo o mundo, que, ao longo dos anos, têm enriquecido-me como um ser humano, ensinando-me que a diversidade é o maior tesouro do mundo.
 
 
 
 
 
 
 

Rodrigo Leão, one of most important portuguese composers !!!:)

Rodrigo Leão, one of most important portuguese composers !!!:)
 
 
 
No, no digas que yo me muero
Amor, mi vida es sufrimiento
Yo te quiero en mi camino
Por vos cambiaba mi destino
Ay, abrazame esta noche
Y aunque no tengas ganas
Prefeiero que me mientas
Tristes breves nuestras vidas
Acercate a mí, abrazame a ti por Dios
Entregate a mis brazos
Tengo un corazón ganando
Yo sé que vos me estas escuchando
Con mis lagrimas te quiero
Pasión, sos mi amor sincero
Ay, abrazame esta noche
Y aunque no tengas ganas
Prefeiero que me mientas
Tristes breves nuestras vidas
Acercate a mí, abrazame a ti por Dios
Entregate a mis brazos   





CLIQUE NO ENDEREÇO  ABAIXO  


https://youtu.be/iP82zjyxK6s  


DANCEMOS.................................


segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

António Ramos Rosa Horizonte

Horizonte
 
 
 
É por ti que escrevo que não és musa nem deusa
 mas a mulher do meu horizonte
 na imperfeição e na incoincidência do dia-a-dia
 Por ti desejo o sossego oval
 em que possas identificar-te na limpidez de um centro
 em que a felicidade se revele como um jardim branco
 onde reconheças a dália da tua identidade azul
 É porque amo a cálida formosura do teu torso
 a latitude pura da tua fronte
 o teu olhar de água iluminada
 o teu sorriso solar
 é porque sem ti não conheceria o girassol do horizonte
 nem a túmida integridade do trigo
 que eu procuro as palavras fragrantes de um oásis
 para a oferenda do meu sangue inquieto
 onde pressinto a vermelha trajectória de um sol
 que quer resplandecer em largas planícies
 sulcado por um tranquilo rio sumptuoso

 António Ramos Rosa   




Nuno Júdice //// Querer


Querer 
 
 

Mas o que queremos da vida? É a vida? O
que se procura em cada segundo para se perder
em cada segundo? O tempo, assim, de nada
nos serve. Um dia, dando por nós próprios,
perguntamo-nos o que fizemos, por onde
andámos, que cidades e casas percorremos,
sem que uma resposta nos satisfaça. A
vida, então, limita-se a ser o que fez
de nós, sem que o tenhamos desejado, e
nada pode ser feito para voltar atrás, nem
para restituir os passos trocados de
direcção, as frases evitadas no último
extremo, o olhar que se desviou quando
não devia. Ah, sim - e o amor? É isso
que queremos da vida? É verdade: cada um
dos abraços que se deram, contando cada
instante; o rosto lembrado no auge do
prazer, quando um súbito sol desponta
dos seus lábios; os cabelos presos nas
mãos, como se elas prendessem o feixe
da eternidade... Assim, a vida poderá
ter valido a pena. É o que fica: o que
nos foi dado e o que damos, sem que nada
nos obrigasse a dar ou a receber; o puro
gesto do acaso na mais absoluta das
obrigações. Então, volto a perguntar: que
outra coisa queremos da vida?

 Nuno Júdice  



domingo, 27 de dezembro de 2015

Florbela Espanca //// Se Tu Viesses Ver-me...

Se Tu Viesses Ver-me...
 

 Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
 A essa hora dos mágicos cansaços,
 Quando a noite de manso se avizinha,
 E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha
 A tua boca... o eco dos teus passos...
 O teu riso de fonte... os teus abraços...
 Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
 Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
 E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca...
 Quando os olhos se me cerram de desejo...
 E os meus braços se estendem para ti...

 
Florbela Espanca,

 in "Charneca em Flor". 


São Reis



Sinto ter dado de mim
 o melhor que tinha...
 o melhor sorriso
 o maior esforço
 a mais sincera lágrima
 tanto de tristeza como de felicidade
 Nunca quis verdadeiramente saber
 porque chorava
 nem porque o sol tinha dias
 em que não se via
Sei hoje que os melhores sentimentos
 são os que imediatamente afloram aos olhos
 e rompem com bravura o escuro da retina
 e sei que quando se pestaneja
 não é porque se está perplexo
 ou deslumbrado
 mas apenas porque se faz um esforço
 para manter guardado nos olhos
 aquilo que nos emociona
 ...até ser hora de adormecer de novo!....
 e engolir de novo o peso dessa emoção
 que nos avassala


são reis
 26dez15

  

Ah !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


                
                                      


Ah! Este amor
que não se acaba,
e que não mais acontece,
tão derramado, perdido
que nunca se satisfaz.
Este amor que pouco importa,
que se contém em  ser amor, e para o qual basta
olhar  uma fotografia
perdida na minha pasta.
Não sei se em outra existência
(o antes e o depois é um mistério)
               se tivermos  (ou teremos?)
algo que seja assim tão sério.
Será que nos encontramos antes?
Ou só teremos um depois?
Será que isto foi tudo
possível entre nós dois?
              Tanto te conheço e desconheço,
reconheço,  e torno a desconhecer
que nunca te esqueço
mesmo quando quero te esquecer.
Para o grande amor não há borracha
Por isto este amor é sempre assim:
alegria e dor dentro de mim.
 
 
 
 
 
 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Hamilton Ramos Afonso /// Hoje..............

 FALAR-TE DE AMOR…



Hoje queria ...

falar-te de
amor
mas de
amor já
não preciso
falar-te
porque o
amor
não se fala,
sente-se
e nós
sentimo-lo
diariamente
numa caricia
num mimo,
num olhar
mas principalmente
no esplendor
da cor
dos nossos
sorrisos
trocados
e casados
há muito…
Por isso
apesar
de amor
não precisar
de falar
afinal
falei de
amor e
de amar  

Hamilton Ramos Afonso  


 


quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

miriam lisbeth //// sonhei (te)


 (((( devaneio...... ))))
 
 
sonhei (te)
 
como quem regressa
 à antepenúltima adolescência.
na magia do mar, ao sul, de Sophia,
nos jardins Impressionistas de Monet,
na genial loucura de Van Gogh,
Na rebeldia lúcida de Rimbaud,
na exortação catártica de Frida Kahlo,
e no libertino erotismo de Anais Nin
sonhei(te)
Na mais sublime e pura fantasia....
(de Sinatra a Bing Crosby.....
de James Dean a Al Pacino....
de bogart a Ingrid Bergman
 de "Cecília a Tom Baxter"
Desde o Cairo a Casablanca.....)
sonhei(te)
na sensorial poesia de Neruda,
na trilogia inebriante de Carl Orff,
nas sublimes mãos de Valentina,
na dualidade Existencial de Herman Hess,
na sabedoria madura de Agustina,
 e na exaltação sensual de Piazzola......
sonhei(te)
a uma só voz, ao rubro nas avenidas
no calor das emoções, no grito da Liberdade,
na inversão dos polos,
quando o sol era de prata
e, a lua refulgia, nos lençois da saudade.....
sonhei(te)
na visitação de uma aurora boreal
 como quem pisa nuvens
 como quem recebe a luz
 de uma segunda vinda redentora
e resgatada eu me entregasse
na profundeza da alma, à superfície da pele....
fizeste-me sonhar
e eu sonhei-te
fantasma na realidade
mastro da minha ilusão.

miriam lisbeth   


NOTA :    Dos poemas que até aqui postei , este , é o que mais me fascina...




segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Angel González ///// La vida en juego




La vida en juego                                                            



Donde pongo la vida pongo el fuego
 de mi pasión volcada y sin salida.

 Donde tengo el amor, toco la herida.
 Donde pongo la fe, me pongo en juego.
 Pongo en juego mi vida, y pierdo, y luego
 vuelvo a empezar, sin vida, otra partida.

 Perdida la de ayer, la de hoy perdida,
 no me doy por vencido, y sigo, y juego
 lo que me queda: un resto de esperanza.

 Al siempre va. Mantengo mi postura.
 Si sale nunca, la esperanza es muerte.
 Si sale amor, la primavera avanza.


Angel Gonzalez



A vida em jogo
 Onde ponho a vida, ponho o fogo
 de minha paixão focada e sem saída.


 Onde ponho o amor, toco a ferida.
 Onde ponho a fé, me ponho em jogo.
 Ponho em jogo minha vida, e perco, e logo
 começo outra vez, sem vida, outra partida.



Perdida a de ontem, a de hoje perdida,
não me dou por vencido, e sigo, e jogo
 o que me sobra: um resto de esperança.



E sempre vou em frente. Mantenho minha postura.


Sem sair nunca. A esperança é a morte.
 Se sai o amor, a primavera avança  


Angel Gonzalez    




sábado, 19 de dezembro de 2015

Hamilton Ramos Afonso /// A casa do teu sorriso

 
A casa do teu Sorriso
 

 Toda a amplidão
 dos meus braços
 bem abertos
 esperam
 a tua chegada
 para que se fechem
 lentamente
 ao redor dos teus ombros
 e neles te acolham
 falando-te por gestos
 do que em palavras
 não consigo…
De ti apenas quero
 que tragas a luz
 do teu belo sorriso,
 o calor
 e o perfume
 do teu corpo,   
 e a tua capacidade
 de acolheres
 a imensa ternura
 e o meu carinho por ti…
Repito …
de ti apenas quero
 a luminosidade
 do teu sorriso,
 esse mesmo sorriso
 com que me conquistaste
 para que nele
 eu possa habitar-te…
  

 Hamilton Ramos Afonso

 In , Amor como o primeiro, Chiado Editora, 14.11.2015 



 


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Zé da Luz


Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dos se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e tu cum insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!!!


Zé da Luz.

  Zé da Luz, foi um alfaiate de profissão e poeta popular brasileiro . 





Graça Bica

Querer-te
É um sonho.
que esta envolto
num nevoeiro,
dentro do meu peito,
que oscila com o meu pensamento,
quando chamo o teu nome!
em todas as razões da minha vida,
tu estas presente em mim,
quis em ti meu amor,
vingar os poentes,
abrir todos os botões de rosa
a luz do luar,
fazer tranças de sol
com laços de aguarelas,
sublinhar o teu rosto, com lápis de seda,
para jamais te poder ferir,
envolver-te em lençol de lua cheia,
e ao fim da tarde,
adormecer-te...
no mar feito de cama de cambraia,
e depois trazer-te,
nos meus sonhos,
pujados de amor,
pudesse eu, um dia esperar
e trazer-te de volta para mim,
sem dizer-te adeus...
Graça Bica.  
 
 
 

Tanussi Cardoso

...me chama de.........

As time goes by
 

Meu bem,
Me chama de Humphrey Bogart
Que eu te conto Casablanca.
Me tira esse sobretudo;
Sobretudo, conta tudo
Que eu te dou uma rosa branca.
Meu bem,
Me chama de Humphrey Bogart...
Te dou carona em meu carro
Chevrolet — que sou bacana;
Te levo, meu bem, pra cama
Fumamos nossa bagana;
Te provo que sou sacana...
Te faço toda a denguice:
Te dispo que nem a Ingrid,
Te dou filhos de montão
Só pra te ver sufocar...
Mas me chama de Humphrey Bogart!
Faço chover colorido
Como num bom musical.
Te chamo de Lauren Bacall!
Te danço, te canto, te mostro,
Entre as pernas, meu bom astral...
Te deixo pro enxoval
Meu chapéu preto de gangster,
Mil poemas de ninar...
Só pra te ouvir sussurrar:
Como te amo, meu Humphrey Bogart!

Tanussi Cardoso   





quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Em Ti de Edgardo Xavier

Em Ti
Toco-te
 vibro na promessa
 de um amor pleno
 e gemo a sedução
 do teu corpo nu.
Tomo-te e morro
 como o rio que desliza
 até ao fim
 na sede do deserto.


Edgardo Xavier






 Publicado RDL 2014
 Vladislav Suhorukov    



quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

são reis

E é no assombro do meu corpo
 no gotejar da minha pele
 no lençol desfeito
 de tanto a gente se amar
 que eu melhor te aguardo
 que eu melhor te compreendo
 e que sempre, sempre
 eu vou desfolhar no teu peito
 todas as palavras
 que na garganta se digladiam
 desconfiadas e escondidas
 por pura covardia


 são reis 
 
 
 
 
 
 

Hilde Domin

Olhar...
 O teu lugar é
 onde olhos te olham.
 Tu nasces
 onde os olhos se encontram.
Suspensa por um chamar,
 sempre a mesma voz,
 parece haver só uma
 com que todos chamam.
Caías,
 mas não cais.
 Olhos te prendem.
Tu existes
 porque olhos te querem,
 olham-te e dizem
 que tu existes.


Hilde Domin    



terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Maria Teresa Horta //// Perder - me


Perder-me 

Não sei como consigo
amar-te tanto
se querer-te assim na minha fantasia
 É amar-te em mim
e não saber já quando
de querer-te mais eu vou morrer um dia
 Perseguir a paixão até ao fim é pouco
exijo tudo até perder-me
enquanto, e de um jeito tal que desconhecia
 Poder amar-te ainda
um outro tanto

 Maria Teresa Horta  



Cesário Verde //// A débil

A DÉBIL



 Eu, que sou feio, sólido, leal,
 A ti, que és bela, frágil, assustada,
 Quero estimar-te, sempre, recatada
 Numa existência honesta, de cristal.
 
 Sentado à mesa de um café devasso,
 Ao avistar-te, há pouco fraca e loura,
 Nesta babel tão velha e corruptora,
 Tive tenções de oferecer-te o braço.
 
 E, quando socorrestes um miserável,
 Eu, que bebia cálices de absinto,
 Mandei ir a garrafa, porque sinto
 Que me tornas prestante, bom, saudável.
 
«Ela aí vem!» disse eu para os demais;
 E pus me a olhar, vexado e suspirando,
 O teu corpo que pulsa, alegre e brando,
 Na frescura dos linhos matinais.
 
 Via-te pela porta envidraçada;
 E invejava, - talvez que não o suspeites! -
Esse vestido simples, sem enfeites,
 Nessa cintura tenra, imaculada.
 
 Ía passando, a quatro, o patriarca
 Triste eu saí. Doía-me a cabeça;
 Uma turba ruidosa, negra, espessa,
 voltava das exéquias dum monarca.
 
 Adorável! Tu, muito natural,
 Seguias a pensar no teu bordado;
 Avultava, num largo arborizado,
 Uma estátua de rei num pedestal.
 
 sorriam, nos seus trens, os titulares,
 E ao claro sol, guardava-te, no entanto,
 A tua boa mãe, que te ama tanto,
 Que não te morrerá sem te casares!
 
 Soberbo dia! Impunha-me respeito
 A limpidez do teu semblante grego;
 E uma família, um ninho de sossego,
 Desejava beijar sobre o teu peito.
 
 Com elegância e sem ostentação,
 Atravessavas branca, esvelta e fina,
 Uma chusma de padres de batina,
 E de altos funcionários da nação.
 
«Mas se a atropela o povo turbulento!
 Se fosse, por acaso, ali pisada!»
De repente, parastes embaraçada
 Ao pé de um numeroso ajuntamento,
 
 E eu, que urdia estes fáceis esbocetos,
 Julguei ver, com a vista de poeta,
 Uma pombinha tímida e quieta
 Num bando ameaçador de corvos pretos.
 
 E foi, então que eu, homem varonil,
 Quis dedicar-te a minha pobre vida,
 A ti, que és ténue, dócil, recolhida,
 Eu, que sou hábil, prático, viril.

 Cesário Verde

«366 poemas que falam de amor»,
Antol. org. por Vasco Graça Moura,
 Lisboa: Quetzal, 2003

 Arte: Leon Herbo   




segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Manuel Alegre /// Mais do que o teu corpo


 MAIS DO QUE O TEU CORPO


 Mais do que o teu corpo quero o teu pudor
 quero o destino e a alma e quero a estrela
 e quero o teu prazer e a tua dor
 o crepúsculo e a aurora e a caravela
 para o amor que fica além do amor.

 A alegria e o desastre e o não sei quê
 de que fala Camões e é como água
 que dos dedos se escapa e só se vê
 quando prazer se torna quase mágoa.

 Estar em ti como quem de si se parte
 e assim se entrega e dando não se dá
 quero perder-me em ti e quero achar-te
 como num corpo o corpo que não há.



MANUEL ALEGRE

 in LIVRO DO PORTUGUÊS ERRANTE (Pub. D. Quixote, 2001)


Chico Buarque ///// Quotidiano .....


Quotidiano .....

 Todo dia ela faz tudo sempre igual
 Me sacode às seis horas da manhã
 Me sorri um sorriso pontual
 E me beija com a boca de hortelã
Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar
 E essas coisas que diz toda mulher
 Diz que está me esperando pro jantar
 E me beija com a boca de café
Todo dia eu só penso em poder parar
 Meio dia eu só penso em dizer não
 Depois penso na vida pra levar
 E me calo com a boca de feijão
Seis da tarde como era de se esperar
 Ela pega e me espera no portão
 Diz que está muito louca pra beijar
 E me beija com a boca de paixão
Toda noite ela diz pra eu não me afastar
 Meia-noite ela jura eterno amor
 E me aperta pra eu quase sufocar
 E me morde com a boca de pavor
Todo dia ela faz tudo sempre igual
 Me sacode às seis horas da manhã
 Me sorri um sorriso pontual
 E me beija com a boca de hortelã
  


Chico Buarque  






domingo, 13 de dezembro de 2015

Francisco Valverde Arsénio






 Adormeci sobre este poema
 inacabado,
 esqueci as palavras
 antes de o sonho me embalar,
 apertei os dedos
 em dormência
 onde os versos se aconchegaram.
 Bate-me no peito
 aquele instante nosso
 e as letras formam
 pequenas partículas dispersas.
 Não quero mais marés,
 quero-te oceano de águas puras,
 quero-te no bulício dos amantes.
 Adormeci sobre os olhares que trocámos
 e o momento em que me sorriste.
 Calada,
 a minha voz sai dos sonhos
 e confunde as nuvens,
 é um grito de boca cerrada.
 Adormeci contigo nos meus braços.

Francisco Valverde Arsénio  


sábado, 12 de dezembro de 2015

Antonio Ramos Rosa /// Horizonte

Horizonte 

É por ti que escrevo que não és musa nem deusa
mas a mulher do meu horizonte
na imperfeição e na incoincidência do dia-a-dia
Por ti desejo o sossego oval
em que possas identificar-te na limpidez de um centro
em que a felicidade se revele como um jardim branco
onde reconheças a dália da tua identidade azul
É porque amo a cálida formosura do teu torso
a latitude pura da tua fronte
o teu olhar de água iluminada
o teu sorriso solar
é porque sem ti não conheceria o girassol do horizonte
nem a túmida integridade do trigo
que eu procuro as palavras fragrantes de um oásis
para a oferenda do meu sangue inquieto
onde pressinto a vermelha trajectória de um sol
que quer resplandecer em largas planícies
sulcado por um tranquilo rio sumptuoso

 António Ramos Rosa  
 
 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Rainer Maria Rilke /// Canção de amor

Canção de Amor


 Como hei-de segurar a minha alma
 para que não toque na tua? Como hei-de
 elevá-la acima de ti, até outras coisas?
 Ah, como gostaria de levá-la
 até um sítio perdido na escuridão
 até um lugar estranho e silencioso
 que não se agita, quando o teu coração treme.
 Pois o que nos toca, a ti e a mim,
 isso nos une, como um arco de violino
 que de duas cordas solta uma só nota.
 A que instrumento estamos atados?
 E que violinista nos tem em suas mãos?
 Oh, doce canção.

 Rainer Maria Rilke  







quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Nuno Júdice //// Música

Música 
 
 

Ao ouvir as suites inglesas de bach, a humidade
dos campos envolve-me, com uma névoa de rios
e uma auréola de margens. Esta música puxa-me,
pelas suas mãos de som, para o ritmo que o poema
devia encontrar no limite dos teus cabelos; e tu,
contra o portão, nesse contra-luz que te incendeia
o vermelho da túnica sobre o fundo branco dos
muros, roubas ao cravo o seu sorriso profano,
plantando nas suas teclas um desejo que o jardim
do teu corpo fará florescer. Assim, vens até mim
pelos degraus deste ritmo que bach inventou,
para descrever não se sabe que dança, movimento
de saias com o vento, baloiço vago que se evola
de uma entrega evanescente, num canto de arbusto,
até ao silêncio branco com que o amor se fecha.

 Nuno Júdice   


Boas festas/ Natal 2015 a todos/as...

Boas festas/ Natal 2015 a todos/as...

"White Christmas"

Para :

Brasil: Carlopolis,S.Paulo,Rio de Janeiro, Campinas, Petropolis,Santos, Tenente Portela, Santos,Jaciara,Salvador,Teresinha,Brasilia,Delfim Moreira,Iguatu,Fortaleza,Florianópolis.

Portugal: Covilhã, Castelo Branco,Queluz, Lisboa, Loures,
Vila Nova de Gaia
Porto
Margaride

Untd States

Netherlands : S`Heriogenbosch

Canadá : Kingston


GERMANY
Etc....

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Ricardo- águialivre

Caminhando sozinho por entre o Nevoeiro
 
 

......................................
Perguntaste-me porque caminhava sozinho
Por entre as aberturas do cerrado nevoeiro
Disse-te que ia acompanhado pelo destino
E no pensamento teu nome como primeiro
 

Sorriste, dizendo não me conseguir entender
Quando fazia na solidão a minha caminhada
Nem minhas palavras poderias compreender
Se no silêncio partia sem nunca dizer nada
 

Fixei-te com meu olhar e em voz desiludida
Por teu amor existir apenas na minha ilusão
Disse-te que quando da minha triste partida
 
Te levava bem guardada dentro do coração
...............



   Ricardo- águialivre   







terça-feira, 8 de dezembro de 2015

António José Queirós //// Adeus....

ADEUS


 Penso em ti.
 Há uma voz que se repercute
 no coração do poema
 com a cadência de um látego incansável.
 Oiço os acordes obscuros
 de uma música descompassada,
 o rumor de um mar intranquilo.
 Regressa à memória
 o desastre de um desejo envelhecido.
 Está frio.
 Um tímido sol anuncia
 o lento suicídio do Inverno.
 Penso em ti,
 na vertigem súbita das falésias,
 no verde e húmido
 olhar da despedida.

 António José Queirós   


domingo, 6 de dezembro de 2015

Helena Guimarães //// A vida parou....

 A VIDA PAROU



O sol brilha cálido
lá fora.
Hoje não o sinto!
Está tão distante
o velho que lê o jornal
junto ao quiosque.
A vida parou ontem.
Exactamente àquela hora.
Hoje é o vazio
e apesar do sol
está frio.
Vejo os outros,
longínquos,
a fruir a vida
sem tempo.
Eu estou dentro de mim,
com uma réstia de ti
no sentimento,
o teu olhar
no pensamento,
a tua imagem,
esbatida,
a cortar-me  a ligação
com a vida..

 
H.G..Janeiro2003.   

 A VIDA PAROU