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terça-feira, 31 de agosto de 2010

...Fumo...................



Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas…
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram… choram…
Há crisântemos roxos que descoram…
Há murmúrios dolentes de segredos…

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!…


Florbela Espanca


Hoje deitei-me junto a uma jovem pura

................................

Título: NÃO QUERO AMAR-TE
 NÃO QUERO AMAR-TE
Descrição:

Não!! Não quero amar-te.

Não posso amar-te!

Mas és sol

do meu pensamento,

em ti a cada momento.

Lua das frias noites,

abraço

na minha solidão

de todos acompanhada,

sem norte, sem sul,

sem nada,

básicos seres

nesta imensidão

sem fim.

Não quero amar-te!

Seria o meu holocausto

na ara do teu corpo,

tua alma.

Meu ser no teu absorto,

ali, em êxtase, subjugado,

à espera, num soluço,

do teu beijo desejado.

Não! Não quero amar-te!

Mas a minha fantasia

segue os teus passos

no cumprir do dia a dia,

despe-te a roupa

suga-te o sexo

lambe-te o beijo,

colhe-te o abraço

como um pedaço

de mim!!

H.G. Novembro2002

..os sonhos......

QUE LOUCURA
 QUE LOUCURA
Descrição:

Que loucura é a vida!

Turbilhão de sensações,

de existências

que se estiolam

lentas,

em inerte engano.

Vidas tão cinzentas!

Os sonhos desfeitos dia a dia,

a renascer, límpidos

na mesma utopia.

Que loucura é a vida!

Onde estamos nós?

Somos ou não somos?

Alacres gnomos,

nesta imensidão,

cada vez mais sós.

Nos abstraímos.

Vivemos?

Não. Só existimos!

H.G Setembro 2002



segunda-feira, 30 de agosto de 2010

De: helena guimarães... NÂO............


 NÃO!
Descrição:

Não, não é desejo o que sinto!

É esta fome de ti

como se não houvesse caminho

para caminhar,

ar para respirar,

água para molhar-me

os lábios ávidos,

palavras para alimentar-me o dia,

brisa para refrescar-me

a alma esquiva,

um abraço para

velar-me o sono,

um canto para

o meu abandono,

nesta imensa caminhada

que é a minha vida.

Rosas mustias de cada día



Todas la srosas blancas de la luna caían,
por la ventana abierta, en el cuerpo desnudo ...
Mirando aquellas carnes blandas que florecían,
hundido entre mis sueños, yo estaba absorto y mudo.

¡Oh su sexo con luna! ¡Esencia indefinible
de su sexo con luna! Hervían los blancores
de la carne, y el rostro, perdido en lo invisible
de la penumbra, lánguido, cerraba sus colores.

Era el enervamiento del dolor ... Y cual una
rosa de treinta años, opulenta y desierta,
el cuerpo blanco se elevaba hacia la luna
frío, espectral, azul, como una pompa muerta ...

Juan Ramón Jiménez

Foto:Michael Thompson

..por onde caminhas....

De onde chegam estas palavras?



De onde me chegam estas palavras?

Nunca houve palavras para gritar a tua ausência

Apenas o coração
Pulsando a solidão antes de ti
Quando o teu rosto doía no meu rosto
E eu descobri as minhas mãos sem as tuas
E os teus olhos não eram mais
que um lugar escondido onde a Primavera
refaz o seu vestido de corolas.

E não havia um nome para a tua ausência.

Mas tu vieste.

Do coração da noite?
Dos braços da manhã?
Dos bosques do Outono?

Tu vieste.
E acordas todas as horas.
Preenches todos os minutos.
acendes todas as fogueiras
escreves todas as palavras.

Um canto de alegria desprende-se dos meus dedos
quando toco o teu corpo e habito em ti
e a noite não existe
porque as nossas bocas acendem na madrugada
uma aurora de beijos.

Oh, meu amor,
doem-me os braços de te abraçar,
trago as mãos acesas,
a boca desfeita
e a solidão acorda em mim um grito de silêncio quando
o medo de perder-te é um corcel que pisa os meus cabelos
e se perde depois numa estrada deserta
por onde caminhas nua.

Joaquim Pessoa

domingo, 29 de agosto de 2010

,,,De : Victor L. Mendes





Solidão

Todos os dias,
ao cair da noite,
A solidão vem e deita-se ao meu lado.

Fico observando,
calado.

Ela acende um cigarro e,
silenciosamente,
Brinca com os desenhos
que a fumaça descreve no ar.

Seus movimentos lentos,
sua indiferença.

Seu rosto é pálido e seu olhos parecem estar fitando
Algum ponto além das paredes do quarto.

Percebo que ela é bonita...

O que estará ela pensando?

Jamais vou saber(...)

Mas o que importa?

Ela está aqui.

Como estará também no outro dia quem sabe?

Acho que aprendi a gostar dela,
como uma doce companhia.

Se ela demora a chegar,
fico impaciente

Quem diria?

Se não vier,
me sentirei só...



Vitor L. Mendes

...ainda Roque Dalton....

Saturday, August 28, 2010




COMO TÚ

Roque Dalton


Yo, como tú,
amo el amor, la vida, el dulce encanto
de las cosas, el paisaje
celeste de los días de enero.
También mi sangre bulle
y río por los ojos
que han conocido el brote de las lágrimas.
Creo que el mundo es bello,
que la poesía es como el pan, de todos.
Y que mis venas no terminan en mí
sino en la sangre unánime
de los que luchan por la vida,
el amor,
las cosas,
el paisaje y el pan,
la poesía de todos.


COMO VOCÊ

Eu, como você,
amo o amor, a vida, o doce encanto
das coisas, da paisagem
celeste dos dias de janeiro.
Também meu sangue ferve
e eu rio com os olhos
que têm conhecido os brotos das lágrimas.
Creio que o mundo é belo
que a poesia, como o pão, é de todo mundo.
E que minhas veias não termina em mim,
mas, no sangue da unânime
dos que lutam pela vida
o amor,
as coisas
a paisagem e o pão,
a poesia de todos.

sábado, 28 de agosto de 2010

....Pelo ar..................


Pelo ar!


Quando na cadência dos dias
sentirdes que a felicidade de teu coração,
numa revoada doida de borboletas do brejo,
partiu para as flores do alto das copas das arvores
mais altas e sentirdes que te falta um carinho,
ouve na brisa que passa lá fora de tuas portas
se não te chegou de mim um beijo perdido pelos caminhos do vento.
Assim todas as vezes
que te tocarem aos cabelos
aquele sopro de vento,
escuta-o,
pois pode ser que seja eu
a te falar
aos
ouvidos!

Santaroza

...distante o amor....................


Eu penso em ti quando o fulgor do sol ardente
reluz do mar;
E penso em ti quando a tranqüila fonte
espelha o luar.

A ti eu vejo da longínqua estrada
entre a turba e pó;
E, alta noite, por tenebrosa senda,
peregrino e só.

Tua voz me fala entre o fragor da vaga
que vem tombando;
Ou, quando em silêncio , lá na selva êrma
te estou escutando.

Contigo estou, de ti tão longe embora.
Estás junto a mim!
Já cai o dia... vêm luzindo os astros...
Ver-te-ei,enfim?


Johann W.Von Goethe -
Tradução Bastian Pinto

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Título: A TEUS PES
 A TEUS PES
Descrição:

A teus pés, senhor, penitente,

para todos os meus erros peço

o bálsamo da misericórdia.

Pequei por amor, amor ardente,

e agora só há regresso

nos caminhos da memória.

Pequei por amor, Senhor,

mas bebi da taça da vida

a dor e a desilusão,

sem recusar do fel o sabor.

Aceitei a Tua medida

de penitência e punição.

Mas afasta de mim esta taça,

esta que me dás ora a beber,

por castigo das vidas perdidas..

Hoje, Senhor, por mais que eu faça

não consigo matar e esquecer

a razão que desfez as nossas vidas.

....Relembrando certa pessoa.....INTIMIDADES Descrição: AS TUAS MÃOS as tuas mãos longas e morenas que exprimem do gesto a subtileza s

título: INTIMIDADES
Subtítulo: livro de poesia
 INTIMIDADES
Descrição:

AS TUAS MÃOS

as tuas mãos longas

e morenas

que exprimem do gesto

a subtileza

são lindas, são etéreas

são subtis.

Parecem aves

esvoaçando presas...

Como gosto

de, perdida em pensamento,

seguir as figuras

que, no espaço,

as tuas mãos desenham

em sentido,

e cingi-las ao meu corpo

qual abraço...

Como gosto

quando apontam o universo,

os dedos estirados

como setas...

me elevam, me redimem, me libertam.

Me encontram o perdão

do meu pecado.

Me acalmam,

me sublimam,

como ascetas.!!

Amor



Quem ousará dizer que ele é só Alma?
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar um puro grito
de orgasmo, num instante infinito?

O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.

Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?

Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.

Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.

E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da própria vida,
como activa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando.

E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o climax:
é quando o amor morre de amor, divino.

Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.

Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, estátuas
estátuas vestidas de suor, agradecendo
o que a um Deus acrescenta o amor terrestre.

Pedro Miguel S. Duarte

Foto:Sergey Ryzhkov

....Conto erotico..............




-Assim ?
-É. Assim.
-Mais depressa ?
-Não. Assim está bem. Um pouco mais para...
-Assim ?
-Não, espere.
-Você disse que...
-Eu sei. Vamos recomeçar. Diga quando estiver bem.
-Estava perfeito e você...
-Desculpe.
-Você se descontrolou e perdeu o...
-Eu já pedi desculpa !
-Está bem. Vamos tentar outra vez. Agora.
-Assim ?
-Um pouco mais pra cima.
-Aqui ?
-Quase. Está quase !
-Me diga como você quer. Oh, querido...
-Um pouco mais para baixo.
-Sim.
-Agora para o lado. Rápido !
-Amor, eu...
-Para cima ! Um pouquinho...
-Assim ?
-Aí ! Aí !
-Está bom ?
-Sim. Oh, sim.
-Pronto.
-Não ! Continue.
-Puxa, mas você..
-Olha aí... Agora você...
-Deixa ver...
-Não, não. Mais para cima.
-Aqui ?
-Mais para o lado.
-Assim ?
-Para a esquerda !! O lado esquerdo !
-Aqui ?
-Isso ! Agora coça.

Luís Fernando Veríssimo

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

hoje estou assim..........

O luar enche a terra de miragens



O luar enche a terra de miragens
E as coisas têm hoje uma alma virgem,
O vento acordou entre as folhagens
Uma vida secreta e fugitiva,
Feita de sombra e luz, terror e calma,
Que é o perfeito acorde da minha alma.

Sophia de Mello Breyner Andresen

De : Joe Luigi... Alma Gémea.....



Alma Gêmea de mim!
Deixa-me dormir meu sono
curtir meu sonhos
esquecer-te um pouco
Deixa?!
Tomaste conta
do meu EU
agora dividimos a mesma vida
respiramos o mesmo ar
...somos apenas um!
És a metade de mim
preciso respirar
devolve-me um pouco de ar
Para eu te amar... te beijar.
És minha moleca
sapeca
com seu jeitinho de menina
sua alma de mulher...
Alma gêmea de mim.


Joe Luigi

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

De; Aharon ....Nossas tardes.!




Se você gosta do céu
deixa eu... nele voar.
Gosto do sol de verão
em teus olhos cheio de detalhes.

Somos mirantes no grande
horizonte do amar,
silencio em nós viajando
lentamente
sem lente
som de violão distante.

Vento vai levando
sem pedir
inusitados pensamentos.
Diluindo
a dona dos dramas.

Nas loucas tardes
a tua beleza ilumina
meu mundo feito lua.
Consumidos sumimos
do ponto de vista
na maresia
de um beijo.

introspecção....



Contemplo-te com carinho
Cada traço, cada curva
Do teu corpo
Onde meus olhos se perdem
Envolvida entre as águas calmas
Lanças-me um sorriso tímido
Abres-me os braços
Procurando os meus
Retribui-te o mesmo sorriso
Retiro a minha roupa
De mansinho me aproximo
Unidos pela mesma água
Juntos pelo mesmo amor
Abracei-te
Como antes ninguém me tinha abraçado
Os meus lábios procuram os teus
Quentes e poderosos
Como um hímen se tratassem
As tuas mãos com pele suave
Percorrem o meu corpo
Em simultâneo o mesmo gesto
Vindo de mim
Entramos em êxtase
Sinto-me dentro de ti
Tudo ao meu redor desapareceu
Entre gemidos e mimos
A água formou ondulação
Formando marés vivas
Até que houve um dilúvio
Um dilúvio de prazer
Abraçamo-nos
Para nunca nos separar...

Escrito por Pedro Nobre

...meninas, vale a pena ouvir......

terça-feira, 24 de agosto de 2010

...adolescencia de segredo.....................


Amo o teu túmido candor de astro



A tua pura integridade delicada
a tua permanente adolescência de segredo
a tua fragilidade acesa sempre altiva
Por ti eu sou a leve segurança de um peito
que pulsa e canta a sua chama
que se levanta e inclina ao teu hálito de pássaro
ou à chuva das tuas pétalas de prata
Se guardo algum tesouro não o prendo
porque quero oferecer-te a paz de um sonho aberto
que dure e flua nas tuas veias lentas
e seja um perfume ou um beijo um suspiro solar
Ofereço-te esta frágil flor esta pedra de chuva
para que sintas a verde frescura
de um pomar de brancas cortesias
porque é por ti que vivo é por ti que nasço
porque amo o ouro vivo do teu rosto.

António Ramos Rosa

...grande verdade................

Frase/Pensamento



Não faças aos outros o que queres que te façam; os gostos deles podem ser diferentes dos teus.


Bernard Shaw

..pois é,,,,,,,,,

....fumo...................



Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas…
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram… choram…
Há crisântemos roxos que descoram…
Há murmúrios dolentes de segredos…

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!…


Florbela Espanca


Hoje deitei-me junto a uma jovem pura
como se na margem de um oceano branco.....

..por mais que eu tente....



"Por mais que eu tente não consigo
não sei escrever o que sinto. o que aflige
não sei em palavras mostrar o que me vai no peito
Escrevo que és bela,
mas amor, tu és ainda mais singela
digo que és tudo, mas amor tu és todo meu mundo
não és só linda, maravilhosa
és tão mais que meu amor por ti se dobra
Meu amor, minha paixão
causa da desarrumação do meu coração
por mais que eu tente, não consigo
não sei escrever tudo o que sinto
porque meu grande e ebrio amor
não te quero em papel, telas ,tintas ou teclados
posso não conseguir escrever, mas amor minha paixão
eu bem sei o que por ti sinto...."

Garcia Lorca

Foto:Niko Guido

.............Não...............

Femina



Não lavei os seios
pois tinham o calor
da tua mão.
Não lavei as mãos
pois tinham os sons
do teu corpo.
Não lavei o corpo
pois tinha os rastros
dos teus gestos;
tinha também, o meu corpo,
a sagrada profanação
do teu olhar
que não lavei.
Nem aqueles lençóis,
não os lavei,
nem os espelhos,
que continuam
onde sempre estiveram:
porque eles nos viram
cúmplices, e a paixão,
no paraíso,
parece que era.
Lavei, sim,
lavei e perfumei
a alma, em jasmim,
que é tua, só tua,
para te esperar
como se nunca tivesses ido
a nenhum lugar:
donde apaguei
todas as ausências
que apaguei
ao teu olhar.

Soares Feitosa

Foto:Yuri Bonder

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

...De Florbela Espanca/ Minha culpa



Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem
Quem sou? Um fogo-fátuo, uma miragem...
Sou um reflexo... um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém

Como a sorte: hoje aqui, depois além!
Sei lá quem sou? Sei lá! Sou a roupagem
De um doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei lá quem!...

Sou um verme que um dia quis ser astro...
Uma estátua truncada de alabastro..
Uma chaga sangrenta do Senhor...

Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados,
Num mundo de maldades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador...


Florbela Espanca

...De: Maruja Vieira.




Exílio

Maruja Vieira


Mi patria eran tus manos,
tu mirada,
el suave temblor de tus labios.
Ya no tengo tu hombro
para mi cabeza rendida.
No tengo nada.
Veinte años de exilio,
amor mío,
veinte años sin patria.

Exílio

Minha pátria eram tuas mãos,
o teu olhar,
o suave tremor de teus lábios.
Já não tenho teu ombro
para minha cabeça cansada.
Não tenho nada.
Vinte anos de exílio,
amor meu,
vinte anos sem pátria.

domingo, 22 de agosto de 2010

...de Gustavo Pereira




Hay un poco de mí en ti

Gustavo Pereira

Hay un poco de mí en ti
Pero es mucho más que lo poco que hay de ti en mí
Mi orgullo está en
saber que esta vez
he dado más de lo que he recibido.

Há um pouco de mim em ti

Há um pouco de mim em ti
Porém, é muito mais do que o pouco que há de ti em mim
Meu orgulho está em
saber que neste momento
te dei muito mais do que de ti recebi.

sábado, 21 de agosto de 2010

....agora eu penso................

Às vezes com a pessoa a quem amo



Às vezes com a pessoa a quem amo
Fico cheio de raiva
Por medo de estar só eu dando amor
Sem ser retribuído;
Agora eu penso que não pode haver amor
Sem retribuição, que a paga é certa
De uma forma ou de outra.
(Amei certa pessoa ardentemente
e meu amor não foi correspondido,
mas foi daí que tirei estes cantos.)

Walt Whitman

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

...de : Maruja vieira , poetisa




Todavia

Maruja Vieira


Todavía
la frágil quemadura de una lágrima
borra la luz del árbol.
Todavía
cerca del corazón se detiene la vida
cuando te nombra alguien.
Todavía
rueda el mundo al vacío
desprendido y errante.
Todavía
no encuentro las palabras
para decir la ausencia de tus manos.
todavía
te amo.

Todavia

Todavia
a frágil queimadura de uma lágrima
apaga a luz dos arvoredos.
Todavia
perto do coração se detém a vida
quando se nomeia alguém.
Todavia
roda o mundo no vazio
desprendido e errante.
Todavia
Não encontro as palavras
para dizer da ausência de tuas mãos.
Todavia
te amo.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

..e o coração fala pela escrita ........

Amando a Lua



O sonho é uma verdade nua
Pintado de rosa
Como a imensidão da prosa.
O sentido encontra as razões
Mais sensíveis e profundas
No emaranhado das emoções
Canções povoam a auréola das estrelas
Sedutoras fontes incandescentes
Içam-se as velas transparentes
Navega-se pelos reflexos inspiradores
Captando aromas da brisa sensual
E descobre-se a linha harmoniosa do poente...
Amando na lua
O vento liberta os gestos
Os sentidos tornam-se modestos
O azul brilha nas palavras
E o coração fala pelo olhar.

Jorge Viegas

Foto:Christian Coigny

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Mãos



Côncavas de ter
Longas de desejo
Frescas de abandono
Consumidas de espanto
Inquietas de tocar e não prender

Sophia de Mello Breyner Andresen

Imagem retirada do Google

..nossa diva.................

....só sei que te..............


Pois de ti, que sei eu? Só sei que te amo,
E te recuso, e tu me foges, e ando
De ti e mim falando em sons que clamo
Como se fossem de se andar clamando...
Sei que existes na voz com que te chamo,
Como na com que fujo ao teu comando!
E sei que tudo o que não sei, um dia,
Nem saberei, sequer, que o não sabia....

José Régio

terça-feira, 17 de agosto de 2010

..embora ainda estejamos no verão............

Outono



Este frio que me penetra na alma
Esta lucidez amarga
Este Outono triste
Pessoas com o rosto cerrado
Parece que tudo fica mais negro
Olho em volta e vejo anónimos
No ritual da manhã
A beber o café
Saem apressados para o trabalho.
Passam as horas,
Voltam como autómatos para casa
Jantam, vêem televisão, deitam-se…
No dia seguinte tudo se repete
Onde estão os afectos?
Onde está o calor humano?
Cada vez há mais solidão.
Não se vive, vegeta-se…

Foto:Jerry Uelsmann
A NINFA.......................

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Jantar


Ao jantar, tive uma ninfa
para a sobremesa. Tirei-lhe o vestido
e fiquei com a polpa
nas mãos. Separei os gomos
dos seus seios, descasquei
a sua pele, soltei-lhe dos cabelos
os caroços, e vi o fruto abrir-se
num colar de róseas pérolas. Fiz
com que o seu sumo me escorresse
pelas mãos, e bebi-o na taça
dos seus lábios. Ao jantar,
com uma ninfa nua
no prato da sobremesa,
esperei pelo café; e enquanto
não chegava, esvaziei o prato,
e fiquei com fome.

Nuno Júdice




Oración para que no me olvides

Oscar Castro

Yo me pondré a vivir en cada rosa
y en cada lirio que tus ojos miren
y en cada trino cantaré tu nombre
para que no me olvides.
Si contemplas llorando las estrellas
y se te llena el alma de imposibles
es que mi soledad viene a besarte
para que no me olvides.
Yo pintaré de rosa el horizonte
y pintaré de azul los alelíes
y doraré de luna tus cabellos
para que no me olvides.
Si dormida caminas dulcemente
por un mundo de diáfanos jardines,
piensa en mi corazón que por ti sueña
para que no me olvides.
Y si un tarde, en un altar lejano,
de otra mano cogida te bendicen,
cuando te pongan el anillo de oro,
mi alma será una lágrima invisible
en los ojos de Cristo moribundo…
Para que no me olvides.

Oração para que não me esqueças

Eu comecei a viver em cada rosa
em cada um lírio que teus olhos miram
e em cada trinado cantarei o teu nome
para que não me esqueças.

Se tu contemplas chorando as estrelas
e enche tua alma de impossíveis
é que minha solidão vem te beijar
para que não me esqueças.

Eu pintarei de rosa o horizonte
e de azul os muros de relva
e dourarei de lua os teus cabelos
para que não me esqueças.

E se adormecida andas docemente
por um mundo de jardins cristalinos,
pensa em meu coração que por ti sonha
para que não me esqueças.

E se uma tarde, num altar distante,
outra mão te agarre e a abençoe,
quando te puserem o anel de ouro
minha alma será uma lágrima invisível
nos olhos de um Cristo moribundo...

Para que não me esqueças.

sábado, 14 de agosto de 2010

,,,,amar...........................



Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados
desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada
nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...
O amor é quando a gente mora um no outro.

(Mário Quintana)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

De: enrique gracia trinidad




Te quiero

Enrique Gracia Trinidad

"Es una locura amar, a menos que se ame locamente"
Jean Ythier
Cuando Cuando lguien pronuncia esas palabras
todo se paraliza.
Los asuntos más graves adelgazan, las noticias se duermen
en los ordenadores,
las solemnes estatuas
bajan del pedestal, juegan al mus
y pierden compostura.
Algo queda en suspenso,
quizás la vida o cualquier cosa de mayor importancia.
Cuando alguien las pronuncia,
todo comienza a ser igual.
Y da lo mismo
que la Luna se olvide de mirarnos, que la cena esté fría,
que Dios no esté en su sitio y esto acabe
como el rosario de la aurora.
Da igual, para entendernos, que la lluvia de abril
ponga muecas de octubre,
que tengan más de un ojo el huracán,
el cíclope,
la perdiz de los trajes o el pirata del cuento.

Da igual que tú después te calles
y que yo no conteste.

De "Restos de almanaque" 1993
(Premio Blas de Otero, 1993)


Te quero

“È uma loucura amar, a menos que se ame loucamente” (Jean Ythier)

Quando alguém pronuncia estas palavras
tudo se paralisa.
Os assuntos mais graves se suavizam, as notícias adormecem
nos computadores,
as estátuas solene
baixam do pedestal, jogam a pose
e perdem a compostura.
Algo fica em suspenso,
Talvez a vida ou qualquer coisa de maior importância.
Quando alguém as pronuncia,
tudo começa a ser igual.
E dá no mesmo
que a lua se esqueça de nos ver, que o jantar fique frio,
e Deus não esteja no lugar e isto acabe
como a seqüência da aurora.
Dá igual a compreender que as chuvas de abril
fazem caretas em outubro
que tenha mais de um olho do furacão,
o Ciclope,
o perdiz ou fantasias de pirata na história.

Dá igual a que depois te cales
e eu não responda.