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sábado, 31 de agosto de 2013

GABRIELA MISTRAL BEIJOSSSS



BEIJOS

Há beijos que por si sós pronunciam
a sentença de amor condenatória,
há beijos que se dão com o olhar
há beijos que se dão com a memória.

Há beijos silenciosos, beijos nobres
há beijos enigmáticos, sentidos
há beijos que só são dados pelas almas
há beijos verdadeiros, porque proibidos.

Há beijos que calcinam e que ferem,
há beijos que arrebatam os sentidos,
há beijos misteriosos que sugerem
mil sonhos errantes e perdidos.

Há beijos problemáticos que escondem
um segredo que nunca decifraram,
há beijos que engendram a tragédia
de quantos botões de rosa desfolharam.

Há beijos perfumados, beijos tíbios
que palpitam nos íntimos desvelos,
há beijos que nos lábios deixam pegadas
como um campo de sol entre dois gelos.

Há beijos que parecem açucenas
de tão sublimes, ingénuos, de tão puros,
há beijos de traição e cobardia,
há beijos malditos e perjuros.

Judas beija Jesus e deixa impressa
em seu rosto divino a felonia,
enquanto Madalena com seus beijos
deixa força e piedade na agonia.

Desde então nos beijos centelham
o amor, a traição e as dores,
e nas bodas humanas se assemelham
à brisa que passa pelas flores.

Há beijos que provocam desvario
de amorosa paixão ardente e louca,
bem os conheces, são os beijos a fio
que eu inventei para a tua boca.

Beijos de chama que em rasto impresso
sulcos de um amor vedado levaram,
beijos de tempestade, selvagens beijos
que só os nossos lábios provaram.

Recordas o primeiro? Indefinível;
cobriu o teu rosto até corar
e nos espasmos de emoção terrível,
encheu-se de lágrimas o teu olhar.

Recordas-te de uma tarde, do louco instante
em que te vi com zelo e pensamentos sábios,
te abracei… o beijo vibrante,
e que viste depois? Sangue nos meus lábios.

Ensinei-te a beijar: os frios beijos
são de impassível coração de roca,
eu ensinei-te a beijar com os beijos
que eu inventei para a tua boca


in DESOLACIÓN (1922), tradução de CARLOS CAMPOS




quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Vale Dimitra Silverio // Mi corazòn vuela en el cielo





Vale Dimitra Silverio

El sol brilla en el cielo,
Las estrellas al igual
Pero lo que si esta en el cielo
Es mi corazón que ha de volar,
Ha de volar en el cielo
Desde que te vi
Solo para decirte
Que te amo solo a ti

Meu coração voa no céu

O sol brilha no céu,
As estrelas brilham igual
Porém o que está no céu
É meu coração que há de voar,
Há de voar no céu
Desde que te vi
Só para dizer-te
Que te amo, só a ti



.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Maria Torres /// Você é minha interjeição




Você é minha interjeição
 
Minha expressão do sentir mais forte
Minha preposição
Que me liga do real a uma viagem no pensamento
É uma conjunção
Carnal, viva
Conectando as fases da vida antes e depois de seu beijo

Você é meu pronome
Meu eu, meu nós
E até o meu artigo
Que diz quando serei determinada
É meu numeral
Meu um, meu dois, sempre primeiro
Meu adjetivo que me define, me modifica

Você consegue ser o meu verbo
Me faz agir, me faz sentir, diz o meu tempo
Me faz sonhar
E é também meu advérbio
Me influenciando de várias maneiras
Em modo, em lugar, em intensidade

Mas, além de tudo isso
Você passou a ser tantas coisas
Sentido, definição, conceito
Se você não existisse eu te inventaria
Meu substantivo concreto!


Palavras são só palavras
Palavras
Não só palavras!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
 
 Maria Torres
 
 
 

Maria Mamede /// CONTRICÇÃO



Nunca to disse
mas
vou deixando teu nome
por aí
escrito nos muros
da indiferença
por isso
é certo que te amo!

Vou deixando
teu nome
a letras d’ouro
pelos caminhos da espera
por isso
é realmente certo
que te amo!
E deixo ainda
em jeito de testamento
o teu nome magoado
escrito a pó de estrelas
pelo céu
das tardes cinzentas
e frio na alma
e pelos atalhos sombrios
para lembrar
os dias tristes
que não passei contigo
os olhos tristes
das noites
que não te abracei
e os braços vazios
dos carinhos
que te não fiz
só porque te amo!
E nunca to disse
de verdade nunca to disse
mas porque te amo
escrevo o teu nome
onde jamais alguém
sonhou escrevê-lo
porque te amo
sabes
porque te amo!...

Maria Mamede


(in “MORFOLOGIA DA DOR”)

Katarzyna.


Antecipação amorosa



Hoje neste dia frio,

gostaria mesmo era de dançar,

de contigo me agarrar e me embriagar ,

sem me importar se o papa Francisco iria me perdoar.

Como nada é tão simples

tive mesmo foi que tomar vinho e dormir,

mas, não antes de comer carne de porco e queijo

(o que não tem o mesmo sabor da tua carne

nem do teu beijo).

Porém, só em pensar na delícia que seria

te beijar no cangote,

meu coração correu ao galope,

num frenesi de ilusão

e o desejo que me assaltou

antecipadamente me absolveu

do que não aconteceu

pela certeza de que um amanhã haverá

em que, com frio ou com calor,

de amor hei de te matar! 


Do blog  by Spersivo

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Sophia de Mello Breyner // Em todos os jardins




Em todos os jardins hei-de florir,
Em todos beberei a lua cheia,
Quando enfim no meu fim eu possuir
Todas as praias onde o mar ondeia.

Um dia serei eu o mar e a areia,
A tudo quanto existe me hei-de unir,
E o meu sangue arrasta em cada veia
Esse abraço que um dia há-de abrir.

Então receberei no meu desejo
Todo o fogo que habita na floresta
Conhecido por mim como num beijo.

Então serei o ritmo das paisagens,
A secreta abundância dessa festa
Que eu via prometida nas imagens.

Sophia de Mello Breyner
 
 






segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Carlos Palhau // Amar-te ao vento



Pensei em como seria bom escrever sobre ti meu amor,
De tudo teria eu de escrever sem ter medo do teu julgar,
Escreveria sobre o que penso enquanto me lamento,
Por não te ter agora em mim, nesta noite cheia de vento.

Seria como escrever uma carta de amor para o meu amor,
Um lindo conjunto de emoções seria por ti lido e entendido,

Onde não faltariam aqueles momentos que não os posso partilhar,
Seriam muitas as vozes que iriam querer saber o porquê de te amar.

Amar-te assim não é um simples desejo de alguns que se amam,
Amar-te assim é um encontro de um sentimento que perdura,
É como se fosse água mole em pedra dura que bate,
Tanto que ela bate, como bate agora o meu coração.

Sabes amor que um dia também o tempo namorou o vento?
O tempo dei-lhe tempo para que pudesse ser amado,
O vento guardou-o com medo de não ter tempo para o amar,
Então pensaram numa razão que seria mais forte que o sentimento.

Eu não sou o tempo e tu não és o vento,
Mas quero que com o tempo,
Ter tempo para te amar, amar e amar,
Mesmo que seja amar-te ao vento.

Carlos Palhau

Armando C F Palhau © Todos os direitos reservados



domingo, 25 de agosto de 2013

Fatima Porto /// Junto a ti...


JUNTO A TI

Algures na nossa praia,
O mar ondula
Ao bater descompassado
Dos corações

É na solidão das noites
Que a lua me traz o teu olhar,
Pois sinto ainda, o calor do teu peito no meu

Pressinto a presença
Num abraço à minh’alma
Qual ardor que incendeia
Todo o nosso querer

Quero descansar,
Tendo-te como meu aconchego,
Fechar os olhos
Para poder sonhar junto a ti…


Fátima Porto
Texto registado e protegido pelo IGAC



Sofia Valadares /// Amo-te....



Amo-te
em cada sonho que abraçamos,
quando no teu olhar ardente e inconfundível me perco.
Amo a tua expressão de menino - homem feito;
a tua fragrância que me cinge;
a tua boca que em cada beijo
me delicia num intenso e efémero momento;
desperta na minha essência um novo sabor.
Amo-te: preenches o meu coração;
avassalas todos os meus pensamentos. 

Amo-te …
Nunca te poderia descrever em palavras
os sentimentos que penetram este meu Ser.
As palavras mesmo enlaçadas em sentimentos e beleza
não têm a capacidade de alcançar
a autêntica profundeza deste Amor vivido.

Amo-te …

Amo-te de coração livre, puro e sereno;
com a total entrega, doçura,
paixão e loucura que transbordam da minha alma.
Amo-te na minha forma simples e completa
de viver o Amor: existindo a mais pura das alianças
entre a razão e o coração
que todas as noites têm sede de ti.
Precisam do teu aconchego;
da intensidade do teu abraço.
O Abraço cúmplice e sereno que me embala
e me acompanha para um novo mundo
- o mundo dos sonhos.
Sim; até neles sinto a tua presença.

Amo-te,

SOFIA VALADARES




sábado, 24 de agosto de 2013

José Carlos Ary dos Santos /// Estigma

Poetas Escolhidos–XI –“Desafio” à Vida





Filhos dum deus selvagem e secreto
E cobertos de lama, caminhamos
Por cidades,
Por nuvens
E desertos.
Ao vento semeamos
O que os homens não querem.
Ao vento arremessamos
As verdades que doem
E as palavras que ferem.
Da noite que nos gera, e nós amamos.
Só os astros trazemos.
A treva ficou onde
Todos guardamos a certeza oculta
Do que nós não dizemos
Mas que somos.

José Carlos Ary dos Santos, in "Obra Poética", pág.51, Edições Avante

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Nuno Judice /// TU..............






Como as rosas selvagens, que nascem
em qualquer canto, o amor também pode nascer
de onde menos esperamos. O seu campo
é infinito: alma e corpo. E, para além deles,
o mundo das sensações, onde se entra sem
bater à porta, como se esta porta estivesse sempre
aberta para quem quiser entrar.

Tu, que me ensinas o que é o
amor, colheste essas rosas selvagens: a sua
púrpura brilha no teu rosto. O seu perfume
corre-te pelo peito, derrama-se no estuário
do ventre, sobe até aos cabelos que se soltam
por entre a brisa dos murmúrios. Roubo aos teus
lábios as suas pétalas.

E se essas rosas não murcham, com
o tempo, é porque o amor as alimenta.
 
 Nuno Judice
 

São Reis /// És.....

És uma canção de amor
da qual eu apenas sei o refrão
Mas se for para ficar assimque no meu coração
vem extravasando amor
de cada vez que balbucio o teu nome
docemente presa no teu abraço
eu acerto de vez o compasso
e aprendo essa letra de cor
que no meu coração
vem extravasando amor
de cada vez que balbucio o teu nome

são reis
 
 
 
 

São Reis /// Na minha....



Na minha boca cabem todos os segredos
São de silêncio os meus dedos
que albergam todas as tuas carícias
gizados na perfeição do traço
sendo à vez ora nó ora laço
Mas nos teus olhos cansados
que para mim se abrem de espanto
cabe todo o encanto
dos sonhos ainda por viver
ainda por sentir

E é por isso que as noites são cruzes
que eu carrego aos ombros
como se fora um Deus improvisado
descalço e mal amado
como todos os deuses com pés de barro
Mas não prescindo da luz dos teus olhos
por nenhuma outra luz
ainda que mais forte
porque a luz dos teus olhos, meus amor
junto com os segredos dos meus dedos
é vida e é morte!...

são reis
....................................................................................................................................................................................
NOTA)


Mas não prescindo da luz dos teus olhos
por nenhuma outra luz
ainda que mais forte
porque a luz dos teus olhos, meu amor
junto com os segredos dos meus dedos
é vida e é morte!...








quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Ana Paula Tavares




Tão manso é o lago dos teus olhos
que temo avançar a mão
cortar as águas
e semear o espanto
na descoberta
da minha sede antiga.

in "DIZES-ME COISAS AMARGAS COMO OS FRUTOS" (Caminho, 2011)
 
 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

é ter coragem para...




Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.

E que posso evitar que ela vá a falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e

se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar

um oásis no recôndito da sua alma .

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um 'não'.

 
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo...


(Fernando Pessoa)


...esperei por ela...

Maria do Rosário Pedreira /// O meu amor não cabe num poema...





 
 
O meu amor não cabe num poema ― há coisas assim,
que não se rendem à geometria deste mundo;
são como corpos desencontrados da sua arquitectura
os quartos que os gestos não preenchem.
 
O meu amor é maior que as palavras; e daí inútil
a agitação dos dedos na intimidade do texto ―
a página não ilustra o zelo do farol que agasalha as baías
nem a candura a mão que protege a chama que estremece.
 
O meu amor não se deixa dizer ― é um formigueiro
que acode aos lábios com a urgência de um beijo
ou a matéria efervescente os segredos; a combustão
laboriosa que evoca, à flor da pele, vestígios
de uma explosão exemplar: a cratera que um corpo,
ao levantar-se, deixa para sempre na vizinhança de outro corpo.
 
O meu amor anda por dentro do silêncio a formular loucuras
com a nudez do teu nome ― é um fantasma que estrebucha
no dédalo das veias e sangra quando o encerram em metáforas.
Um verso que o vestisse definharia sob a roupa
como o esqueleto de uma palavra morta. nenhum poema
podia ser o chão a sua casa.
 
Maria do Rosário Pedreira















NOTA)
O MEU AMOR NÃO   CABE NUM POEMA

nem a candura a mão que protege a chama que estremece.
 

MANUEL ALEGRE



Gostava de morar na tua pele
desintegrar-me em ti e reintegrar-me
não este exílio escrito no papel
por não poder ser carne em tua carne.

Gostava de fazer o que tu queres
ser alma em tua alma em um só corpo
não o perto e o distante entre dois seres
não este haver sempre um e sempre o outro.

Um corpo noutro corpo e ao fim nenhum
tu és eu e eu sou tu e ambos ninguém
seremos sempre dois sendo só um.

Por isso esta ferida que faz bem
este prazer que dói como outro algum
e este estar-se tão dentro e sempre aquém.





MANUEL ALEGRE
  in SETE SONETOS E UM QUARTO (Dom Quixote, 2005)

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Não meu bem eu Eu não sou Lavoisier

POEMA ,




Não, meu bem,
eu não sou Lavoisier,
mas, também sei que nada há de se perder.
Tanto carinho entre nós existe
não deixe que o tempo, ou a distância,
te deixe triste
que tudo tem suas compensações
e todo amor só resiste
se cultiva as ilusões.
Bem, se precisar, serei mágico
para te iludir
e, se não der certo,
sou um maluco esperto,
viro palhaço para te ver sorrir!
Não, eu não sou Lavoisier
nem sei de qualquer tipo de lei,
mas, tanto amor

não pode se perder.








segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Roque Dalton //// LA JOIE DE AIMER/ A alegria do amor



LA JOIE DE AIMER
Roque Dalton

No me ames
para agotar tu destino.

No me ames
con la fe de construir una tragedia contemporánea.

Ríete a todas luces, cariño.

Ríe en toda esta etapa de bella vecindad.

Ríete, ríete,
aunque sea de mí.

A alegria do amor

Não me ames
para esgotar teu destino.

Não me ames
com a fé  de construir uma tragédia contemporânea.

Ri com todas as luzes, querida.

Rir de toda esta parte da  bela vizinhança.

Ri, ri,
Ainda que seja de mim.

Alberto Caeiro


Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta 
o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor.

Alberto Caeiro

domingo, 18 de agosto de 2013

POESIA DA DANÇA /// (De A Alquimia da Vida,1999)





Vê é tão simples. De repente a mão
Na mão, o olhar no olhar, uns beijos.
Por que complicar? Não exija a razão.
De todo modo virá com o tempo.

Mas, com o tempo, virão outras coisas
Como a perda da magia, a dor e até
O tédio. De repente não há remédio
E, se tivermos, o mal não tem mais cura.

Segura o tempo!Segura! A mão agora
Oferece tanto. Não deixa de ser belo
O canto porque cessa. É tão lindo
Enquanto dura. Vamos, minha mão segura.

Por que temer ou colocar obstáculos
Contra o desejo que é tão natural?
Não contrarie a Natureza. Sê a presa
E a caçadora do prazer, que é tudo

Que nos resta quando o canto acaba.
A música da vida é feita de tais notas
E, se não se dança, no tempo certo,
Sobrevém o deserto e, também, se dança.

(De A Alquimia da Vida,1999)

PARA OUVIR..............Paganini-Liszt La Campanella HQ



NOTA : 
IMPERDIVEL....MAGNIFICA INTERPRETAÇÃO De VALENTINA...em LA CAMPANELA DE PAGANINI...

A Ligeireza das mãos....técnica e  emoção ...maravilhosas de nos fazer  levantar da cadeira e aplaudir  de pé...


D'Elean.

NUNO JUDICE /// PRESENTE



Queria neste poema a cor dos teus olhos
e queria em cada verso o som da tua voz:
depois, queria que o poema tivesse a forma
do teu corpo, e que ao contar cada sílaba
os meus dedos encontrassem os teus,
fazendo a soma que acaba no amor.

Queria juntar as palavras como os corpos
se juntam, e obedecer à única sintaxe
que dá um sentido à vida; depois,
repetiria todas as palavras que juntei
até perderem o sentido, nesse confuso
murmúrio em que termina o amor.

E queria que a cor dos teus olhos e o som
da tua voz saissem dos meus versos,
dando-me a forma do teu corpo: depois,
dir-te-ia que já não é preciso contar
as sílabas, nem repetir as palavras do poema,
para saber o que significa o amor.
Então, dar-te-ia o poema de onde saíste,
como a caixa vazia da memória, e levar-te-ia,
pela mão, contando os passos do amor.


NUNO JUDICE




in O ESTADO DOS CAMPOS (Pub. Dom Quixote, 2003)





.....te sinto .









Te sinto cada dia roçando-me invisível
Subtilmente impalpável.
E ainda sei que sempre havia te levado comigo
E eras sempre a suave, docemente impossível
Distante luminosa....
Te sinto cada dia cantar, mas não sei onde.
És algo que vive além de mim mesmo
E ainda que sempre sejas a nuvem e o horizonte distante
Senti teu beijo sobre a minha alma!
Meu espírito solitário te sonha em todas as coisas
Minha alma te busca por trás de toda emoção
Meu caminho está repleto de teu nome!
Distante? Onde estais? Onde estais?
 
Beatriz
http://2.bp.blogspot.com/_fwT8XThRCGU/R5Et9Ng-G1I/AAAAAAAABsc/mHtSK3vehUg/s320/asm%C3%A3os.bmphttp://2.bp.blogspot.com/_fwT8XThRCGU/R5Et9Ng-G1I/AAAAAAAABsc/mHtSK3vehUg/s320/asm%C3%A3os.bmp

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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

DIVAGAÇÕES.....





Poema do que tinha de ser

O fato é que de ti só quero
o que tens de diferente, de parecido e de melhor,
Mas, o pior, contigo, é muito bom também.
Nem quero saber das coisas que não quiser me dizer
Embora esteja doido para te dizer
Muito mais do que queres saber:
Palavras amorosas, dengos e mesmo desejos pervertidos,
Que trago comigo.

Ah! Me pego pensando no teu rosto
Como será quando estiveres alvoroçada
Por pegar teus seios,
Que receios terás
Se te lamber mais do que devo
Numa fantasia única
De que és sorvete
Que sonhei quando criança.

A realidade é que, perto de ti,
Todo olhar meu é pornográfico
Como um gráfico
De uma realidade inevitável,
De um destino

 Que não se pode fugir.

st





La Nuit - Salvatore Adamo (Lyrics in french, russian and english)






ROMANCE DE AMOR /// Francis Goya







Florbela Espanca



Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.


Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!


Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas


E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma pra sentir
A dos poetas também!



Florbela Espanca



Daniel Faria

Prometo-te a palma da minha mão para a escrita.
Cerca-a de magnólias, cerca-me. Podes fechar a escrita
No interior da mão ou na boca dos livros
Podes esquecê-la ou libertá-la dos mil botões
Que ela sopra no interior dos homens.
Podes mandá-la àqueles que mais amas
Ou como pétalas e mensagens nas anilhas das aves
Aos teus próprios inimigos.
Podes desarmá-la para propagares as chamas.
Dou-te, como desde sempre, o poder
De escreveres na pele da minha mão
As promessas que te fiz.
Sabes que existo
E que vou repetir-te todas as coisas outra vez.

Daniel Faria

Nota)Os Poetas...são Artistas da palavra......e portanto a ARTE é muito   trabalhada....
Mas a ARTE para ser BOA ARTE tem que parecer natural..não pode dissociar-se a técnica     da emoção...........sentimento.....

 

Cesário Verde //// EU E ELA....


Eu e Ela ..

Cesário Verde Cesário Verde Portugal 1855 // 1886 Poeta
 
Eu e Ela 
 Cobertos de folhagem, na verdura,
O teu braço ao redor do meu pescoço,
O teu fato sem ter um só destroço,
O meu braço apertando-te a cintura;

Num mimoso jardim, ó pomba mansa,
Sobre um banco de mármore assentados.
Na sombra dos arbustos, que abraçados,
Beijarão meigamente a tua trança.

Nós havemos de estar ambos unidos,
Sem gozos sensuais, sem más idéias,
Esquecendo para sempre as nossas ceias,
E a loucura dos vinhos atrevidos.

Nós teremos então sobre os joelhos
Um livro que nos diga muitas cousas
Dos mistérios que estão para além das lousas,
Onde havemos de entrar antes de velhos.

Outras vezes buscando distração,
Leremos bons romances galhofeiros,
Gozaremos assim dias inteiro,
Formando unicamente um coração.

Beatos ou apagãos, via à paxá,
Nós leremos, aceita este meu voto,
O Flos-Sanctorum místico e devoto
E o laxo Cavaleiro de Faublas...

Cesário Verde, in 'O Livro de Cesário Verde'

 


Cesário

 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Cesário Verde



Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.


Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.


Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão de ló molhado em malvasia.


Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas.



 Cesário Verde





São Reis


Para dar valor a um sorriso
chorei muito
Senti muito
amei e fui amada
mas também amei sem reciprocidade
Caminhei toda a avenida da saudade
beijei cada pedra
e sentei-me a em cada canto
olhei cada estrela
e orei a cada santo

E agora que me olho bem por dentro
que vasculho cada artéria
não sei mais de que matéria
sou feita
mas sei que em cada aresta
mora um amor diferente
e é tudo isso que me basta e me resta...
...um amor a cada amor que me amou
e um amor a cada santo que me escutou!...

são reis
 
 
 
26Gosto ·  · P

C.C. Cristina Correia


deixei de contar as pérolas
e deixei de fazer colares
a ostra fechou-se em si´

dentro de si...
encontra todas as marés
e correntes maritimas

a terra prometida
é a que o navegador
se dá à sua conquista
colocando nela seu mastro
colonial de afectos

Solitária...navego
num imaginário sem posse
amaro em a-mares secretos
ventre de degredos
desejos
segredos
e ostras por abrir!

C.C.