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terça-feira, 31 de outubro de 2023

Vinícius de Moraes

 

Quem é homem de bem, não trai 
O amor que você quer seu bem 
Quem diz muito que vai, não vai
E assim como não vai, não vem 
Quem está dentro de si não sai 
Vai morrer sem amar ninguém 
O dinheiro de quem não dá 
É o trabalho de quem não tem 
Capoeira que é bom, não cai 
E se um dia ele cai, cai bem!


Vinícius de Moraes




segunda-feira, 30 de outubro de 2023

AMALIA RODRIGUES -"Povo Que Lavas No Rio"





Noite negra

 

Noite negra


Nesta noite, negra noite

de chuva forte, tempestade,

assusta o silêncio, o trovão

antes do relâmpago,

o clarão todo o céu iluminar,

lembro feliz de teu olhar.

Eu só sei tremer de frio,

de medo, de solidão

nesta noite, negra noite,

me dá logo a tua mão!

Ilustração: Creative Fabrica.

Amor e conhecimento

 

Fiz Filosofia Medieval há 40 anos, daí já não ter a certeza se é no De Trinitate, livro que não tenho para o confirmar, que Santo Agostinho diz que quanto mais ama Deus, mais o conhece e que quanto mais o conhece, mais o ama. Na altura isso pareceu-me normal, e, tratando-se de Deus, ainda hoje me parece. Porque, ou Deus não existe, ou, se existe, nunca se viu, sendo muito fácil amar e conhecer o que não existe ou nunca se viu, fluindo livremente o amor e o conhecimento como um rio sem margens para o comprimir. Bem diferente do que está diante dos nossos olhos, em que amor e conhecimento lutam entre si, e em que quanto mais se ama, menos se conhece, e quanto mais se conhece, menos se ama. Não se trata de um imperativo ou de um conselho, não estou a dizer que amor e conhecimento devem lutar entre si, apenas que lutam entre si. Trata-se do domínio do ser e não do dever ser. O que diz aqui a personagem feminina soa a paradoxo, mas não é. Porque o amor tem a sua própria sabedoria, que não é a do conhecimento, como a do conhecimento não é a do amor. Duas linhas paralelas que seguem lado a lado sem se tocar, mas que, tocando-se, pode gerar um curto-circuito do qual ambas saem queimadas.








Elis Regina

 




🎵
Quando olhaste bem...
Nos olhos meus...
E o teu olhar era de Adeus
😪
...
Juro que não acreditei...
E te estranhei me debrucei...
Sobre teu corpo e duvidei"
(Atrás Da Porta | Chico Buarque/Francis Hime)

Pablo Alborán - Perdóname (con Carminho)




domingo, 29 de outubro de 2023

A OUTRA VISÃO

 


A OUTRA  VISÃO








A obra-prima da criação divina


A história da criação do mundo está mal contada. Quando Deus, depois de ter feito o céu e a terra, as árvores e as nuvens, o mar e os peixes e se preparava para descansar, olhou à sua volta e tudo lhe pareceu muito vazio.


Faltavam animais que preenchessem todo aquele espaço, que dessem animação ao cenário criado, e Deus, num supremo esforço, embora já muito cansado, lá foi criando a bicharada.

No fim, olhou para toda aquela variedade de seres, e percebeu que não havia um único que fosse suficientemente belo, à altura da grandiosidade de toda a sua obra, que verdadeiramente o arrebatasse mas, cansado como estava, adormeceu encostado ao tronco de uma árvore.

Manhã cedo, despertado pelos primeiros raios de sol desse primeiro dia de todos quantos haviam de se seguir, levantou-se e dirigiu-se a um lago de águas límpidas e transparentes, como só então podiam ser, e sobre as quais se debruçou olhando a sua imagem reflectida.

- E por que não, alguém à sua semelhança?

- E num momento de inspiração, que só poderia ser divina, lançou a sua mão, dedo indicador ligeiramente espetado na direção de umas bananeiras que para ali estavam, proferiu as palavras mágicas utilizadas para a criação de toda a sua obra no dia anterior, o primeiro, e... ali estava um novo ser, esbelta, elegante, roliça, morena, cabelos escuros escorridos pelos ombros, e Deus, conquistado por tanta beleza, reconheceu que a sua obra estava agora concluída.

As suas formas arredondadas e harmoniosas, aqueles olhos que enviavam mensagens e convites... novos e estranhos, encantaram o próprio Deus que seduzido por aquela visão a olhou perplexo, pensativo e, simultaneamente, embevecido.

Agora, sim, poderia dar a sua obra como concluída com total sucesso, demasiado sucesso, talvez... pois não sentia nenhuma vontade de partilhar com mais ninguém aquele ser encantador a que ele chamou “mulher” e que decidiu guardar só para Ele, prerrogativa de Criador para com a obra Criada.

Na imensa escala do tempo estariam destinados a serem felizes para sempre: Deus e a sua criação por Ele imortalizada mas..., sem que se soubesse por quê, um dia aconteceu a ruptura.

O que terá sucedido, então, é dos segredos mais guardados pela natureza divina. Não havia então cronistas sociais e todos os restantes bichos, embora estranhassem aquela ligação entre o Criador e aquele animal, nada poderiam contar. 

Eram mudos, comunicavam apenas por sinais entre eles, os indispensáveis para o acasalamento, ataque e defesa que a mais, Deus, não os tinha dotado.

Teria havido, com certeza, razões de queixa dadas por ela e estando por provar que Deus seja infinitamente bom e misericordioso, como se pode aferir no dia-a-dia da humanidade, o inevitável aconteceu:

 - Foi-se a ela, arrancou-lhe uma costela, e a contra-gosto e por castigo, fez o Adão.

E foi assim, nesse dia, por razões que nunca se saberão, que terminou o paraíso, e ela, mulher, como todas as outras fêmeas, para além de ter que lhe dar herdeiros, ainda passou a ser obrigada a limpar-lhe a casa, fazer-lhe a comida, engomar-lhe as camisas e aturar-lhe as bebedeiras... isto, até há uns tempos atrás.


Que pensará Deus disto tudo?

(José Régio)

 CÂNTICO




Num impudor de estátua ou de vencida,
coxas abertas, sem defesa… nua
ante a minha vigília, a noite, e a lua,
ela, agora, descansa, adormecida.

Dos seus mamilos roxo-azuis, em ferida,
meu olhar desce aonde o sexo estua.
Choro… e porquê? Meu sonho, irreal, flutua
sobre funduras e confins da vida.

Minhas lágrimas caem-lhe nos peitos…
enquanto o luar a numba, inerte, gasta
da ternura feroz do meu amplexo.

Cantam-me as veias poemas nunca feitos…
e eu pouso a boca, religiosa e casta,
sobre a flor esmagada do seu sexo.



(José Régio)

Federico Garcia Lorca

 SE MINHAS MÃOS PUDESSEM DESFOLHAR



Eu pronuncio teu nome
nas noites escuras,
quando vêm os astros
beber na lua
e dormem nas ramagens
das frondes ocultas.
E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.

Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.

Amar-te-ei como então
alguma vez? Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa se esfuma,
que outra paixão me espera?
Será tranquila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!!

Federico Garcia Lorca









"" R y k @ r d o ""

 domingo, 29 de outubro de 2023

Depois ... saindo de mãos dadas

 


Manhã de chuva. Nossos corpos unidos, ardentes
A pele que se toca ligeiramente, fogo em chama
Quarto a meia luz. O desejo incendeia as mentes
Toque de mãos. Suave som em beijo que inflama
.
Calmosa avidez aquece o sangue em nossas veias
Até a roupa da cama, parece arder de fogosidade
Como ondas do mar tocando-se nas marés cheias
Assim ardem nossos corpos, na afável felicidade
.
Nossa pele aveludada sente-se húmida de desejo
Os nossos lábios encontrando-se num doce beijo
Depois, corpos em entrega, palavras sussurradas
.
Arfar em delírios trocados, apetências em rebelião
Nossos corpos que se doaram à luxuria da paixão
Depois do banho, saem tão felizes, de mãos dadas


"" R y k @ r d o ""





..........................

 





Os olhos podem ver quando estão fechados, o coração pode ouvir o silêncio.


Desejo-vos um bom dia de domingo

Saúde. Ânimo. Paz.


Play by Alexander Ekman




sábado, 28 de outubro de 2023

Ser...............

 

SER POETA


Ser poeta, senhor, 

deve ser um destino,

por suposto, 

proposto 

por um deus das causas perdidas.

É ser um ser que, pela vida

será visto como um estranho, 

um solitário, um sonhador.

E somente será lembrado,

não por sua pena,

mas por alguém com pena, 

que dirá, no Dia do Poeta, 

existe um lá na minha rua

que conheci numa ocasião

por causa da eclipse da lua.

Dele não li nada não. 

Talvez também tenha feito uma canção, 

uma poesia sobre Porto Velho. 

É um bom sujeito, 

lá do seu jeito,

porém, com certeza, meio aéreo!

raiva...Rafeef Ziadah

 

OUTUBRO

Permita-me falar minha língua árabe 
antes que eles ocupem minha língua também. 
Permita-me falar minha língua materna 
antes que colonizem sua memória também. 
Sou uma mulher árabe negra.
E chegamos em todos os tons de raiva. 
Tudo o que meu avô sempre quis fazer 
era acordar de madrugada e ver minha avó ajoelhar e rezar 
em uma vila escondida entre Jaffa e Haifa 
minha mãe nasceu debaixo de uma oliveira 
em um solo que dizem que não é mais meu 
mas eu cruzarei suas barreiras, seus pontos de controle 
seus malditos muros do apartheid e voltar para minha terra natal 
Sou uma mulher árabe negra e temos todos os tons de raiva. 
E você ouviu minha irmã gritando ontem 
quando ela deu à luz em um posto de controle 
com soldados israelenses olhando entre as pernas 
para sua próxima ameaça demográfica
chamou sua filha de “Janeen”. 
E você ouviu Amni Mona gritando 
atrás das grades da prisão enquanto eles lançavam gás lacrimogêneo na cela dela 
"Estamos voltando para a Palestina!" 
Sou uma mulher árabe negra e temos todos os tons de raiva. 
Mas você me diz, esse útero dentro de mim 
só lhe trará o seu próximo terrorista 
usar barba, balançar arma, toalheiro, negro da areia.
Você me diz, eu mando meus filhos para morrer 
mas esses são os seus helicópteros, os seus F16 no nosso céu.
E vamos falar sobre esse negócio de terrorismo por um segundo 
Não foi a CIA que matou Allende e Lumumba 
e quem treinou Osama em primeiro lugar 
Meus avós não corriam como palhaços 
com as capas brancas e os capuzes brancos na cabeça linchando negros 
pessoas 
Sou uma mulher árabe negra e temos todos os tons de raiva. 
"Então quem é aquela mulher morena gritando na manifestação?"
Desculpe, não deveria gritar? 
Esqueci de ser todos os seus sonhos orientalistas 
Jinnee em uma garrafa, dançarina do ventre, garota do harém, mulher árabe de fala mansa 
Sim mestre, não mestre. 
Obrigado pelos sanduíches de manteiga de amendoim 
chovendo sobre nós do mestre do seu F16 
Sim, meus libertadores estão aqui para matar meus filhos 
e chamá-los de “danos colaterais” 
Sou uma mulher árabe negra e temos todos os tons de raiva. 
Então deixe-me contar a você esse útero dentro de mim 
só lhe trará seu próximo rebelde 
Ela terá uma pedra em uma mão e uma bandeira palestina na outra 
Eu sou uma mulher árabe de cor 
Cuidado! Cuidado com minha raiva...


Rafeef Ziadah









sexta-feira, 27 de outubro de 2023

O beijo

 

O BEIJO

 


E era tudo que eu não queria.

E era tudo que devia ser.

Não entendi

quando acontecia

e sei que jamais vou compreender.

Não sei a hora,

não sei o dia,

razão não havia,

nem porquê

fora a vontade que nos consumia.

Só sei que com o beijo doido

que você me deu

toda defesa se desfazia.

Não sei quem mais enlouqueceu:

se foi você ou se fui eu,

se foi o mundo

e tudo, então, nos pareceu

só alegria,

só fantasia

com o beijo que você me deu!!!

DAVID GARRETT: ♫ Capriccio No. 24 ♫ von N. Paganini




SEXTA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2023

EFEMÉRIDES

 



Em 27 de Outubro de 1782, nasce Niccolò Paganini, compositor e violinista italiano 



Fabuloso ! Ouça e veja esse jovem e talentoso David Garrett!

Amália Bautista

 

Proteja-me das sombras e do medo 
defenda-me de todas as tristezas, 
desterra-me da vida o desconsolo,
se possível, com o teu amor, se não, 
com o fim do mundo ou com a minha morte. 


Amália Bautista