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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Nuno Júdice //// Cama

Cama

 Podia ser uma cama aberta no horizonte
 e os teus cabelos num poente incendiado.
 Podia ser o teu sexo num cume de monte,
 e os teus seios despidos sobre este prado.
 A mão que esconde mais do que oferece,
 os olhos de presa dominando o caçador.
 E os teus lábios que murmuram a prece
 de quem só reza no instante do amor.
 E se falasse dos teus olhos, dos teus braços
 desse corpo em que me perco e te ganho,
 não mais acabaria o que tem de acabar;
 uma respiração de suspiros e de abraços
 neste canto em que és tudo o que eu tenho,
 nesta viagem em que não tem fundo o mar.

Nuno Júdice   

De Ricky



Um Mundo de Sonho/Um Sonho de Mundo
 Deslizo pelas rugas dos lençóis,
 O lume do dia
 Vem brincar sobre o teu corpo.
 Olho-te…Espero-te…
Saímos,
 Vulgos exploradores,
 Com vontade de descobrir recantos
 Torná-los nossos.
 Naquela loucura infantil
 Característica dos amantes.
 Conduzida por Ti, sorvo ruelas
 Vislumbro varandins a dourar ao sol
 Dirigimo-nos ao mar
 Sabes sempre,
 Adivinhas sempre, onde quero estar!
 Sol, areia e salpicos salgados.
 Envolto pelas lágrimas marinhas,
 Reflectes-te em mil pedaços,
 Cada qual com o seu brilho,
 A sua cor…
As minhas mãos procuram as tuas,
 Querem entrelaçá-las, guardá-las…
Hoje, tenho as tuas gargalhadas,
 Diluídas na brisa fresca que teima em brincar com os meus cabelos.
 Os raios de sol vêm,
 Suavemente,
 Despedir-se de nós….
Deslizo pelas rugas dos lençóis
 E, acordo d’um dia perfeito
 No sonho de uma noite.


 Ricky 

 


terça-feira, 29 de setembro de 2015

Ricardo - águialivre

AMOR IMAGINÁRIO...
 
 

 Amo-te numa caminhada pura, sem desdém
 Sentindo escuso meu entregue sentimento
 Como flor seca que se oferecida a alguém
 Esvoaça sem destino pelas ruelas do vento
 Pensar profundo no jornadear pela vivência
 Sendo o coração fino elixir de subtil alento
 São teus olhos o luar da minha existência
 Qual estrela de amor em meu pensamento
 Vivo esta ilusão em desamor de esperança
 Onde o renascer é folha seca que balança
 Pelos ancoradouros da minha fé esquecida
 Quero-te em sublime conflito do verbo sentir
 Por ti sinto doce carinho não consigo mentir
 Sabendo que nunca terei teu amor nesta vida
Ricardo- águialivre 



segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Edgardo Xavier


Nesta Noite
Tu és no vazio o meu desejo
 o corpo firme a pedra bruta
 a rubra lucidez astuta
 a língua de aço cortante
Para ti estou aqui e sou distante
 até que suba pela minha à tua boca
 até que te desça feroz a humanidade
 e te iguale na sede à liberdade
Nesta noite só tu és claridade.

Edgardo Xavier


 Publicado RDL, 2015
 Ilustração de Kenji-Yoshida. 



Edgardo Xavier

 Não fora o teu olhar a ditar-me o caminho
 e seria mais um na guerra dos sentidos.

Assim, bebo na tua boca a vida e
 aos teus silêncios amarro a minha sede.
 As tuas palavras são a lei do meu espírito
 e o teu corpo o meu campo de luxúria.

Contigo sinto azul em qualquer céu.



EDGARDO XAVIER
 XVIII


 in AZUL COMO O SILÊNCIO (Chiado Ed., 2014)   




domingo, 27 de setembro de 2015

Ricardo- águialivre //// Apetece-me.....


Apetece-me viajar por entre as raias do teu sonhar
.............





 Apetece-me viajar por entre as raias do teu sonhar
 Amanhecer deitado na nobreza do teu sentimento
 Serenamente absorver toda a doçura do teu olhar
 Fazer do teu carinho o elixir do meu pensamento
 .
 Apetece-me trilhar admirando secas folhas caídas
 Pelo abandono das pétalas da leviana melancolia
 Sentir no meu peito tuas lágrimas finas e sentidas
 Seres a luz do meu alento, feito brilho do meu dia
 .
 Apetece-me caminhar entre ventos e favos de mel
 Como a abelha adeja em jardim de aromada flor
 Sentir tua ternura esquecida de uma relação cruel
 E em silêncio, saber dizer-te: Amo-te meu amor

 .......
 
 
 
Publicada por Ricardo- águialivre 





sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Eduardo Baqueiro //// Teu corpo

Teu corpo
 
 
 Algo emana de teu corpo
 que me enfeitiça
 Um misto de doçura e paixão
 Aliado à malícia de teu olhar
 A tua voz meiga e suave
 chega até mim como braços
 me aquecendo do frio da solidão
 Teu cheiro natural me deixa inebriado
 Este teu jeitinho de menina peralta
 que faz meu coração bater
 descompassado
 Tua graça e teus dengos
 fazem de mim um menino carente
 de teu amor
 Vem menina,
 se encoste em meu ombro
 e deixa o tempo passar
 Deixa-me viajar no teu corpo,
 desvendar alguns mistérios
 que me enfeitiçam
 Quero esgotar toda carência
 que tenho de você
 Para depois começar tudo novamente
 Teu corpo é um universo
 onde eu descanso minha alma
 Nele eu sinto o azul do céu
 o brilho da lua e a brisa do mar
 Teu corpo é meu leito onde me deleito
 onde me perco para depois
 te reencontrar e novamente sonhar 

Eduardo Baqueiro 









Publicado por Maria

Sonhos por sonhar

Com o passar do tempo percebemos que há sonhos que deixamos de sonhar
 Sonhos que foram interrompidos para sonharmos outros sonhos
 As vezes é preciso mudar a direção do caminho, seguir outros rumos
 Sonhar novos sonhos...

 Publicado por  Maria  


quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Helena Guimarães //// Não sei.....




Não sei.
Não é dor o que sinto,
nem vazio,
nem desejo.
É a mágoa da perda
pela própria demissão
de abraçar o infinito.
A covardia de um rito.
É a incompreensão
da entrega
 num  beijo
que me prendeu a alma
me despertou
um soluço
e me orvalhou o olhar.
É não existir razão
de haver um sim
e um não.
É uma alma aberta
expressa em palavras
claras,
onde há lágrimas caladas
que me cobrem,
me fustigam,
me fazem sentir
mesquinha.
È preconceito,
é dilema,
é razão ou sentimento,
o querer e não querer
colher na vida o momento,
o sonho e a fantasia
que é minha.



H.G.    janeiro 2003


 NÃO SEI


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Herberto Helder

A carta da paixão
 
 


 Esta mão que escreve a ardente melancolia
 da idade
 é a mesma que se move entre as nascentes da cabeça,
 que à imagem do mundo aberta de têmpora
 a têmpora
 ateia a sumptuosidade do coração. A demência lavra
 a sua queimadura desde os recessos negros
 onde
 se formam
 as estações até ao cimo,
 nas sedas que se escoam com a largura
 fluvial
 da luz e a espuma, ou da noite e as nebulosas
 e o silêncio todo branco.
 ...
 É de ouro a paisagem que nasce : eu torço-a
 entre os braços. E há roupas vivas, o imóvel
 relâmpago das frutas. O incêndio atrás das noites corta
 pelo meio
 o abraço da nossa morte. Os fulcros das caras
 um pouco loucas
 engolfadas, entre as mãos sumptuosas.
 A doçura mata.
 A luz salta às golfadas.
 A terra é alta.
 Tu és o nó de sangue que me sufoca.
 Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões
 da madeira fria. És uma faca cravada na minha
 vida secreta. E como estrelas
 duplas,
 consanguíneas, luzimos de um para o outro
 nas trevas.


 (in Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa, por Eugénio de Andrade 
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 22 de setembro de 2015

João Eduardo /// Triunfante amor

Triunfante amor
 
 
Buscar-te nos meus braços.
 Contemplar a luz dos teus olhos,
 O brilho do teu sorriso, o brilho dos teus cabelos.
Sentir o sopro da tua vida a acariciar a minha pele.
 Ouvir o som da tua voz.
 Tocar os teus lábios quentes entreabertas.
Compartilhar o mel de um beijo, graças de um momento
 Penetrar na flor da tua boca, gozo único
 Volúpia dos deuses, triunfante amor, para sempre.


João Eduardo 






Judith Teixeira /// Ausência



AUSÊNCIA


 Meu amor, como eu sofro este tormento
 da tua ausência!... Ando magoada
 como a folha arrancada pelo vento
 ao carinhoso anseio da ramada...
Procuro desviar o pensamento...
 mas oiço ao longe a tua voz molhada
 em lágrimas, vibrando o sofrimento
 da nossa vida asim, tão separada!
Os meus beijos escutam os teus beijos
 exigentes - perdidos de saudade...
 crispando amargamente os meus desejos!
E dia a dia essa canção de dor,
 ritornelo sombrio de ansiedade,
 exalta ainda mais o meu amor!

 
Judith  Teixeira


 in «Poemas»,
 &etc, lisboa, 1996   


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

são reis

Já te quis tão desesperadamente
que quase implorei que me quisesses
Já te escrevi com o sangue da alma
e a transparência dos dedos
Já te toquei sem te ver
e já fiz amor contigo à distância
Já fiz do silêncio
o meu mais bravo e ruidoso sorriso
e tu nem deste conta!

Agora de ti
só quero as folhas desprendidas
das árvores
os barcos rumo a algum destino
longe da praia
Só quero as palavras
mesmo que não se te colem na pele
nem na lembrança
Agora de ti
só quero poemas
mesmo que os declame na névoa
e no escuro


são reis  


domingo, 20 de setembro de 2015

Laura Santos /// A Céu Aberto


A Céu Aberto



        Todo o vale a leste
                                                          foi ocultado por colinas
                                                          p'lo leve manto que me deste,
                                                          feito de vento e pedras finas.
                                                          Enquanto o espanto me pasmava
                                                          em perfume de alegria
                                                          a aragem despenteava
                                                          no meu rosto a franja do dia.
                                                          Do outeiro a norte
                                                          encomendei primeiro
                                                          um pouco de sorte...
                                                          Do prado a sul
                                                          o aroma verde do pinheiro.
                                                          Do lago dos meus olhos
                                                          um espelho de luz no monte
                                                          a céu aberto.
                                                          Subitamente
                                                          do vasto horizonte
                                                          todo o sal da beleza
                                                          se fez perto
                                                          num mar de sol
                                                          e azul turqueza.


Laura Santos  




......" E qualquer coisa acontece no mais alto dos céus/ qualquer coisa no fundo do meu coração/ mas não sei das trevas nem da luz/ Pois sem ti não há céu nem chão/..."......

sábado, 19 de setembro de 2015

Nuno Júdice ///////// Volto

Volto 
 
 

Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.

 Nuno Júdice
 
 
 

Edgardo Xavier. //// `A hora dos cardos


À Hora dos Cardos
 
 
Chegas ao meu corpo
 à hora agreste dos cardos
 e sobes em maré vermelha
 alucinada
 Ardo no teu fogo até que a sede se cale
 e o caminho se dilua na noite
 serena
Só depois dispo o tempo
 e a pele onde também te guardava
Persistes
 A memória não se mata
 nem se trava o coração


Edgardo Xavier.

 in " Corpo de Abrigo", Temas Originais, 2011
 Ilustração de Melanie.  



sexta-feira, 18 de setembro de 2015

são reis

E são segredos inconfessos
esses que me assolam
sempre que a chuva me molha
são verdades acalentadas
essas que sob rajadas...

me fustigam e me vergam
Mas são sobretudo as tuas saudades
essas que me fazem suportar tudo
ainda que sob mim desabe o mundo!


são reis

Mia Couto //// Para ti....



 
Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti
criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que falhei
o sabor do sempre
Para ti
dei voz, às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo
estava em nós
Nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos,
simplesmente porque
era noite
e não dormíamos.
Eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos,
vivendo de um só olhar
amando de uma só vida.



 Mia Couto - (poeta moçambicano)  



poesia de Carlos Gargallo

 poesia de Carlos Gargallo


Perdona, si sigo diciendo te amo                                              
Carlos Gargallo


Perdóname si sigo diciendo te amo: no hay ya manera de remediarlo.


Tú y yo, somos a imagen y semejanza del tiempo tras los cristales
donde mostramos  lejos de cualquier tristeza, el mayor de los anhelos.


Me canta el corazón como lo hace la savia al árbol florecido, me canta
porque llego a presentir el cendal de tu ternura, las manos en el pecho,
                                                                                                 tus labios en los míos.


En todo instante piensa que la verdad de mi destino
quiere navegar en la verdad de tus ojos,
y tu luz, tan honda, flor de flores, ángel de mi ser,
mariposa de ventura, tan hermosa como el cielo.


Perdona si sigo diciendo te amo.


Perdoa-me se sigo dizendo que te amo
 

Perdoe-me se sigo dizendo te amo: não há maneira de resolver isto.
 

Tu e eu somos a imagem e a semelhança do tempo atrás dos cristais
onde mostramos longe de qualquer tristeza, os maiores desejos.
 
 
 
 

Me canta o coração como o faz a seiva da árvore florescida, me canta
porque chego a  pressentir o manto de tua ternura, as mãos no peito,
                                                                                                  teus lábios nos meus.
 

Em todo instante pensa que a verdade do meu destino
quer navegar na verdade de teus olhos,
e tua luz, tão profunda, flor das flores, anjo do meu ser,
borboleta da felicidade, tão formosa quanto o céu.
 

Perdoe-me se sigo dizendo que te amo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Fernando Pessoa

A morte é a curva da estrada,
 Morrer é só não ser visto.
 Se escuto, eu te oiço a passada
 Existir como eu existo.
A terra é feita de céu.
 A mentira não tem ninho.
 Nunca ninguém se perdeu.
 Tudo é verdade e caminho.


 Fernando Pessoa

(in Cancioneiro )  



quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Uma poesia de Miriam Reyes

Si me lo pide...                                                            
Miriam Reyes

Si me lo pide me pongo en cuatro patas
en dos, en una
meneo la cola
doy vueltas
me hago la muerta
salto por una galleta
le lamo los pies.

Y es que me muero de gusto cuando me rasca panza arriba.

Soy la perra más perra
que jamás nadie haya abandonado.

Se me pede

Se me pede para me por nas quatro patas
em duas, em uma
abano a cauda
dou umas voltas
me finjo de morta
salto por um biscoito
e lambo seus pés.

E ainda morro de prazer quando me arranha de barriga acima

Sou a cadela mais que cadela
que ninguém jamais havia abandonado.

Um poema de Lulimar Macias



                                                                                                   


Lulimar Macias


Si lo ven por ahí, díganle que
le quiero volver a ver. Es facil
saber quién es, lleva um
pedacito de mí en sus ojos.




Se o veem por aí, digam-lhe que
o quero voltar a ver. É fácil
saber quem ele é, leva um
pedacinho de mim nos seus olhos.

Lulimar Macias  
 
 
 
 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Dora Ferreira da Silva /// Dá-me de beber...

Dá-me de beber …



“Dá-me de beber em tuas mãos
 uma nesga do céu
 sem coares as nuvens… que passam.
 Morde (se quiseres)
 a romã entre a rosa e o amanhã.
 Prisioneira de um mito
 liberta-me (se quiseres)
 na próxima primavera:
 puxa-me as verdes tranças
 arrebata-me do trono e de seu rei obscuro
 Leva-me (se quiseres) em teus braços
 para onde fores e seremos primavera.
 As primícias serão tuas:
 as mais belas campânulas
 tilintando ouro ao sol
 prata sob a lua.
 O que dizer do que seremos
 se mudamos a cada gesto?
 Dança pura.
 Dá-me de beber em tuas mãos
 uma nesga do céu
 sem coares as nuvens que passam.

Dora Ferreira da Silva  






Helena Guimarães ///// Manhâ de inverno


MANHÃ DE INVERNO



 

Escorrega a chuva nas gaivotas

que voam contra o vento,

o sol esquivo

desenha verde

no cinzento do mar.

 A espuma desnuda nos rochedos

 uma dança erótica de véus brancos e diáfanos.

Dança de manhã saciada!

Uma tristeza sem sentido

visita-me no sonho

de um futuro incompleto.

Mas o dia desagua aqui

na solidão de uma vida completa

das ausências

que vamos sepultando

na memória.



Helena Guimarães 


Isabel Carvalho De Sousa ( lua Diurna )

Lua Diurna
acende-se a magia
na cintura dos meus olhos
na orla branca do mar
onde te procuro ao entardecer
nessa linha ténue...

que o horizonte desenha
antes do anoitecer
acende-se a magia
na cintura da noite
num braçado de estrelas
perfumando os risos
acariciando os corpos
até ao amanhecer
acende-se a magia
na cintura das palavras
no doce engano que é
perseguir um sonho tecido
nas franjas da ilusão
tantas vezes adiado
e outras tantas consentido
acende-se a magia
na cintura dos teus olhos
emoldurando a noite e
os sonhos e os risos e
os corpos das estrelas
 
 
 
isabel sousa ( lua diurna )
 
 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

La Traviata - Plácido Domingo, Luciano Pavarotti & José Carreras


Clique no endereço :   https://youtu.be/kFsI-czkebc?list=RDHqmF-B2-3NA

O' Sole Mio - Carreras - Domingo - Pavarotti - Los Angeles 1994... Emozionare Scherzando...

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https://youtu.be/HqmF-B2-3NA?list=RDHqmF-B2-3NA

Gastão Cruz //// Explicação


Explicação 



Gostava de explicar-te e de poder
eu próprio compreender
por que momentos houve em que perder-te
era metal fundente como o que disse um poeta
entre nós e as palavras existir
 Eu seria as palavras tu os corpos
fundentes de nós dois, pela separação
futura liquefeitos
Era de cada vez como se a vida
também fundisse e o seu metal escorresse
sobre a pele da perda talvez isso
explicasse como o chumbo
da ilusão derrete e nos liberta
até desse momento em que tememos
nada mais ter
 Mas como poderia
eu amar-te e achar-te já de mais
sentir estando tu tão perto ainda
a onda
da ausência contornar-me
 O céu em certos dias produzia
o efeito de um espelho em que voltávamos
inversos
ao verão que tu julgaras
então igual à vida e era apenas
a infância perdida sobre o mar

 Gastão Cruz
 
 

Vieira da Silva /// Para lá da solidão




 Para lá da solidão
 que eu inventei
 e vesti
outro cais se desenhava
 na névoa dum novo dia
e tu vieste
 e embarquei
e só então descobri
 que antes de ti
 não vivia
 

 Vieira da Silva 



sábado, 12 de setembro de 2015

Ary dos Santos ///// Namorados da cidade






Namorados da Cidade


 Namorados de Lisboa
 à beira-Tejo assentados
 a dormir na Madragoa.
 Namorados de Lisboa
 num mirante deslumbrados
 à beira-verde acordados
 namorados de Lisboa!
Ao domingo uma cerveja
 uma pevide salgada
 uma boca que se beija
 e que nos sabe a cereja
 a miséria adocicada
 à beira-parque plantada:
 namorados de Lisboa!
Sempre sempre apaixonados
 mesmo que a tristeza doa
 namorados de Lisboa!
Namorados de Lisboa
 na cadeira de um cinema
 onde as mãos andam à toa
 à procura de um poema.
 Namorados de Lisboa
 que o mistério não desvenda
 até que o escuro se acenda.
Namorados de Lisboa
 a apertar num vão de escada
 o prazer que nos magoa
 e depois não sabe a nada.
 Namorados de Lisboa
 a morar num vão de escada
 namorados de Lisboa!
Sempre sempre apaixonados
 Mesmo que a tristeza doa
 namorados de Lisboa!


 José Carlos Ary dos Santos 





sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Ana Luísa Amaral ///// Reflexos


REFLEXOS



 Olho-te pelo reflexo
 Do vidro
 E o coração da noite
 
E o meu desejo de ti
 São lágrimas por dentro,
 Tão doídas e fundas
 Que se não fosse:
 
o tempo de viver;
 e a gente em social desencontrado;
 e se tivesse a força;
 e a janela ao meu lado
 fosse alta e oportuna,
 
invadia de amor o teu reflexo
 e em estilhaços de vidro
 mergulhava em ti.


 Ana Luísa Amaral

 In «Anos 90 e Agora»,
Quasi Edições 






Gabriel Patiño Gómez //// Testimónio

Uma poesia de Gabriel Patiño Gómez 


Testimonio                                                                        


Gabriel Patiño Gómez


És tu cabello la noche más oscura
tu silueta tallo de palmera,
tu sonrisa es la dulzura,
y tu piel es florida primavera.


Es tu mirada luz de amanhecer,
La desnudez de tu cuerpo es paisaje,
tus brazos, cálido remanso en mi atardecer
y, tus manos, mariposas soltando mi roupaje.


Tus besos son testimonio de mi historia,
la de hoy, la de mañana, la de ayer,
evidencia infinita de ésta gloria,
pero tu nombre un eco es..., desbordado
                                                  en mi memoria.


Testemunho


São teus cabelos a noite mais escura
tua silhueta o talo de palmeira,
Teu sorriso é a doçura,
e tua pele é a florida primavera.


O teu olhar, a luz do amanhecer,
A nudez de teu corpo é a paisagem,
teus braços, cálido remanso em meu entardecer
e, tuas mãos, borboletas que me liberam a roupagem.


Teus beijos são testemunha da minha história,
a de hoje, a de amanhã, a de ontem,
evidência infinita desta glória,
porém,  o teu nome um eco é ...transbordado                                                  
                                                          da minha memória.

Gabriel Patiño Gómez   


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

GUILHERME DE FARIA //// Maria

MARIA


 Todo o passado, para mim, é morto,
 E, no futuro, há só esperança infinda
 Que eu sinto n'alma quando lembro, absorto,
 essa mulher divinamente linda.
Queria viver, nas sombras de algum horto,
 Longe do Mundo, o sonho que não finda!
 Viver com ela, viver nela, e absorto,
 Morrer com ela, enamorado ainda!
Que a vida, sem amor, é desventura;
 E, se a não vejo, eu vejo fatalmente,
 Em toda a parte, a dor que me tortura.
Ah, mas se a vida é o seu amor somente,
 Porque sinto, meu deus, esta amargura
 De a não poder amar eternamente?

GUILHERME DE FARIA

 in «Os Dias do Amor», por Inês Ramos,
 Ver Ref.s em Livros de Apoio 




quarta-feira, 9 de setembro de 2015

helena guimaraes //// Percorro

Percorro este caminho
tentando comungar a paisagem,
fugir da tua imagem
que me dilacerou  a alma.
O tempo passou.
e esvazio-me de ti,
Não encontro o que senti.
Regressou  a mim a calma,
a interioridade,
a vontade de pensar
com o vazio da alma
e a incapacidade
de amar.
Curo as feridas.
Enterrei as imagens queridas,
cobri os teus
com outros doces carinhos,
aceitei outros amores,
suavizei minhas dores
                                          deixando-me vogar no tempo,
colhendo em cada momento
o que a vida me dispensa,
com, ou sem sentimento.

helena guimaraes
junho 2003  

 PERCORRO



terça-feira, 8 de setembro de 2015

Maria do Rosário Pedreira //// Romance

Romance



    
Num romance, uma chávena é apenas
uma chávena - que pode derramar
café sobre um poema, se o poeta,
bem entendido, for a personagem. 
Num poema, mesmo manchado
de café, a chávena é certamente a
concha de uma mão - por onde eu
bebo o mundo, em maravilha, se tu,
bem entendido, fores o poeta. 
No nosso romance, não sou sempre eu
quem leva as chávenas para a mesa
a que nos sentamos à noite, de mãos
dadas, a dizer que a lata do café chegou
ao fim, mas a pensar que a vida é
que já vai bastante adiantada para os
livros todos que ainda pensamos ler. 
No meu poema, não precisamos de café
para nos mantermos acordados: a minha
boca está sempre na concha da tua mão,
todos os dias há páginas nos teus olhos, 
escreve-se a vida sem nunca envelhecermos.



Maria Rosário Pedreira