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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Maria do Rosário Pedreira //// Romance

Romance



    
Num romance, uma chávena é apenas
uma chávena - que pode derramar
café sobre um poema, se o poeta,
bem entendido, for a personagem. 
Num poema, mesmo manchado
de café, a chávena é certamente a
concha de uma mão - por onde eu
bebo o mundo, em maravilha, se tu,
bem entendido, fores o poeta. 
No nosso romance, não sou sempre eu
quem leva as chávenas para a mesa
a que nos sentamos à noite, de mãos
dadas, a dizer que a lata do café chegou
ao fim, mas a pensar que a vida é
que já vai bastante adiantada para os
livros todos que ainda pensamos ler. 
No meu poema, não precisamos de café
para nos mantermos acordados: a minha
boca está sempre na concha da tua mão,
todos os dias há páginas nos teus olhos, 
escreve-se a vida sem nunca envelhecermos.



Maria Rosário Pedreira 
 
 

1 comentário:

fatima maria disse...

Num poema, mesmo manchado
de café, a chávena é certamente a
concha de uma mão - por onde eu
bebo o mundo, em maravilha, se tu,
bem entendido, fores o poeta.

bjinhos.............