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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Cesário Verde



Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.


Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.


Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão de ló molhado em malvasia.


Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas.



 Cesário Verde





3 comentários:

Sattine Rouge disse...

Conde...

Que lindo poema e a imagem é belíssima, eu vim especialmente roubá-la. *rs

Beijocas!

Rosa Purpura disse...



D.Juan!!!

Há muito que não lia Cesário Verde!!!

Lindo Poema!!

Belíssima escolha!!!

Linda Fotoeespetacular interpretação de Valentina Lisitsa

beijo grande

Sattine Rouge disse...

Conde,
obrigada pela gentileza de sempre, faço das tuas as minhas palavras, sinta-se em casa. Bem Vindo sempre...
Também aprecio a imagem da cereja entre os seios, um convite. *rs
Se desejar roubar alguma coisinha no meu espaço... será um prazer, pode levar! *rs
Eu andei um pouco ausente do Mundo dos Blogueiros, mas estou voltando aos poucos.

Beijocas!