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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Maria do Rosario Pedreira

Não partas já. Fica até onde a noite se dobra
 para o lado da cama e o silêncio recorta
 as margens do tempo. É aí que os livros
 começam devagar e as cores nos cegam
 e as mãos fazem de norte na viagem. Parte apenas
 quando amanhã se ferir nos espelhos do quarto
 em estilhaços de luz; e um feixe de poeiras
 rasgar as janelas como uma ave desabrida.
 Alguém murmurará então o teu nome, vagamente,
 como a gastar os dedos na derradeira página.
 E então, sim, parte, para que outra história se
 invente mais tarde, quando os pássaros gritarem
 à primeira lua e os gatos se deitarem sobre
 o muro, de olhos acesos, fingindo que perguntam.



Maria do Rosário Pedreira    





2 comentários:

fatima maria disse...

Parte apenas
quando amanhã se ferir nos espelhos do quarto
em estilhaços de luz; e um feixe de poeiras
rasgar as janelas como uma ave desabrida.

muito lindo,bjinho Conde

Liza Leal disse...

Lindo post!

matando as saudades daqui.

bjo de luz
L!za