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domingo, 4 de outubro de 2015

Florbela Espanca

Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,
 Dizendo coisas que ninguém entende!
 Da tua cantilena se desprende
 Um sonho de magia e de pecados.
 Dos teus pálidos dedos delicados
 Uma alada canção palpita e ascende,
 Frases que a nossa boca não aprende
 Murmúrios por caminhos desolados.
 Pelo meu rosto branco, sempre frio,
 Fazes passar o lúgubre arrepio
 Das sensações estranhas, dolorosas...
 Talvez um dia entenda o teu mistério...
 Quando, inerte, na paz do cemitério,
 O meu corpo matar a fome às rosas!


 Florbela Espanca  


1 comentário:

fatima maria disse...

Há momentos que gosto da chuva!!!!!!

Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,
Dizendo coisas que ninguém entende!
Da tua cantilena se desprende
Um sonho de magia e de pecados.
Dos teus pálidos dedos delicados
Uma alada canção palpita e ascende,
Frases que a nossa boca não aprende

Bjinhos Conde...