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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Mia Couto //// Poema da despedida


...

Não saberei nunca
 dizer adeus

Afinal,
só os mortos sabem morrer

Resta ainda tudo,
 só nós não podemos ser

Talvez o amor,
 neste tempo,
 seja ainda cedo

Não é este sossego
 que eu queria,
 este exílio de tudo,
 esta solidão de todos

Agora
não resta de mim
 o que seja meu
 e quando tento
 o magro invento de um sonho
 todo o inferno me vem à boca

Nenhuma palavra
 alcança o mundo, eu sei
 Ainda assim,
 escrevo.


Mia Couto 





 

1 comentário:

fatima maria disse...

Lindissimooooooooo.

bj.