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domingo, 19 de julho de 2015

António Amaral //// “Poeta”


“Poeta”


 “Poeta” não sou,
 Escrevo com uma pena torta,
 Palavras que não consigo ler.
 O que alinho, cada letra,
 Nasce dentro dos olhos,
 Diluída pelas chuvas ácidas
 De desilusões, injustiças,
 Fantasmas, medos, sonhos
 Misturados em mágoas,
 Gotas de amor, de paixão,
 Ódios e uma raiva enorme
 Perante a impotência diária
 De nada conseguir mudar,
 Mesmo que lute, mesmo que invista,
 Mesmo que morra.

 Quando escrevo, é como se
 Água corresse, arrastando todo o lixo,
 Limpando tudo…
 Mas depois se releio, magoa,
 Fere, e o sabor que fica na boca
 É amargo, como se veneno fosse,
 E os olhos não resistem,
 O soluço solta-se.
 Gostava de escrever sussurros
 E não gritos,
 Murmúrios de ribeiro
 E não o barulho das cataratas,
 O sopro leve da brisa
 E não o uivo do furação enraivecido.
 Como vou conseguir
 Amar assim?
 Talvez no dia em que conseguir
 Ser “Poeta”.

 António Amaral  





1 comentário:

fatima maria disse...

Gostava de escrever sussurros
E não gritos,
Murmúrios de ribeiro
E não o barulho das cataratas,
O sopro leve da brisa
E não o uivo do furação enraivecido.
Como vou conseguir
Amar assim?
Talvez no dia em que conseguir
Ser “Poeta”.

bjinhosssss....