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sexta-feira, 24 de julho de 2015

Helena Guimarães /// Pediste-me um dia um poema


Pediste-me um dia um poema



 Pediste-me um dia um poema,
 poema que fosse teu.
 Como ave delicada
 que agoniza quando presa,
 o poema nasce na alma,
 movimenta-nos o sangue
 com a força do desejo,
 humedece-nos os lábios
 com a ternura de um beijo,
 dança na bainhas dos versos,
 plana nas asas da calma,
 amordaçado, ele morre
 se soletrado fenece.
 Poema não compreendido
 torna-se vago, emudece.
 Procurei o teu poema
 no abraço da entrega,
 nas pegadas paralelas
 de mãos dadas junto ao mar,
 na cumplicidade da noite,
 na comunhão de um olhar.
 Só descobri versos vagos
 dançando ao som do medo,
 abandonos calculados,
 a reserva e o segredo.
 Pediste-me um dia um poema,
 poema que fosse teu.
 Mas nesses versos dispersos,
 o poema se perdeu.
 Não consegui e foi pena.
 Poema não construído
 torna-se num não-poema!

 HELENA GUIMARÃES    



 



1 comentário:

fatima maria disse...

Lindissimo como sempre.


Procurei o teu poema
no abraço da entrega,
nas pegadas paralelas
de mãos dadas junto ao mar,
na cumplicidade da noite,
na comunhão de um olhar.

bjinho.