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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Joaquim Pessoa in Guardar o Fogo.


Guiam-me as estrelas dos teus olhos, luzes
que acordam a noite e o céu e onde reconheço
o meu olhar, a minha pele, o meu desejo


POEMA QUADRAGÉSIMO QUINTO

Salvo o meu amor, todo o amor,
como se morresse amanhã. Aprendi com as mãos
a fazer uma canção para esse amor, poema que
respeita o orgulho da música e já teve morada
nas planícies do peito. Canção para sonhar-te, sim,
também para viver-te, para alimentar as raízes do
teu corpo, enterrando nele a funda fome de infinito,
morrendo de viver, vivendo
o meu amor até à morte.

Faço as orações do fogo,
orações de eternidade, orações do amor.
Guiam-me as estrelas dos teus olhos, luzes
que acordam a noite e o céu e onde reconheço
o meu olhar, a minha pele, o meu desejo.
Vivo mastigando pétalas vermelhas em teu sangue
para dar voz ao silêncio do mar, e abraço
o embaraço que confunde as estrelas
com os ossos azuis do meu futuro.



Joaquim Pessoa in Guardar o Fogo.


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