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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Nuno Júdice







Photo: Imogen Cunningham 























Nua, encosta-se ao que pode ser uma parede 
de pano, com erupções líquidas, uma doçura 
de musgo, e a cor branca da primavera. 
A mão, displicente, apoia-se na anca, numa 
impaciência que transparece nos cabelos 
soltos de uma noite de amor. A outra 
mão, porém, segura um lírio sobre o seio; 
e o olhar desce na sua direcção, como 
se quisesse saborear o gesto em que uma 
falsa timidez se manifesta. Há quanto 
tempo está ali? Quem a deixou entregue 
ao abandono da sua sombra? 
No entanto, com um sorriso irónico, 
convida-nos a entrar; e talvez 
nos diga o que espera ainda, enquanto 
o tempo passa pelo rio do seu corpo. 


Nuno Júdice

2 comentários:

Fatima maria disse...

No entanto, com um sorriso irónico,
convida-nos a entrar; e talvez
nos diga o que espera ainda, enquanto o tempo passa pelo rio do seu corpo.

beijinhooo.

mariferrot disse...

Nuno Júdice num jogo de palavras onde tudo é perfeito mas só tempo espera !!!... Bj Conde