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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Hamilton Ramos Afonso





    Escasso tempo

    ...
    Sabes que não meço a intensidade dos sentimentos pelo tempo 
    que nos demos um ao outro,
    porque habituei-me a fazer tudo de forma serena, 
    sem pressas ,
    porque a sofreguidão dá mau resultado,
    nada sai bem feito, 
    com a mente a girar ao som do tica tac do relógio…


    Por isso não me perguntes quantos dias ,
    quantos anoiteceres , passamos juntos,
    nos amamos , com intensidade aproveitando o tempo , 
    porque o afecto não se contabiliza,
    não tem essa ditadura do passar das horas, 
    do esgotar dos dias,
    porque o afecto devia ser eterno…


    Feito um esforço , 
    se calhar não pasoou de umas dezenas, 
    escassas, de dias e de ocasiões ,
    em que esse tempo valeu 
    como um grande e longo amor…


    O tempo , 
    esse escoar do tempo entre a tua chegada
    e a tua partida, nunca me incomodou,
    porque tinha a consciência que teria de ser assim ,
    aceitei essa circunstância 
    como uma inevitabilidade.


    O que eu não contava e foi isso que matou o amor,
    foram as dúvidas, 
    as crises de ciúme pelo que vias escrito nas críticas e comentários
    ao meu trabalho ao publicado, 
    de quem lia as palavras ardentes de amor e paixão
    que me inspiraste…
    …as palavras que tu tinhas noção que me saíram a fogo 
    depois daquelas dezenas de instantes
    em que demos largas ao amor…

    O que fica ?

    Em ti não sei, 
    em mim aquelas dezenas de instantes 
    que marquei a fogo,
    valeram-me por uma vida inteira de amor…

    Hamilton Ramos Afonso
    Arte: Jane Ansell






1 comentário:

fatima maria disse...

O que fica ?

Em ti não sei,
em mim aquelas dezenas de instantes
que marquei a fogo,
valeram-me por uma vida inteira de amor…

bjinhossssss..