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domingo, 17 de janeiro de 2016

Eugenio de Andrade

Sei agora como nasceu a alegria,
 como nasce o vento entre barcos de papel,
 como nasce a água ou o amor
 quando a juventude não é uma lágrima.
É primeiro só um rumor de espuma
 à roda do corpo que desperta,
 sílaba espessa, beijo acumulado,
 amanhecer de pássaros no sangue.
É subitamente um grito,
 um grito apertado nos dentes,
 galope de cavalos num horizonte
 onde o mar é diurno e sem palavras.
Falei de tudo quanto amei.
 De coisas que te dou para que tu as ames comigo:
 a juventude, o vento e as areias.


Eugénio de Andrade    





1 comentário:

fatima maria disse...

Que maravilha....

Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias.

beijinho D. Juan