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domingo, 6 de abril de 2014

Laura Santos //// Pirilampo



Ingrid Tusell


Minha alma vagueia lá tão alto,
suspensa e atrevidamente curiosa
como se enleante perfume de jasmim
só pudesse ser encontrado fora de mim.
Meus braços alcançam já o infinito
e não existe breve tristeza nesta hora,
apenas etérea paz de silêncio e grito
onde tudo o que não tarda se demora.
Som de harpas descem do firmamento
ao vale fundo que adormece de mansinho,
todo o céu transborda encantamento
de sal, mosto, frutos, água, doce vinho
ao escutar a tua voz por um momento.
Um sonho galopa ao longe no horizonte
na margem de um regato fugidio
e toda a luz se solta sem surpresa,
de forma harmoniosa e sem aviso...
Um pássaro atravessa espaços de beleza
desvendando neles a cor do teu sorriso.
Não sinto sede, sono, frio ou fome
porque uma presença em mim habita
feita de claridade e do teu nome,
e me alimenta se a tua ausência me visita.
Pelas escarpas se debruça quente a tarde
e sombras contornam o caminho estreito...
Um vibrante sol intenso ainda arde
quando na noite um pirilampo
se incendeia no meu peito.
 
Laura Santos

1 comentário:

Fatima Pereira disse...

Um pássaro atravessa espaços de beleza
desvendando neles a cor do teu sorriso.
Não sinto sede, sono, frio ou fome
porque uma presença em mim habita
feita de claridade e do teu nome,
e me alimenta se a tua ausência me visita.

Tantas verdades!!!!!!!!bjinho