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sexta-feira, 24 de março de 2017

Pablo Neruda








Se tu me esqueces


Quero que saibas uma coisa. 
Tu já sabes o que é: 
Se olho a lua de cristal, 
o ramo rubro do lento outono 
em minha janela, 
se toco junto ao fogo 
a implacável cinza ou 
o enrugado corpo da madeira, 
tudo me leva a ti, 
como se tudo o que existe, 
aromas, luz , metais, 
fossem pequenos barcos 
que navegam para estas tuas ilhas 
que me aguardam. 
Pois, ora, se pouco a pouco 
deixas de me amar, de te amar, pouco a pouco, deixarei. 
Se de repente me esqueces, não me procures, 
já te esqueci também. 
Se consideras longe e louco 
o vento de bandeiras que canta minha vida 
e te decides a me deixar na margem do coração 
no qual tenho raízes, pensa que nesse dia
a essa hora levantarei os braços 
me nascerão raízes procurando outra terra. 
Porém, se cada dia,
cada hora, sentes que a mim estás destinada com doçura implacável,
se cada dia se ergue uma flor 
a teus lábios me buscando, 
ai, amor meu, ai minha, 
em mim todo esse fogo se repete, 
em mim nada se apaga 
nem se esquece, do teu amor, amada,
o meu se nutre, 
e enquanto vivas estará em teus braços 
e sem sair  


Pablo Neruda   

Foto de Antonio Maria.


1 comentário:

fatima maria disse...

Se consideras longe e louco
o vento de bandeiras que canta minha vida
e te decides a me deixar na margem do coração
no qual tenho raízes, pensa que nesse dia
a essa hora levantarei os braços
me nascerão raízes procurando outra terra.

Ausente,mas sem esquecer um grande amigo...bjinhos

vou roubilhar...