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sexta-feira, 12 de junho de 2015

Florbela Espanca

Batizada com o nome de Flor Bela Lobo, esta poetisa portuguesa, mais conhecida por Florbela Espanca, nasceu em Vila Viçosa, no Alentejo, em 8 de dezembro de 1894 e morreu no dia 8 de dezembro de 1930, em Matosinhos, com apenas 36 anos de idade.
 

 
Nasceu filha ilegítima de João Maria Espanca e de Antónia Conceição Lobo, criada de servir (como se dizia na época), e morreu precocemente aos 36 anos de idade, "de uma doença que ninguém entendeu", mas que veio designada na certidão de óbito como nevrose. Registada como filha de pai incógnito, foi todavia educada pelo pai e pela madrasta, Mariana Espanca, em Vila Viçosa, tal como o seu irmão de sangue, Apeles Espanca, nascido em 1897 e registado da mesma maneira.
 


Note-se, como curiosidade, que o pai, que sempre a acompanhou, só 19 anos após a morte da poetisa, por altura da inauguração do seu busto em Évora, e por insistência de um grupo de florbelianos, a perfilhou.
 


Florbela estudou no liceu de Évora, mas só depois do seu casamento (1913) com Alberto Moutinho concluíu, em 1917, a secção de Letras do Curso dos Liceus. Em Outubro desse mesmo ano matriculou-se na faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que passou a frequentar. Na capital, contactou com outros poetas da época e com o grupo de mulheres escritoras que, à altura, procurava impor-se. Colaborou em jornais e revistas, entre as quais o Portugal Feminino.
 

 
Em 1919, quando frequentava o terceiro ano de Direito, publicou a sua primeira obra poética, Livro de Mágoas. Em 1921 divorciou-de de Alberto Moutinho, de quem vivia separada há alguns anos, e voltou a casar, no Porto, com o oficial de artilharia António Guimarães. O seu pai também se divorciou nesse ano, para casar, no ano seguinte, com Henriqueta Almeida. Em 1923, publicou o Livro de Soror Saudade. E em 1925 Florbela casou-se pela terceira vez, com o médico Mário Laje, em Matosinhos.
 


Os casamentos falhados, assim como as desilusões amorosas, em geral, assim como a morte do irmão, Apeles Espanca (a quem Florbela estava ligada por fortes laços afetivos), num acidente com o avião que tripulava sobre o rio Tejo, em 1927, marcaram profundamente a sua vida e a sua obra. Em dezembro de 1930, agravados os  seus problemas de saúde, sobretudo do foro psicológico, Florbela Espanca faleceu em Matosinhos, e após duas tentativas frustradas de suicídio. Na altura foi oficialmente apresentada como causa da morte, um "edema pulmonar".
 


A poetisa faleceu no dia do seu 36.º aniversário, na realidade após a ingestão de uma exagerada dose de barbitúricos. Na carta que deixou com as suas últimas disposições, Florbela deixou o pedido de colocar, no seu caixão, os restos do avião pilotado por seu irmão Apeles, na hora do acidente que o vitimou.
 

 
Florbela Espanca jaz, desde 17 de maio de 1964, no cemitério de Vila Viçosa, sua terra natal.
 


Postumamente foram publicadas as obras Charneca em Flor (1930), Cartas de Florbela Espanca, por Guido

Battelli (1930), Juvenília (1930), As Marcas do Destino (1931,contos), Cartas de Florbela Espanca, por Azinhal Botelho e José Emídio Amaro (1949) e Diário do Último Ano Seguido de Um Poema sem Título, com prefácio de Natália Correia (1981). O livro de contos Dominó Preto ou Dominó Negro, várias vezes anunciado (1931, 1967), seria publicado em 1982).



A poesia de Florbela Espanca caracteriza-se pela recorrência dos temas do sofrimento, da solidão, do desencanto, aliados a uma imensa ternura e a um desejo de felicidade e plenitude que só poderão ser alcançados no absoluto, no infinito. A veemência passional da sua linguagem, marcadamente pessoal, centrada nas suas próprias frustrações e anseios, é de um sensualismo muitas vezes erótico. Simultaneamente, a paisagem da charneca alentejana está presente em muitas das suas imagens e poemas, transbordando a convulsão interior da poetisa para a natureza.
 


Florbela Espanca não se ligou claramente a qualquer movimento literário. Está mais perto do neo-romantismo e de certos poetas de fim de século, portugueses e estrangeiros, que da revolução dos modernistas, a que foi alheia. Pelo carácter confessional, sentimental, da sua poesia, segue a linha de António Nobre, facto reconhecido pela própria poetisa. Por outro lado, a técnica do soneto, que a celebrizou, é, sobretudo, influência de Antero de Quental e, mais longinquamente, de Camões.
 


Poetisa de excessos, cultivou exacerbadamente a paixão, com voz marcadamente feminina,em que alguns críticos encontram dom joanismo no feminino. A sua poesia, mesmo pecando por vezes por algum convencionalismo, suscita o interesse e atenção contínuos de leitores e investigadores.
 


É tida como a grande figura feminina das primeiras décadas da literatura portuguesa do século XX.






"Amo-te!" Cinco
letras pequeninas,

Um poema de amor e felicidade!
Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então...brandas...serenas...
Cinco pétalas roxas de saudade...






1 comentário:

fatima maria disse...


"Amo-te!" Cinco
letras pequeninas,
Um poema de amor e felicidade!
Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então...brandas...serenas...
Cinco pétalas roxas de saudade...

Bj. meu amiguinho de cora~çao