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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Antónia Pozzi ///// Leve oferta


MAIS UM.......

Queria que a minha alma te fosse
ligeira
como as últimas folhas
dos choupos, que se incendeiam ao sol
sobre os ramos envoltos
de névoa –
Queria guiar-te com as minhas palavras
por uma alameda deserta, semeada
de ténues sombras –
até um vale de silêncio coberto de erva,
até ao lago –
onde vibra a cada sopro de ar
o canavial
e as libélulas brincam
em águas profundas –
Queria que a minha alma te fosse
ligeira,
que a minha poesia te fosse uma ponte,
subtil e segura,
branca –
sobre a escura voragem
da terra.

Antónia Pozzi, "Morte de uma estação" (tradução de Inês Dias)
Leopoldo Pomés


1 comentário:

fatima maria disse...

Queria guiar-te com as minhas palavras
por uma alameda deserta, semeada
de ténues sombras –
até um vale de silêncio coberto de erva,
até ao lago –
onde vibra a cada sopro de ar
o canavial
e as libélulas brincam
em águas profundas

bjinho,gosteiii.