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quarta-feira, 8 de maio de 2013

DORA GURFINKEL & LÍLIA TAVARES TRAVESSURA-I



Um dia tentei como criança uma travessura:
Atravessei a minha vida e, como ave,
como vento, varri com a memória
e passei, como pela primeira vez e só
para o outro passeio da rua.
Reconheci-me.
Era eu, num barco feito de asas,
qual imagem nova e nua.
Reconheci-te.
Eras tu, tripulante, marinheiro,
concha côncava que me recebias
como pérola a desvendar.
Numa noite de pequenas ondas
em que o mar beijava os nossos lábios,
senti-me perto, aconchegada e plena,
quase anémona, quase coral,
Sou demoradamente tua!



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