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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Nuno Júdice

Ao ouvir as suites inglesas de bach, a humidade
 dos campos envolve-me, com uma névoa de rios
 e uma auréola de margens. Esta música puxa-me,
 pelas suas mãos de som, para o ritmo que o poema
 devia encontrar no limite dos teus cabelos; e tu,
 contra o portão, nesse contra-luz que te incendeia
 o vermelho da túnica sobre o fundo branco dos
 muros, roubas ao cravo o seu sorriso profano,
 plantando nas suas teclas um desejo que o jardim
 do teu corpo fará florescer. Assim, vens até mim
 pelos degraus deste ritmo que bach inventou,
 para descrever não se sabe que dança, movimento
 de saias com o vento, baloiço vago que se evola
 de uma entrega evanescente, num canto de arbusto,
 até ao silêncio branco com que o amor se fecha.



Nuno Júdice    



Clique no endereço abaixo :
https://youtu.be/REu2BcnlD34

1 comentário:

fatima maria disse...

Muit lindo,como sempre...beijokinhas