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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

David Mourão-Ferreira //// Despojados.....

Despojados...
Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.
Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos. despojados, mas entremos.
Das mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.

David Mourão-Ferreira 


Há noites que são feitas dos meus braços  e um silêncio comum às violetas  e há sete luas que são sete traços  de sete noites que nunca foram feitas    Há noites que levamos à cintura  como um cinto de grandes borboletas.  E um risco a sangue na nossa carne escura  duma espada à bainha de um cometa.    Há noites que nos deixam para trás  enrolados no nosso desencanto  e cisnes brancos que só são iguais  à mais longínqua onda de seu canto.    Há noites que nos levam para onde  o fantasma de nós fica mais perto:  e é sempre a nossa voz que nos responde  e só o nosso nome estava certo.    Natália Correia

1 comentário:

fatima maria disse...

Das mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.

Há!!!!!!faz falta musica,neste blog.

bj........