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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Antonio Ramos Rosa

rosto...
Vejo o teu rosto quotidiano 
como se a penumbra 
tivesse olhos 
ou como se as raízes pudessem ver 
através da sombra 

Estou no húmus da casa 
no húmus do silêncio 
e vejo através das vértebras 
de uma luz subterrânea 
o teu rosto de terra 

Há sempre muros e muros 
e o nevoeiro dos dias 
mas tu és a chama 
sobre a mesa posta 

Vem a noite e as serpentes 
envolvem as lâmpadas 
e reduzem o espaço 
Cada um procura 
na palma das mãos 
os grãos verdes do mar 

O monstro vago da noite 
desfoca o nosso olhar 
e os joelhos vacilam 
O teu rosto persiste 
como se o teu torso fosse 
o tronco de uma árvore



António Ramos Rosa   
 
 
 
 

1 comentário:

fatima maria disse...

O teu rosto persiste
como se o teu torso fosse
o tronco de uma árvore

Claro que nunca esqueci o teu rosto...

bjinho.