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quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Nuno Júdice






Photo: Chris Maher



































Nas suas saliências, o rebordo
do corpo que a mão desenha num sábio
exercício de linhas, de ângulos, de lentos
círculos que o compasso ignora,
entregue ao acaso dos dedos que
o fazem rodar, apodera-se das palavras
que descrevem o momento em que
a língua captura, num movimento de lábios,
o busto que gira como esfera sobre
os seus pólos, apoiado no centro
de onde se avistam, como hemisférios
que procuram o seu eixo, os seios
que assentam na pura superfície do branco,
e aí pousam o seu volume, imóveis,
fictícias esferas que a mão contém
quando as desenha.



Nuno Júdice

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