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sábado, 12 de agosto de 2017

Laura Santos




Ilusão
Sou mente tola que tudo inventa.
Porque não admito que o sol te aqueça
sem a minha presença.
Ou que a chuva te molhe
e acaricie sem pedir-me licença.
Que o sorriso que em mim se apresenta
fique triste quando te olhe.
Para ti desejei livres espaços
ocupados por árvores e por brisas,
corropio de amor, breves cansaços,
musgo verde, chão de pétalas de rosas
em movimento que tu pisas.
Criei nos teus ombros altas pontes
e nas tuas mãos abri sem querer
pequenos lagos, doces frescas fontes.
No teu olhar imaginei um pedaço de céu
que depressa de mim desapareceu.
Mas nunca verdadeiramente te perdi.
De coisa nenhuma nunca algo nasceu.
Poderia dizer-te da tristeza sem idade,
falar-te desta angústia. Da fatalidade 
desta tremenda estupidez....
Nada daria a medida das minhas penas,
do peso dos dias e das noites,
da alegria e contentamento que não se fez,
da beleza de todas as coisas pequenas.
Dos extensos, duradouros desertos
de sonhos adormecidos e despertos.
Deste exílio permanente em lugar nenhum.
Uma saudade de histórias não contadas;
apenas fantasia intensa sem maravilha...
Ilusões de óptica, escuras fundas estradas
como se fosses apenas uma ilha.
Não existe já um lamento ou um quebranto.
Apenas uma ausência que me atravessa,
uma lança que me trespassa, um triste canto.
Não existe já uma atrevida promessa.
Nem mágoa contida, nem devassa.
Apenas foste embora para a tua colina.
O teu e o meu tempo depressa passa
sabes do tesouro que existe no fundo da mina. 
Mas, em ti persisto sem que esteja.


Laura Santos

Ana Moura, A Case of You



,,,,,,,,,,,,,Da autora , Como diria Oscar Wilde, "a ilusão é o primeiro de todos os prazeres", o que "parece um absurdo, e no entanto é a exacta verdade, que, se toda a realidade for vazia, não haverá mais nada de real nem de substancial no mundo além das ilusões"(Giacomo Leopardi), porque "sem se iludir, a humanidade pereceria de desespero e de tédio"(Anatole France), as "ilusões sustentam a alma como as asas sustentam o pássaro"(Victor Hugo) e "o coração é regra geral a fonte das ilusões do espírito"(Pierre Nicole)

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