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quinta-feira, 18 de julho de 2019

por Ricardo- águialivre





Amor do meu coração ao infinito
Quero que o meu amor seja uma estrela cintilante
Que ilumine o teu coração de um desejo profundo
Que deste amor não queiras nunca estar distante
Pois quando se ama não há lonjura neste mundo
.
Quero que sintas o meu carinho, em cada instante
Que caminhes pelas ruas, com um sorriso aberto
Que entre em teu coração este amor penetrante
Que vagueia pelo sonho por um caminho incerto
.
Quero que sorrias perante o obscuro da incerteza
Em que o teu olhar sorria num abraço de firmeza
Sabendo que o meu carinho é tão robusto e bonito
.
Que não haverão montes, nem mares, nem ondas
Nem campos, nem áridos vales, onde te escondas
Pois o amor será teu, do meu coração ao infinito

 por Ricardo- águialivre

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..... de Camila Ferrazzano






Poema de Breno para Fernanda, de Camila Ferrazzano








POEMA DE BRENO PARA FERNANDA





a paixão lesionou-me as pernas
tornou ralo os cabelos
fuzilou o amor próprio
escamoteou vocábulos como
não-quero
não-posso
queria-mas-minha-mãe-disse-que-não-será-o-melhor-para-mim
a paixão tem olhos de vidro e dança como mulher
envolve a cintura no meio da cidade de concreto e diz com seu hálito doce que adoraria um café antes de partir.
para onde?
buenos aires.
a paixão soprou gelado nos joelhos e quis gritar de ódio
(muito embora não diga nada, porque na bula de são paulo, escreveu-se;
tu serás indiferente.
tu serás indiferente.
tu não irás até corinthians itaquera. cometas haraquiri mental mas não deixes que saibam)
nessa cidade não se fala na segunda pessoa do singular.
saiu de moda.
nessa cidade não se fala nada além de passa no crédito.
acabou o débito.
nessa cidade não se fala eu gosto de você.
é letal e contempla os caretas.
e aqui
todo mundo
é
muito
maneiro.


  


Do livro Orações subordinadas, Editora Patuá.



quarta-feira, 17 de julho de 2019

J. G. de Araujo Jorge







POESIA 



Esta saudade és tu... E é toda feita
de ti, dos teus cabelos, dos teus olhos
que permanecem como estrelas vagas:
dos anseios de amor, coagulados.

Esta saudade és tu... É esse teu jeito
de pomba mansa nos meus braços quieta;
é a tua voz tecida de silêncio
nas palavras de amor que ainda sussurram...

Esta saudade são teus seios brancos;
tuas carícias que ainda estão comigo
deixando insones todos os sentidos.

Esta saudade és tu... é a tua falta
viva, em meu corpo, na minha alma, viva,
... enquanto eu morro no meu pensamento.



J. G. de Araujo Jorge 


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segunda-feira, 15 de julho de 2019

María Victoria Atencia


























A noite oferecia-me o lance de silêncio 
de uma estreita escada que minha febre amolecia.
No patamar estavas - menina eu em ti - a olhar-me,
contrariando o sono em teus olhos perplexos.
Detive-me um instante para beijar tuas têmporas.
Continuei logo a subir e entrei no quarto, cúmplice.



María Victoria Atencia

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Manuel Bandeira



(dos) mergulhos...
Quando estás vestida,
Ninguém imagina
Os mundos que escondes
Sob as tuas roupas.

(Assim, quando é dia,
Não temos noção
Dos astros que luzem
No profundo céu.

Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite.

Brilham teus joelhos,
Brilha o teu umbigo,
Brilha toda a tua
Lira abdominal.

Teus exíguos
- Como na rijeza
Do tronco robusto
Dois frutos pequenos -

Brilham). Ah, teus seios!
Teus duros mamilos!
Teu dorso! Teus flancos!
Ah, tuas espáduas!

Se nua, teus olhos
Ficam nus também:
Teu olhar, mais longe,
Mais lento, mais líquido.

Então, dentro deles,
Bóio, nado, salto
Baixo num mergulho
Perpendicular.

Baixo até o mais fundo
De teu ser, lá onde
Me sorri tu’alma
Nua, nua, nua...

Manuel Bandeira
Photo: Man Ray  

A imagem pode conter: água

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Louis Aragon (tradução Rui Amaral Mendes)






Photo: Josef Koudelka





























Dans le ciel gris des anges de faïence 
Dans le ciel gris des sanglots étouffés
Il me souvient de ces jours de Mayence
Dans le Rhin noir pleuraient des filles-fées 

On trouvait parfois au fond des ruelles 
Un soldat tué d'un coup de couteau 
On trouvait parfois cette paix cruelle 
Malgré le jeune vin blanc des coteaux 

J'ai bu l'alcool transparent des cerises 
J'ai bu les serments échangés tout bas 
Qu'ils étaient beaux les palais les églises 
J'avais vingt ans Je ne comprenais pas 

Qu'est-ce que je savais de la défaite 
Quand ton pays est amour défendu 
Quand il te faut la voix des faux-prophètes 
Pour redonner vie à l'espoir perdu 

Il me souvient de chansons qui m'émurent 
Il me souvient des signes à la craie 
Qu'on découvrait au matin sur les murs 
Sans en pouvoir déchiffrer les secrets 

Qui peut dire où la mémoire commence 
Qui peut dire où le temps présent finit 
Où le passé rejoindra la romance 
Où le malheur n'est qu'un papier jauni 

Comme l'enfant surprit parmi ses rêves 
Les regards bleus des vaincus sont gênants 
Le pas des pelotons à la relève 
Faisait frémir le silence rhénan.


Louis Aragon


Sob o céu cinzento com os seus anjos de barro 
Sob o céu cinzento com os seus soluços abafados
Recordo aqueles dias em Mainz 
Onde junto ao negro Reno choravam as pequenas fadas

Encontrávamos por vezes no fim dos becos 

Um soldado morto pelo golpe de uma faca 
Encontrávamos por vezes essa paz cruel
Apesar do vinho branco novo nas colinas 

Bebi o álcool transparente do licor das cerejas 
Bebi aqueles juramentos murmurados 
Como eram belos os palácios as igrejas 
Tinha vinte anos Nada compreendia 

Que sabia eu então de derrota 
Quando o teu país surgia como um amor proibido 
Quando ansiavas pela voz dos falsos profetas 
Para trazer de volta a esperança perdida 

Lembro-me de músicas que me tocavam 
Lembro-me dos sinais feito com giz 
Que descobríamos de manhã nas paredes 
Sem saber decifrar os seus segredos 

Quem poderá dizer onde começa a memória
Quem poderá dizer onde termina o tempo presente 
Onde o passado tomará o romance 
Onde a desgraça não passará já de um papel amarelado 

Tal como a criança surpreendida pelos seus sonhos 
Os olhares melancólicos dos vencidos permaneciam inquietos
Aos passos do render da guarda
Que faziam estremecer o silêncio do Reno.



Louis Aragon (tradução Rui Amaral Mendes)



quarta-feira, 10 de julho de 2019

Helena Guimarães





MARÉ ALTA 2
Mergulhei no teu sorriso
vertigem, mosto, ribalta.
Mergulhei no teu sorriso,
maré alta maré alta.

Aninhei-me no teu peito.
Carinho em caixa-alta!
Aninhei-me no teu peito
maré alta, maré alta.

Colhi braçados de beijos
onde o teu sabor ressalta.
Colhi braçados de beijos
maré alta, maré alta.

Comunguei-te por inteiro
nada sobra, nada falta.
Comunguei-te todo inteiro
maré alta, maré alta.

Helena Guimarães