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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Zé Kéti

 "Tanto riso, oh quanta alegria

Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
No meio da multidão
Foi bom te ver outra vez
Tá fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele pierrô
Que te abraçou
Que te beijou, meu amor
A mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval ..."

O grande compositor carioca Zé Kéti é autor da marcha-rancho Máscara Negra (1967) e um dos precursores da música de protesto dos anos 1960, com sambas sociais como Acender as Velas, O Favelado e Opinião.





terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

"" R y k @ r d o ""

 terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Amar refresca a alma

 


Amar nunca pode ser uma decisão errada
Não se pode dizer que não é o mais certo
Amor é uma palavra tão querida, sagrada
Acalma o coração, quando se sente perto
.
Quando um olhar mostra a luz do coração
É porque esse está no caminho mais certo
O amor é uma palavra por decisiva razão
Que nos faz sorrir na travessia do deserto
.
O amor refresca a alma, faz brilhar o olhar
Nos torna mais leves no cansado caminhar
Nos aveluda a pele, com o seu suave ardor
.
Amar será sempre o mais bonito caminho
Pois toda a flor nos oferece o seu carinho
Porque vive em liberdade, ternura e amor
...

"" R y k @ r d o ""

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Pedro Homem de Mello

 

Prece
Talvez que eu morra na praia
Cercada em pérfido banho
Por toda a espuma da praia
Como um pastor que desmaia
No meio do seu rebanho
Talvez que eu morra na rua
E dê por mim de repente
Em noite fria e sem Lua
Irmã das pedras da rua
Pisadas por toda a gente
Talvez que eu morra entre grades
No meio de uma prisão
E que o mundo além das grades
Venha esquecer as saudades
Que roem meu coração
Talvez que eu morra no leito
Onde a morte é natural
As mãos em cruz sobre o peito
Das mãos de Deus tudo aceito
Mas que eu morra em Portugal
Pedro Homem de Mello




domingo, 4 de fevereiro de 2024

Alexandre O'Neill

 Alexandre O'Neill








Os Domingos
de Lisboa



Os domingos de Lisboa são domingos
Terríveis de passar - e eu que o diga!
De manhã vais à missa a S. Domingos
E à tarde apanhamos alguns pingos
De chuva ou coçamos a barriga.
As palavras cruzadas, o cinema ou a apa,
E o dia fecha-se com um último arroto.
Mais uma hora ou duas e a noite está
Passada, e agarrada a mim como uma lapa,
Tu levas-me p'ra a cama, onde chego já morto.
E então começam as tuas exigências, as piores!
Quer's por força que eu siga os teus caprichos!
Que diabo! Nem de nós mesmos seremos já senhores?
Estaremos como o ouro nas casas de penhores
Ou no Jardim Zoológico, irracionais, os bichos?
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Mas serás tu a minha «querida esposa»,
Aquela que se me ofereceu menina?
Oh! Guarda os teus beijos de aranha venenosa!
Fecha-me esse olho branco que me goza
E deixa-me sonhar como um prédio em ruína!...

................................

 




Vivendo intensamente a vida que é maravilhosa, mesmo nos momentos mais difíceis.


sábado, 3 de fevereiro de 2024

Acessìveis.......

 




Como no verso antigo, sou feliz 
por "esta sorte imensa, conhecer-te"
e já me tarda a luz onde procurar 
outro mais puro modo de dizer-te. 
Aos poucos vou fazer maus poemas 
com a rima calada dos sentidos, 
até eu descobrir a toda a gente 
como um vulgar espelho transparente. 
Já me esqueci, por uma qualquer 
dor distraída que no corpo tinha, 
de desenhar a melodia; mas 
quando em você penso sou seguro e claro; 
gira a terra sem melancolia, 
aceito tudo como o tempo o quis.


António Franco Alexandre



Eis o sempre notável Amado Nervo

 



    ME BEIJAVA MUITO

    Me beijava muito; como se temesse

    Ir-se muito cedo...Seu carinho era

    Inquieto, nervoso.

     

    Eu não compreendia

    Tão febril pressa. Minha intenção grosseira

    Nunca via muito longe...

    Ela pressentia!

     

    Ela pressentia que era curto o prazo.

    Que ao vê-la ferida pela chicotada

    Do vento, aguardava já...e em sua ansiedade

    Queria deixar-me sua alma em cada abraço,

    Colocar em seus beijos uma eternidade.