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terça-feira, 1 de abril de 2025

POESIA

 




Todos os dias se escrevem milhares de poemas 
em bilhetes de autocarro em guardanapos dos cafés nos mais variados cadernos 
e acabam em pastas nas gavetas ou no computador ou no cérebro 
A maioria como este se não nesse dia passados alguns meses ou anos 
acaba no caixote do lixo 

Um dia acordas de repente e o que não fazia sentido passou a fazê-lo 
ou o que fazia sentido deixou de o fazer 
palavras trocam de lugar vogais e consoantes engalfinham-se 
o que não rimava passou a rimar 
ou a navegar ou a voar ou a rastejar 
alguns poemas erguem-se na página em branco 

E corres a procurá-los no caixote do lixo entre os restos da última refeição 
que por acaso foi de peixe 
mas o camião do lixo acabara de passar 

Todos os dias se escrevem milhares de poemas


Jorge Sousa Braga




Abadia de Kylemore, Irlanda



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