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terça-feira, 21 de novembro de 2023
Definição de ........................
Definição de Avó
"O sole mio", napolitana (Pavarotti, Hvorostovsky y Elvis P.) - Subts : ...

segunda-feira, 20 de novembro de 2023
"" R y k @ r d o ""
No silêncio das madrugadas
domingo, 19 de novembro de 2023
Poema......................
POEMA MUDO
Que jamais conseguirei dizer tudo
o que penso
me convenço
quando procuro algumas palavras,
e tenso,
encontro outras
que não sei manipular.
Me falta ar.
Calado, no entanto, não fico, nem ficarei.
Embora, talvez, em outra língua
me expressarei
(que, mesmo o português
pode ser vários)
para que não entendam
minhas palavras,
que bem sei,
não agradarão
aos servos, aos néscios,
aos patrocinadores
destes tempos sombrios
e de pessoas invertebradas.
Nem me esforço
para dizer o que não merecem ouvir.
Já nem me importo
em usar a ironia,
que os tolos não conhecem.
Direi apenas
para os que estão mortos
de medo, de falta de coragem,
imersos no poço mais profundo
que sempre há voltas
nas coisas deste mundo
e que há horas
em que só em ficar mudo
se diz tudo.
Se o presente é deles.
O futuro é nosso.
Ilustração: Repórter Sombra.
sábado, 18 de novembro de 2023
Manuel de Freitas
umstance, I have not winced nor cried aloud. Under the bludgeonings of chance, my head is bloody, but unbowed.
- - podia começar assim,com uma dessas cançõesprofanas e furibundasa que se regressa semprenos partidos tempos da vida.Mas não creio que o alento possa voltara ser o daquelas manhãs de Junhoem que uma despedida precoce ditou leisque eu cumpri demasiado bem.Que tem isto a ver contigo, dirás,e a resposta cala-se no meu peito,asfixia lentamente nas sílabasdo teu nome em forma de punhal,enquanto eu, o próprio, ando por aía ver passar os navios que já não passame a preparar as tabernas disponíveispara a velhice que afinal virá.Já não sou, acredita, esse príncipede um reino que quis imundo e breve.E sei agora que as algemas do amordoem mais quando os pulsos mal abertoscalafetaram a memória numa travessasem espera. De pouco serve importunar-te:és apenas o álibi dilacerantede um poema que eventualmente teráalguma coisa a ver comigo, nadaque mereça a pena que aliás nada merece.E hás-de ter uma vida, uma família, um cãocomo toda a gente tem mesmo que não tenha,inventando paliativos cheios do calor,do sossego, que nunca curaram ninguémda peste real do amor: esta vontadede beber por mãos alheias o sangue derramado,suspenso num sorriso em chamassobre o qual já tudo foi dito e ainda nada.Que te protejam, na noite separada,as mais frias certezas e a boca da catástrofeque não beijou nem quis o poema inacabável.Manuel de Freitas

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