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quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

BOLERO-RAVEL





Impressionante interpretação do Bolero de Ravel pela orquestra dirigida pelo violinista e maestro holandês André Rieu.




Aos meus amigos/as.

 



quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Sem disputa

 

SEM DISPUTA


Eu só tomei dois goles do teu chope

e, você, abusivamente 

quer pegar o meu?

Que é isto? 

É machismo ou abuso de poder?

Pode ficar com o seu

que o meu vou beber até o fim.

E não venha

me querer tratar assim

como se a delicadeza tivesse morrido.

Não importa se você é o meu querido. 

O seu chope é seu. 

O meu é meu. 

Caso resolvido. 

Ilustração: iStock. 





De, Laura Santos

 POEMA

De Laura Santos
Aromas
Sonhei que cheirava a café acabado de fazer
enquanto o teu corpo amanhecia.
A tua pele cheirava a tangerinas,
a minha, a amoras rubras e silvestres,
fragrâncias quentes e finas
ao canto de cada entardecer
quando te desnudas e te vestes.
Na breve penumbra das horas
sonhei que cheirava a rosmaninho,
a frescos coentros acabados de cortar,
se te aproximavas de mansinho...
enquanto preparava secreto manjar.
Odores salgados de maresia.
Algo me invadia; perfumes de anis,
alecrim, poejo, manjericão.
Uma paz de hortelã, de tomilho,ou de limão,
de maçãs vermelhas e conversas
saboreadas ao contacto da tua mão.
Sei que cheirava altos pinheiros,
floridos aloendros, campos de alfazema,
odores muito mais intensos
do que poderia escrever em poema.
Cheiro a estevas e terra molhada,
a roupa lavada com sabão
despida na prévia madrugada.
Desejaria teu corpo aroma
a anoitecer perto do meu.
Ou a amanhecer de repente,
brisa canção a rodopiar
num prado perto do céu.
Perdi o sentido do olfacto.
Que sonho inventado é este,
ilusório e contrafeito,
este tormento em doce retrato,
leve e caricato,
que trago no meu peito?...
Laura Santos





Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'

 Abraça-me

Abraça-me. Quero ouvir o vento que vem da tua pele, e ver o sol nascer do intenso calor dos nossos corpos. Quando me perfumo assim, em ti, nada existe a não ser este relâmpago feliz, esta maçã azul que foi colhida na palidez de todos os caminhos, e que ambos mordemos para provar o sabor que tem a carne incandescente das estrelas. Abraça-me. Veste o meu corpo de ti, para que em ti eu possa buscar o sentido dos sentidos, o sentido da vida. Procura-me com os teus antigos braços de criança, para desamarrar em mim a eternidade, essa soma formidável de todos os momentos livres que a um e a outro pertenceram. Abraça-me. Quero morrer de ti em mim, espantado de amor. Dá-me a beber, antes, a água dos teus beijos, para que possa levá-la comigo e oferecê-la aos astros pequeninos.
Só essa água fará reconhecer o mais profundo, o mais intenso amor do universo, e eu quero que delem fiquem a saber até as estrelas mais antigas e brilhantes.
Abraça-me. Uma vez só. Uma vez mais.
Uma vez que nem sei se tu existes.

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'




De Isabel Sousa / Lua diurna //// poema

 





POESIA
De Isabel Sousa / Lua diurna //// poema

encomendado

queria fazer.te um poema
que te gritasse baixinho:
não desistas...
meu amor
por favor
não desistas
Há um principio do fim
na desistência
e o Amor
que se cala na ausência
já não se detém
na ilusão
da aparência
que se tornou vulgar
e sem sentido.
amar é respeitar
é bem querer
não é um entretem
nem um lazer
e se assim for
não deve ser
não se pode amar todos e a ninguem
porque o amor que é amor
..à alma vem
implode sem razão que o defina
é a morte ou
é a vida....
e a vida que se tem
em quem se ama
não pode ser um sonho envenenado
tem que ser de verdade
e p'ra valer
um tudo ou nada
que se entregue
a outro ser....
doado
e consentido
pode ser até um sonho
entontecido
um beijo de ternura embriagado
mas nunca
(ou tão só somente)
um poema encomendado
Isabel Sousa(Lua Diurna)


terça-feira, 20 de dezembro de 2022

O conde...

 O Conde chega, enfim, à sua mansão. O mordomo atento abre-lhe a porta, baixa a cabeça, saúda-o, reverencialmente:

- Entra, filho de uma grande puta. De onde vem o senhor Conde com essa cara de paneleiro de merda?
Ao que o Conde, sorridente, lhe responde:
- De comprar um aparelho auditivo.