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sábado, 23 de janeiro de 2021

Uma poesia de Elizabeth Barrett Browning

 SONETO 38



A primeira vez ele me beijou, porém,  ele só beijou

Os dedos desta mão com que escrevo;

E desde então, tudo ficou mais limpo e branco,

Lento para saudações ao mundo, rápido com seu 'Oh!, a lista,'

Quando os anjos falam. Um anel de ametista

Eu não poderia usar aqui, mais claro à minha vista,

Do que aquele primeiro beijo. O segundo passou em altura

o primeiro, e buscou a testa, e quase errou muito,

metade sobre o cabelo. O além de mim!

Este era o crisma do amor, que é a coroa do próprio amor,

Com doçura santificadora, precedeu.

O terceiro em meus lábios estava dobrado

Em perfeito estado roxo; desde então, de fato,

Fiquei orgulhoso e disse: 'Meu amor, é meu.'






sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Hamilton Ramos Afonso

 POESIA

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Por ti...
Por ti
desisti de mim,
descuidei a minha auto-estima ,
apouquei-me ,
descuidei afectos,
perdi outros...
Por ti ,
suportei a tua amargura,
todos os pretextos para discutires,
o quereres ficar sempre
com a ultima palavra,
as pedras que apanhavas
para as brandires e atirares,
o teu mau feitio...
Cansei-me,
finalmente cansei-me
e deixei a amargura de lado,
jamais voltarei a alimentar
a fogueira das discussões,
por motivos banais,
deixei a lenha para outras ocasiões ,
para outras fogueiras
que contigo são impossíveis
de alimentar...
Cansei-me
e apenas lamento
o não ir a tempo
de recuperar afectos
que perdi para sempre ,
por ti...
Hamilton Ramos Afonso






quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

POEMA DE BRENO PARA FERNANDA

 POEMA DE BRENO PARA FERNANDA






a paixão lesionou-me as pernas
tornou ralo os cabelos
fuzilou o amor próprio
escamoteou vocábulos como
não-quero
não-posso
queria-mas-minha-mãe-disse-que-não-será-o-melhor-para-mim
a paixão tem olhos de vidro e dança como mulher
envolve a cintura no meio da cidade de concreto e diz com seu hálito doce que adoraria um café antes de partir.
para onde?
buenos aires.
a paixão soprou gelado nos joelhos e quis gritar de ódio
(muito embora não diga nada, porque na bula de são paulo, escreveu-se;
tu serás indiferente.
tu serás indiferente.
tu não irás até corinthians itaquera. cometas haraquiri mental mas não deixes que saibam)
nessa cidade não se fala na segunda pessoa do singular.
saiu de moda.
nessa cidade não se fala nada além de passa no crédito.
acabou o débito.
nessa cidade não se fala eu gosto de você.
é letal e contempla os caretas.
e aqui
todo mundo
é
muito
maneiro.


 

Do livro Orações subordinadas, Editora Patuá






O amor renasce

 

O amor renasce

 


Foi você que inventou teu amor por mim

e, a culpa é minha sim, acreditei.

A fé, a fé é uma força imensa

e tive como recompensa

dias de felicidade, 

sonhos e realidades,

os beijos de amor que te dei.

Agora vens querer desinventar o amor

me oferecendo a dor da separação.

Não é ilusão, 

mas, sinto muito e te digo não. 

O amor, como a flor, 

depois de crescer 

derrama beleza e perfume.

Vou ficar aqui, como de costume, 

pode ir. 

Pode partir. 

Faça boa viagem. 

Porém, por mais que pense que não,

a semente ficou no teu coração

e basta chover um dia,

que, para minha alegria, 

com o frio e a chuva 

tua pele há de tremer 

e todo amor vai renascer. 

Ilustração: Bernadete Alves.com

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

de Luadiurna

 No fundo dos teus olhos

Anoiteço no fundo dos teus olhos
e na noite, sub-repticiamente
instala-se a cortina do silêncio
Emolduro o teu rosto
no cansaço dos dias baços
e procuro-te na luz maior
de todas as constelações e de todas as criações
no fundo dos teus olhos
é que as palavras se entrelaçam
em dedos de ternura e afagos consentidos
É no fundo dos teus olhos
que amanhecem os dias solares
clandestinos na alma da cidade
as gaivotas
invertem o sentido do vôo
o meu desejo
anoiteço no fundo dos teus olhos
e é no fundo dos teus olhos
que amanheço
de Luadiurna




Maria do Rosário Pedreira

 Maria do Rosário Pedreira

*
Diz-me o teu nome - agora, que perdi
quase tudo, um nome pode ser o princípio
de alguma coisa. Escreve-o na minha mão
com os teus dedos - como as poeiras se
escrevem, irrequietas, nos caminhos e os
lobos mancham o lençol da neve com os
sinais da sua fome. Sopra-mo no ouvido,
como a levares as palavras de um livro para
dentro de outro - assim conquista o vento
o tímpano das grutas e entra o bafo do verão
na casa fria. E, antes de partires, pousa-o
nos meus lábios devagar: é um poema
açucarado que se derrete na boca e arde
como a primeira menta da infância.
Ninguém esquece um corpo que teve
nos braços um segundo - um nome sim.




terça-feira, 19 de janeiro de 2021

18 anos de idade.....

 DEZOITO ANOS DE IDADE ...






Com o passar dos dias sempre iguais
Perdi a noção do tempo.
Não sei que idade tenho,
esqueci o ano, o mês, o dia em que nasci
até ao dia em que te vi…

Estavas imóvel, serena e absorta á espera do elevador.
Olhei para ti, primeiro, normalmente, depois com atenção,
finalmente encantado.

Senti dentro de mim uma enorme ebulição,
estava apaixonado!

Apercebi-me, então, que acabara de fazer dezoito anos de idade.

Lamento, meu amor, não o poder comprovar com a apresentação do Bilhete de Identidade.

Mas se olhares para dentro dos meus olhos, com atenção,
verás dezoito estrelinhas, cada uma brilhando para ti.

E se visitares o meu jardim, encontrarás á tua espera
dezoito lindos botões de rosa que aguardam o conforto do teu olhar, a carícia dos teus dedos e o roçar dos teus lábios.

É falso dizer que o amor não tem idade.
Aquele de nós, que alguma vez se apaixonou, em qualquer momento da sua vida, fez nesse dia, precisamente, dezoito anos de idade…