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terça-feira, 12 de junho de 2018

(dos) mergulhos... Manuel Bandeira






Photo: Man Ray


























Quando estás vestida,
Ninguém imagina
Os mundos que escondes
Sob as tuas roupas.

(Assim, quando é dia,
Não temos noção
Dos astros que luzem
No profundo céu.

Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite.

Brilham teus joelhos,
Brilha o teu umbigo,
Brilha toda a tua
Lira abdominal.

Teus exíguos
- Como na rijeza
Do tronco robusto
Dois frutos pequenos -

Brilham). Ah, teus seios!
Teus duros mamilos!
Teu dorso! Teus flancos!
Ah, tuas espáduas!

Se nua, teus olhos
Ficam nus também:
Teu olhar, mais longe,
Mais lento, mais líquido.

Então, dentro deles,
Bóio, nado, salto
Baixo num mergulho
Perpendicular.

Baixo até o mais fundo
De teu ser, lá onde
Me sorri tu’alma
Nua, nua, nua...


Manuel Bandeira

segunda-feira, 11 de junho de 2018

E, ainda uma vez , Gabriela Mistral






E, ainda uma vez , Gabriela Mistral


Apegado a mí                  
Gabriela Mistral

Velloncito de mi carne
que en mis entrañas tejí,
velloncito tembloroso,
¡duérmete apegado a mí!

La perdiz duerme en el trigo
escuchándola latir.
No te turbes por aliento,
¡duérmete apegado a mí!

Yo que todo lo he perdido
ahora tiemblo hasta al dormir.
No resbales de mi pecho,
¡duérmete apegado a mí!
  
APEGADO A MIM 

Carnezinha da minha carne
que em minhas entranhas teci
carnezinha tremendo,
dorme apegado a mim!

A perdiz dorme no trigo
ouvindo-o bater.
Não te turbes com o alento
dorme apegado a mim!

Eu que tudo já perdi
agora eu tremo até dormir.
Não resvales do meu peito
dorme apegado a mim!

Ilustração: Lado M.  


Foto de Antonio Maria.

Paul Éluard



























Eu to digo grácil e luminosa
A tua nudez lambe meus olhos de criança 
E é o sonho máximo dos caçadores realizados
Ter feito crescer uma caça transparente
Que se dilata num vaso sem água 
Como uma semente à sombra de um calhau 

Eu te vejo nua arabesco enlaçado 
Ponteiro flexível a cada hora que passa 
Sol fixo durante um dia inteiro 
Raios em trança esteiras dos meus prazeres. 


Paul Éluard

sábado, 9 de junho de 2018

Helena Guimarães






EU
A brisa acaricia as folhas.
Os plátanos dançam 
sem coreografia.
Uma dança imagética
de fantasmas
sem norte nem ideologia.
Como encarno as folhas
como se fosse eu a dançar ao sol!
Sol, sombra, brilho e opaco
num esconderijo de protecção,
um casulo de inação,
num fogacho de eu
na sombra de mim, 
no rendilhado do sol no chão.
Formas fantasmas de ser,
hologramas de pensamento.
Um ser de um momento
projectado num querer
de ser infinito sem razão.

Helena Guimarães    

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quinta-feira, 7 de junho de 2018

Maria Olinda Maia - M.O.M










Apaixonada por ti...
Uma vida para viver e
esse fogo ainda queima...

Quando te observo a
olhares-me...
Penso,e fico a sonhar...

Estou apaixonada por ti
e sei que tu sentes o mesmo.

Ainda acredito em mil sonhos
e só tu me podes dar todos eles.

Seguro-te em meus braços
e me abraço novamente..
Eu me rendo a ti...

Tu és a razão
para seguir em frente.
Sempre.

M.O.M. - Maria Olinda Maia   

Foto de Maria Olinda Maia.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

são reis ///// Não posso ouvir o teu silêncio!








 Não posso ouvir o teu silêncio!

Admiti-lo é assumir que te ausentaste
que te passeias 
aonde eu te procuro
e que só a noite me faz companhia

Guio-me pelo mapa do corpo
que já foi meu
e alcanço a fronteira
para a intemporalidade
onde nada se move 
e nada dói
só a saudade escorre
só a saudade corrói

E é incerto e breve esse sonho
que me alimenta
como o são as mãos que são só minhas
que se guiam cegas sozinhas
pelo labirinto escuro
onde eu permaneço
e onde tropeço
em cada lembrança tua

Breve é aquilo que nos reúne
e tão longo aquilo que nos afasta

são reis    

Foto de Antonio Maria.

terça-feira, 5 de junho de 2018

E, de volta, a poesia de Dulce María Loynaz






E, de volta, a poesia de Dulce María Loynaz


Quiéreme entera

Si me quieres, quiéreme entera,
no por zonas de luz o sombra…
Si me quieres, quiéreme negra
y blanca, Y gris, verde, y rubia,
y morena…
Quiéreme día,
quiéreme noche…
¡Y madrugada en la ventana abierta!…

Si me quieres, no me recortes:
¡Quiéreme toda… O no me quieras


Dulce María Loynaz


QUEIRA-ME INTEIRA
Se me queres, queira-me inteira,
não por zonas de luz ou sombra...
Se me queres, queira-me preta
e branca, e cinzenta, verde, e ruiva
e morena....
Queira-me de dia,
queira-me de noite...
E de madrugada de janela aberta!...
Se me queres, não me recortes:
Queira-me toda...ou não me queiras
Ilustração: A soma de todos os afetos.