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sábado, 10 de fevereiro de 2018






VOLTA
Vem para junto de mim...
Quero enroscar em ti
Experimentar o teu colo
Passear meus dedos
Pela tua pele macia
Sentir-te em meus braços

Olhar em teus olhos
Teu beijo suave nas minhas mãos
Como cheiras meu cabelo
Um arrepio
De te ter junto a mim

Ah, como me tocas
De mansinho
Dizendo palavras doces
Ao ouvido
Que me faz sentir
A mulher mais amada
Entre todas as mulheres

Minha paixão,
Dancemos
A nossa música do amor
E do desejo
Desde a noite
Até amanhecer
Para não sentirmos
A dor da saudade
À partida

Fiquemos em silêncio
Com um aceno no olhar
Sem lágrimas
Gravando o último momento
Até não te sentir…

FATIMA PORTO   
Foto de Antonio Maria.


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Fernando Assis Pacheco






Não sei
se o que chamam amor é este apaziguamento.
Não sei se comias fogo. Tuas abelhas
voam agora em círculos tranquilos.
Mães serenam seus filhos no ventre,
não sei se o que enfim chamam
amor é esta areia fina.

Agora estamos um dentro do outro,
fazemos longas visitas deslumbradas
porque "o nosso prazer lembra um rio vagaroso
no meio de juncos ao cair da tarde."

As palavras tornam-se esquivas. Com o silêncio
falaríamos melhor de tudo isto. 
Não sei se o que chamam amor 
é a cama desfeita o sol fugindo, 
uma vontade louca de beber 
a grandes goles a noite entorpecente. 

Com o silêncio, o silêncio sem nome: 
morrermos a meio do filme 
simples, calada, dedicadamente. 
Eras tu, amor? - Era eu, era eu! 

Um barco junto à margem. E cegonhas.



Fernando Assis Pacheco  


Helena Guimarães






HAVIA
E havia a luz dos olhos.
E hoje já não há!
E havia uma corrente electrica
entre os corpos, 
e hoje já não há!
E havia o infinito entre as almas.
E hoje já não há!
E havia o perdão do consumo dos dias.
E havia a interpretação do tempo. 
E havia o perdão diário das coisas.
E hoje já não há. 
Porque cada um se fez igual
a si próprio, à sua existência,
sem olhar quem lhe divide o diário.
Uma ilha de si próprio, sem comentários
e sem felicidade.

Helena Guimarães 

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helena guimaraes //// Ontem....






Quando ontem , na conversa,
os teus olhos, ora fugídios,
mergulharam nos meus
demoradamente.

Houve um singular instante
em que algo indefenido aconteceu.
As palavras voaram no espaço
e tudo à nossa volta se quedou,
repentinamente.

O teu olhar , até aí indiferente,
surpreendeu-se , tornou-se vivo,
inquieto, procurou-me a alma,
interrogativamente.
Quebraram-se as linhas duras de teu rosto,
adoçaram-se os teus lábios num sorriso
e comungamos ternura,
delicadamente....


De helena guimarães
do livro "" Intimidades ""/// 1994   


Foto de Antonio Maria.

SALADA DE FRUTAS - Se cá Nevasse....(1981)




Memórias em vinil 


Só o frio de rachar me faria recordar este grande sucesso.
Em Setembro de 1980 Lena d'Água (ex-Beatnicks), Luís Pedro Fonseca (ex-Chinchilas) e Zé da Ponte (ex-Saga), formam o grupo Salada de Frutas. (Salada de Frutas is a portuguese pop band from the80's)

Nuno Júdice






O anjo que desce do espírito com a tarde,
que queima o chão da página, que
mancha de orvalho os campos do inverno,
onde a erva insiste em manter-se,
tem o olhar cansado do infinito. Pego-lhe
na mão, ouvindo o arrastar de asas
por trás de mim, enquanto avançamos
pelo alcatrão. É certo que um anjo não
foi feito para andar; e que os seus passos
desenham um voo desajeitado na hesitação
bêbeda de um rumo. Mas sento-o na
cadeira da taberna; ponho à sua frente
o amargo cálice da aguardente matinal; e
vejo-o engolir até ao fundo as gotas de
fogo do inferno, saboreando o sol que
desponta, por um instante, de entre as
nuvens que o expulsaram. 


Nuno Júdice



quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Attila, József.







" Espero-te "
Espero-te sempre. A relva está orvalhada,...
esperam também as grandes árvores de orgulhosas copas.
Rígido estou e tremo também às vezes,
sozinho como a noite em calafrios.
O prado, se viesses, tornava-se corredor liso
e silêncio seria. Um grande silêncio.
Mas música ouviríamos, misteriosa,
cantariam nos lábios nossos corações
e lentos, corados, nos fundíríamos
em altar cheiroso ardendo
para o infinito.

Attila, József.
Antologia da Poesia Húngara. Lisboa: Âncora Editores, 2002, p 183 (tradução de Ernesto Rodrigues).

Foto de Antonio Maria.