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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Helena Guimarães

MANHÃ DE INVERNO
 
 
 
Escorrega a chuva nas gaivotas
que voam contra o vento,
 o sol esquivo
desenha verde
no cinzento do mar.
A espuma desnuda nos rochedos
uma dança erótica de véus brancos e diáfanos.
Dança de manhã saciada!
Uma tristeza sem sentido
visita-me no sonho
de um futuro incompleto.
Mas o dia desagua aqui
na solidão de uma vida completa
das ausências
que vamos sepultando
na memória.

Helena Guimarães   
 
 
 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Pablo Neruda

Desejo
 
 
    
Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o Outono
A terceira é o grave Inverno
Em quarto lugar o Verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da Primavera para que continues me olhando.

 
Pablo Neruda

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Anne Sofie von Otter sings Marietta's song

https://youtu.be/WN_vsAUEE8s




CLIQUE  NO ENDEREÇO

por Ricardo- águialivre

Quero sentir que vives em mim
 
 
 
Quero sentir que vives em mim
Que esvoaças pela maresia do entardecer...

Como esvoaça a esperança
Quero sentir o chão que me suporta
Quando te procuro e não encontro
Mas nada mais importa
No silêncio do sentir
Quero caminhar por entre os teus sonhos
Ser a claridade que ilumina o teu quarto
Ser o elixir do teu sossego
O grito do teu silêncio
Quero envolver-te em meus braços
Ser a alegria dos teus passos
Encontrar-te nos meus sentimentos
Perfumada como uma rosa em jardim
Que dança perante os arvoredos
Quero quebrar os teus e os meus medos
Derreter esse gelo num beijo
Qual lume que arde em desejo
Quero sentir que vives em mim
Meiga, terna, amiga ... sim

 
 
 
.
 
Publicada por Ricardo- águialivre

domingo, 31 de julho de 2016

Pablo Neruda

intenções 
 
    



















Brincas todos os dias com a luz do Universo. 
Subtil visitadora, chegas na flor e na água. 
És mais do que a pequena cabeça branca que aperto 
Como um cacho entre as mãos todos os dias. 

Desde que eu te amo não te pareces com ninguém. 
Deixa-me deitar-te entre grinaldas amarelas. 
Quem escreve o teu nome com letras de fumo nas estrelas do sul? 
Ah, deixa-me recordar-te como eras então, quando não existias ainda. 

De repente o vento uiva e golpeia a minha janela fechada. 
O céu é uma rede repleta de peixes sombrios. 
Aqui vêm dar todos os ventos, todos. 
A chuva despe-se. 

Passam em fuga os pássaros. 
O vento. O vento. 
Eu só posso lutar contra a força dos homens. 
A tempestade amontoa folhas escuras
e solta todas as barcas que a noite passada amarrou ao céu. 

Tu estás aqui. Ah tu não foges. 
Tu responder-me-ás até ao último grito. 
Encolhe-te a meu lado como se tivesses medo. 
Mas por vezes uma sombra estranha corria pelos teus olhos. 

Agora, também agora, pequena, me trazes madressilvas
e até os seios tens perfumados. 
Enquanto o triste vento galopa matando borboletas 
eu amo-te, e a minha alegria morde a tua boca de ameixa. 

Quanto te terá doído habituares-te a mim, 
à minha alma bravia e solitária, ao meu nome que todos afugentam. 
Vimos tantas vezes Vénus arder, enquanto nos beijávamos nos olhos
e sobre as nossas cabeças se destorciam os crepúsculos em leques giratórios. 

As minhas palavras choveram sobre ti numa carícia. 
Amei desde cedo o teu corpo de nácar ao sol. 
Creio-te mesmo dona do Universo. 
Trar-te-ei das montanhas flores alegres, "copihues", 
avelãs escuras, e cestas silvestres de beijos. 
Quero fazer contigo 
O que a primavera faz com as cerejeiras.



Pablo Neruda

De : maria helena guimarães

VEM MEU AMIGO
 
 
 
 
Vem, senta-te a meu lado, meu amigo
neste silêncio verde de floresta.
Senta-te aqui , quero falar contigo
do que nosso amor, tão breve , resta.
Recordas-te daquela tarde linda
em que o sol punha na terra matiz ?
Beijaste-me a boca, em ternura infinda
e nos teus braços eu fui tão feliz.
Escorria alegria dos meus olhos
quando , percorrendo só esses caminhos
sabia, que para lá desses escolhos
estavas tu , querendo meus carinhos.
Queimavam de prazer os meus sentidos
quando , inibriada nos teus olhos ternos,
nos corpos ardendo, já perdidos,
trocavamos , na tarde , amores eternos.
Agora percorro só esses caminhos.
Nos meus olhos não há já alegria,
já não há prazer, não há carinhos,
somente a dor e a nostalgia
 
 
Maria Helena Guimarães
 
do livro " Intimidades " /// 1994.
 
Nos meus olhos não há já alegria
 
 
 

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Hamilton Ramos Afonso

Vestida a tua nudez
com o calor do meu corpo desnudado,
o silêncio do quarto é apenas quebrado ...

pelo crepitar da lenha de dois corpos em combustão...
No rescaldo da fogueira resta a certeza
que ainda consigo iluminar-te o corpo...
 
 
 
Hamilton Ramos Afonso