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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Nuno Júdice //// Cama

Cama

 Podia ser uma cama aberta no horizonte
 e os teus cabelos num poente incendiado.
 Podia ser o teu sexo num cume de monte,
 e os teus seios despidos sobre este prado.
 A mão que esconde mais do que oferece,
 os olhos de presa dominando o caçador.
 E os teus lábios que murmuram a prece
 de quem só reza no instante do amor.
 E se falasse dos teus olhos, dos teus braços
 desse corpo em que me perco e te ganho,
 não mais acabaria o que tem de acabar;
 uma respiração de suspiros e de abraços
 neste canto em que és tudo o que eu tenho,
 nesta viagem em que não tem fundo o mar.

Nuno Júdice   

De Ricky



Um Mundo de Sonho/Um Sonho de Mundo
 Deslizo pelas rugas dos lençóis,
 O lume do dia
 Vem brincar sobre o teu corpo.
 Olho-te…Espero-te…
Saímos,
 Vulgos exploradores,
 Com vontade de descobrir recantos
 Torná-los nossos.
 Naquela loucura infantil
 Característica dos amantes.
 Conduzida por Ti, sorvo ruelas
 Vislumbro varandins a dourar ao sol
 Dirigimo-nos ao mar
 Sabes sempre,
 Adivinhas sempre, onde quero estar!
 Sol, areia e salpicos salgados.
 Envolto pelas lágrimas marinhas,
 Reflectes-te em mil pedaços,
 Cada qual com o seu brilho,
 A sua cor…
As minhas mãos procuram as tuas,
 Querem entrelaçá-las, guardá-las…
Hoje, tenho as tuas gargalhadas,
 Diluídas na brisa fresca que teima em brincar com os meus cabelos.
 Os raios de sol vêm,
 Suavemente,
 Despedir-se de nós….
Deslizo pelas rugas dos lençóis
 E, acordo d’um dia perfeito
 No sonho de uma noite.


 Ricky 

 


terça-feira, 29 de setembro de 2015

Ricardo - águialivre

AMOR IMAGINÁRIO...
 
 

 Amo-te numa caminhada pura, sem desdém
 Sentindo escuso meu entregue sentimento
 Como flor seca que se oferecida a alguém
 Esvoaça sem destino pelas ruelas do vento
 Pensar profundo no jornadear pela vivência
 Sendo o coração fino elixir de subtil alento
 São teus olhos o luar da minha existência
 Qual estrela de amor em meu pensamento
 Vivo esta ilusão em desamor de esperança
 Onde o renascer é folha seca que balança
 Pelos ancoradouros da minha fé esquecida
 Quero-te em sublime conflito do verbo sentir
 Por ti sinto doce carinho não consigo mentir
 Sabendo que nunca terei teu amor nesta vida
Ricardo- águialivre 



segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Edgardo Xavier


Nesta Noite
Tu és no vazio o meu desejo
 o corpo firme a pedra bruta
 a rubra lucidez astuta
 a língua de aço cortante
Para ti estou aqui e sou distante
 até que suba pela minha à tua boca
 até que te desça feroz a humanidade
 e te iguale na sede à liberdade
Nesta noite só tu és claridade.

Edgardo Xavier


 Publicado RDL, 2015
 Ilustração de Kenji-Yoshida. 



Edgardo Xavier

 Não fora o teu olhar a ditar-me o caminho
 e seria mais um na guerra dos sentidos.

Assim, bebo na tua boca a vida e
 aos teus silêncios amarro a minha sede.
 As tuas palavras são a lei do meu espírito
 e o teu corpo o meu campo de luxúria.

Contigo sinto azul em qualquer céu.



EDGARDO XAVIER
 XVIII


 in AZUL COMO O SILÊNCIO (Chiado Ed., 2014)   




domingo, 27 de setembro de 2015

Ricardo- águialivre //// Apetece-me.....


Apetece-me viajar por entre as raias do teu sonhar
.............





 Apetece-me viajar por entre as raias do teu sonhar
 Amanhecer deitado na nobreza do teu sentimento
 Serenamente absorver toda a doçura do teu olhar
 Fazer do teu carinho o elixir do meu pensamento
 .
 Apetece-me trilhar admirando secas folhas caídas
 Pelo abandono das pétalas da leviana melancolia
 Sentir no meu peito tuas lágrimas finas e sentidas
 Seres a luz do meu alento, feito brilho do meu dia
 .
 Apetece-me caminhar entre ventos e favos de mel
 Como a abelha adeja em jardim de aromada flor
 Sentir tua ternura esquecida de uma relação cruel
 E em silêncio, saber dizer-te: Amo-te meu amor

 .......
 
 
 
Publicada por Ricardo- águialivre 





sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Eduardo Baqueiro //// Teu corpo

Teu corpo
 
 
 Algo emana de teu corpo
 que me enfeitiça
 Um misto de doçura e paixão
 Aliado à malícia de teu olhar
 A tua voz meiga e suave
 chega até mim como braços
 me aquecendo do frio da solidão
 Teu cheiro natural me deixa inebriado
 Este teu jeitinho de menina peralta
 que faz meu coração bater
 descompassado
 Tua graça e teus dengos
 fazem de mim um menino carente
 de teu amor
 Vem menina,
 se encoste em meu ombro
 e deixa o tempo passar
 Deixa-me viajar no teu corpo,
 desvendar alguns mistérios
 que me enfeitiçam
 Quero esgotar toda carência
 que tenho de você
 Para depois começar tudo novamente
 Teu corpo é um universo
 onde eu descanso minha alma
 Nele eu sinto o azul do céu
 o brilho da lua e a brisa do mar
 Teu corpo é meu leito onde me deleito
 onde me perco para depois
 te reencontrar e novamente sonhar 

Eduardo Baqueiro