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quarta-feira, 3 de abril de 2013

No Teu Poema - Carlos do Carmo






Este poema ... a maior elevação de qualquer alma ... a profundeza de uma lágrima ... mostra exactamente como o amor é o melhor , o maior sentimento do mundo ... feliz aquele que o encontra e sente ... amar é a maior grandeza de um alma é saber dar, receber, compartilhar e ... cuidar uma vida inteira .... é ter a coragem de sofrer ... sorrir .... e ser feliz e infeliz na mesma medida ... viva o amor ... ESTE POEMA É SIMPLESMENTE FANTÁSTICO....







Leio o amor no livro.... NUNO JÚDICE

Leio o amor no livro
da tua pele; demoro-me em cada
sílaba, no sulco macio
das vogais, num breve obstáculo
de consoantes, em que os meus dedos
penetram, até chegarem
ao fundo dos sentidos. Desfolho
as páginas que o teu desejo me abre,
ouvindo o murmúrio de um roçar
de palavras que se
juntam, como corpos, no abraço
de cada frase. E chego ao fim
para voltar ao princípio, decorando
o que já sei, e é sempre novo
quando o leio na tua pele.

Nuno Júdice





















Reter / Paula Raposo




Hoje recapitulo
as gargalhadas
e as cores do arco-íris
que isolo quando me reaproximo
ou quando te revejo
regressar inesperadamente.

Hoje refaço a calma
e realojo o amor
no lado certo da vida.

Paula Raposo

terça-feira, 2 de abril de 2013

NUNO JÚDICE, in O ESTADO DOS CAMPOS (Pub. Dom Quixote, 2003)



FLOR DA PAIXÃO

Uma em cada ombro, rodeando o rosto
de olhos fechados, as flores são brancas, como  o vestido cujas alças deixam a descoberto
o busto, de onde os braços nascem, cingindo
o corpo até ao ventre. Sigo, então, o desenho das
sobrancelhas, que encontram um reflexo no
princípio de olheiras que pendem
das pálpebras; e quase poderia tocar o nariz,
onde sinto o frémito da respiração
provocado pelos lábios fechados com força,
como se uma tensão interior obrigasse
o corpo a reagir ao peso da alma. Esta
mulher és tu: agora que puxo as alças
do vestido para vora dos braços, e encontro
a nudez do teu corpo sob as flores
da paixão. Mas não quero que abras
os olhos nem os lábios: respira, apenas,
mais devagar, sentindo o perfume
da tarde; e enquanto dispo, pétala a pétala,
o jardim que me abres, ouço a música
de um cair de roupa no chão
do poema.





 






segunda-feira, 1 de abril de 2013

De : JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS,




MEU AMOR

Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.


Meu limão de amargura meu punhal a escrever
nós parámos o tempo não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.


Meu amor meu amor
meu pássaro cinzento,
a chorar lonjura,
do nosso afastamento.


Meu amor meu amor
meu nó de sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento
este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar.


 







De ; Sophia de Mello Breyner e Andresen



Para atravessar contigo o deserto do mundo 
Para enfrentarmos juntos o terror da morte 
Para ver a verdade para perder o medo 
Ao lado dos teus passos caminhei. 

Por ti deixei meu reino meu segredo 

Minha rápida noite meu silêncio 

Minha pérola redonda e seu oriente 

Meu espelho minha vida minha imagem 

E abandonei os jardins do paraíso. 


Cá fora, à luz, sem véu, do dia duro 

Sem os espelhos vi que estava nua 

E ao descampado se chamava tempo 


Por isso com teus gestos me vestiste. 

E aprendi a viver em pleno vento. 


Sophia de Mello Breyner e Andresen





Uma rosa do meu jardim