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domingo, 9 de dezembro de 2012

Dialética do amor



De teu amanhecer ao meu
há um silêncio
de gelos na alma
uma dor
de espinho
entre a unha e a carne

Mulher metade fogo, metade pássaro
me queimo,
me consumo
entre o delírio de tuas pernas
eu voo
e me desmancho
no ritmo de teu sexo

Como não te amar
se contigo sempre
nasce a alegria
 
 
 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Cada pessoa.....


“Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sozinha,
é porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra!
Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha
e não nos deixa só porque deixa um pouco de si
e leva um pouquinho de nós.
Essa é a mais bela responsabilidade da vida
e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso.”
Charles Chaplin
 
 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Pablo Neruda - "Me gustas cuando callas..." en su voz




Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.


Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.

Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.

Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.

Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.

Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.


Pablo Neruda

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Soneto de Mal Amar






Invento-te    recordo-te e distorço 


a tua imagem mal e bem amada 
sou apenas a forja em que me forço 
a fazer das palavras tudo ou nada. 

A palavra desejo incendiada 

lambendo a trave mestra do teu corpo 
a palavra ciúme atormentada 
a provar-me que ainda não estou morto. 

E as coisas que eu não disse? Que não digo: 
Meu terraço de ausência    meu castigo 
meu pântano de rosas afogadas. 

Por ti me reconheço e contradigo 

chão das palavras mágoa joio e trigo 
apenas por ternura levedadas. 


Ary dos Santos, in 'O Sangue das Palavras'

De . CLÁUDIO CORDEIRO, « VERDADE VIVA »




VERDADE VIVA

A verdade é o 


chão da terra que
foge de mim ao meu encontro.

Sou uma folha

de luz inspirada em
água de pão e ar transpirado.

Vivo por um respiro
onde vejo o que nada é,
claro que sei se estou onde
não sei, senão seria, apenas talvez.

É por ti que fortifico



as folhas da verdade viva
sem me importar com o pão
ou fugir da água que por mim respira.


 


 


 


 

sábado, 1 de dezembro de 2012

Urgentemente





É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.


É urgente destruir certas palavras

ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.


É urgente inventar alegria,

multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.


Cai o silêncio nos ombros,

e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.


Eugénio de Andrade

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Quanto Mais Amada Mais Desisto




De amor nada mais resta que um Outubro 
e quanto mais amada mais desisto: 
quanto mais tu me despes mais me cubro 
e quanto mais me escondo mais me avisto. 

E sei que mais te enleio e te deslumbro 

porque se mais me ofusco mais existo. 
Por dentro me ilumino, sol oculto, 
por fora te ajoelho, corpo místico. 

Não me acordes. Estou morta na quermesse 
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie 
nem teus zelos amantes a demovem. 

Mas quanto mais em nuvem me desfaço 

mais de terra e de fogo é o abraço 
com que na carne queres reter-me jovem. 


Natália Correia, in "O Dilúvio e a Pomba"