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terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Mais uma poesia de Rafael de León

 NECESSITO DE TI

 

Necessito de ti, de tua presença,

de tua loucura alegre enamorada.

Não suporto que invada minha morada

de penumbra, sem os lábios, de tua ausência.

 

Necessito de ti, de tua clemência,

da fúria de luz de tua mirada;

esta vermelha e tremenda labareda

que me impões, amor, de penitência.

 

Necessito de tuas rédeas de cordura

e ainda se, às veze, teu orgulho me tortura

do meu posto de amante não me demito.

 

Necessito do mel da tua ternura,

do metal de sua voz, tua calentura.

Necessito de ti, te necessito.



NECESITO DE TI

Rafael de Léon

 

Necesito de ti, de tu presencia,

de tu alegre locura enamorada.

No soporto que agobie mi morada

la penumbra sin labios de tu ausencia.





domingo, 24 de janeiro de 2021

Mãos lùbricas.....

Mãos lùbricas 

Sei o quanto te descomponho
quando caminhando com a minha boca ,
para a fonte da tua ,
as mãos se demoram longamente nos teus seios ,
acariciando-os e negando, o que me pedes,
apenas tocando-os ao de leve ,
como se pega numa peça de fruta delicada
para a não macular…
Sei o quanto te descomponho quando ,
antes de respirar pela tua boca me demoro ,
com ela nos mamilos saltando de um para outro
como a ave que procura alimento saltita de lado para lado…

Sei o quanto te descomponho
quando finalmente franqueio a tua boca
em grito transformado
e uso as mãos lúbricas para te repuxar o corpo
e causar o supremo desalinho de um corpo a contorcer-se de prazer
e as mãos ardem com a temperatura da tua pele suada…




Teresa Silva Carvalho - Um pouco mais de Sol




Fados "antigos" sempre actuais..

Vasco Graça Moura

 

Photo: Erwin Blumenfeld


















é nas sombras da noite que respira
entre o sono e o sonho a tua imagem
não sei se parte ou chega de viagem
e não sei se é verdade ou se é mentira

sei que tu vens nas horas mais ansiosas
e que é dentro de mim que te insinuas
e sei que a noite derramou as suas
golfadas de luar sobre estas rosas

e há nelas os enganos de que falo
em pétalas de fogo e de ilusão,
pulsando no bater do coração
quando não há ninguém para escutá-lo,

nesse rumor tão triste me reduz
(não digas nada, meu amor, eu sei)
à minha solidão a tua lei...
e as rosas são de música e de luz


Vasco Graça Moura

sábado, 23 de janeiro de 2021

De novo Pierre Rosin

 NESTE BANQUETE

 

Neste banquete

Há de haver especiarias de vinho de mel

de pimenta preta canela cardamomo

de músicos um cigano que dança

um poeta dirá amor

outro

na euforia da noite

cantará dos amores as cores

 

Noz-moscada

coentro

pimenta verde açafrão

 

Minha mão desliza no seu ombro

uma emoção na ponta dos dedos

tu acaricias meu cabelo

Eu te olho

Tu me sorris

 

O céu ostenta reflexos rosa e ocre

a festa vai durar

nós os encontraremos novamente

de manhã


De novo Pierre Rosin





 


Maria Teresa Horta //// Refúgio....

 Maria Teresa Horta //// Refúgio....

Abrigo-me de ti
de mim não sei
há dias em que fujo
e que me evado
há horas em que a raiva
não sequei
nem a inveja rasguei
ou a desfaço
Há dias em que nego
e outros onde nasço
há dias só de fogo
e outros tão rasgados
Aqueles onde habito
com tantos dias vagos

Maria Teresa Horta




Eugénio de Andrade

POESIA
adormecer
Cansado de ser homem durante o dia inteiro
chego à noite com os olhos rasos de água.
Posso então deitar-me ao pé do teu retrato,
entrar dentro de ti como num bosque.
É a hora de fazer milagres:
posso ressuscitar os mortos e trazê-los
a este quarto branco e despovoado,
onde entro sempre pela primeira vez,
para falarmos das grandes searas de trigo
afogadas na luz do amanhecer.
Posso prometer uma viagem ao paraíso
a quem se estender ao pé de mim,
ou deixar uma lágrima nos meus olhos
ser toda a nostalgia das areias.
É a hora de adormecer na tua boca,
como um marinheiro num barco naufragado,
o vento na margem das espigas.
Eugénio de Andrade