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quarta-feira, 2 de dezembro de 2020
Gianni Aterrano - Poema
Hamilton Ramos Afonso
Clássicos
Hamilton Ramos Afonso
Alma desnudada
de jura mútua de amor eterno...
Hamilton Ramos Afonso
Outra poesia de Jesús Andrés Pico Rebollo
Outra poesia de Jesús Andrés Pico Rebollo
DESNUDO FRENTE AL MAR
Jesús Andrés Pico Rebollo
Desnudo frente al mar sólo es posible
adentrarse en el cuerpo compañero de espumas
blandamente tendido a nuestro lado
surcado por la quilla húmeda de los besos
buscar entre las algas agitadas del fondo una ofrenda de sangre
asir las tablas rotas legados de naufragios
antiguos como el hombre o la mujer que somos
vaciar con las redes pescadoras de sueños
entrañas oceánicas cordilleras de sombra
renovar en la arena la huella de la noche
endulzar con saliva los caminos de sal
y buscar en los ojos del mar enamorado
el verde más profundo donde conjugar la luz.
Amar amar tan sólo sin preguntar siquiera
por qué el amor mantiene a flote fuera del mar la vida.
NU FRENTE AO MAR
Nu de frente para o mar só é possível
entrar-se no corpo companheiro de espumas
suavemente estendido ao nosso lado
sulcado pela quilha molhada dos beijos
buscar entre as algas agitadas do fundo por uma oferenda de sangue
agarrar as tábuas quebradas legados de naufrágios
antigos como o homem ou mulher que somos
esvaziar com as redes de pescadoras de sonhos
entranhas oceânicas cordilheiras de sombra
renovar na areia a trilha da noite
adoçar com saliva as estradas de sal
e buscar com os olhos do mar enamorado
o verde mais profundo onde conjugar a luz.
Amar amar tão só sem nem mesmo perguntar sequer
por que o amor se mantém à tona fora do mar da vida.
Ilustração: https://instagrammernews.com/.
terça-feira, 1 de dezembro de 2020
Adeus. Eugénio de Andrade
Adeus. Eugénio de Andrade

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou
não chega para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade, uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor…,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza de que todas as coisas
estremeciam só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
Joaquín Antonio Peñalosa
AUNQUE ES DE NOCHE
No es mía la noche
de vasos rojos y de besos rojos.
Ni siquiera la noche que amortaja
conciencia y ojos en el camposanto del sueño.
Mía es la noche del suero
que eterniza la gota y el quejido
La noche del asfalto del trailer
que soporta con café y con aspirinas.
La noche de las redes que acechan
los jardines flotantes de los peces.
La noche de los relâmpagos
que aluzan entre abismos
el paso de la mula y del indio.
La noche de vendimia de mujeres,
a elegir esclavas a precios razonables.
Mía la noche con olor laboral de obrero;
si la fábrica para, para el universo,
¿y el obrero, qué?
La noche rodante del metro
donde los sin-techo cabecean,
el mismo tabaco, la misma ruta.
Mía la noche de los barrotes,
prohibida la entrada a la luna y la justicia.
Tantos son los expertos de la noche,
tan pocos los centinelas del alba.
Joaquín Antonio Peñalosa
Joaquín Antonio Peñalosa
(Trad. A.M.)



