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segunda-feira, 20 de junho de 2016

Orlando Zabelo

Quis surpreender-te,
convidei-te para jantar,
levei-te à praia
com mesa posta à beira-mar
adoraste a ideia,...

o entardecer está lindo
a felicidade no teu rosto
conta-me o resto
a noite... essa...
apenas a nós pertence.



Orlando Zabelo   



 

domingo, 19 de junho de 2016

MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA


DEPOIS DE TUDO, FICA A LEMBRANÇA DOS LUGARES


 
Depois de tudo, fica a lembrança dos lugares e...
dos seus nomes; dos quartos virados a poente
onde as imagens do rio nunca se repetem nas janelas
e todos os enredos são consentidos sobre as camas.
Ao fundo, havia um armário de madeira com espelho
onde as nossas roupas trocavam de perfume
para que os dias se vestissem sempre melhor.
E, sobre a cómoda, num espelho mais antigo,
a tarde reflectia algumas das alegrias da infância.
Não era o quarto de nenhum de nós,
mas a ele regressávamos sempre com a pressa
de quem anseia os cheiros quentes e antigos
da casa conhecida; como quem espera ser aguardado.
Pressenti, porém, que não era eu quem aguardavas:
uma noite, pedi-te mais um cobertor em vez de um abraço.
 
 
MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA,
 
 in POESIA REUNIDA (Quetzal, 2012) 
 
 
 
 
 

sábado, 18 de junho de 2016

Fernando Campos de Castro

MORRER DE AMOR

Acende as tuas mãos que o corpo pede
E deixa que depois tudo aconteça
Nas fontes do meu peito mata a sede...

Até que tudo em mim se desfaleça

Afaga os meus cabelos com ternura
Afunda nos meus braços teus desejos
Respira em cada poro esta loucura
No oceano imenso dos meus beijos

Segreda-me palavras que enlouquecem
Navega no meu corpo em ondas loucas
Toquemos nossos lábios que se acendem
No fogo de prazer das nossas bocas

Desliza as tuas mãos pelo meu rosto
Beijando as minhas lágrimas de dor
E deixa sobre mim esse teu gosto
Até que tudo em nós morra de amor


 Fernando Campos de Castro

HELENA GUIMARÃES

A alma a esvoaçar
o espaço,
dedos a definir
imaginários
contornos,...

o pensamento
submerso,
o sol aquietando-me
o peito,
neste sentir sem jeito,
sem razão,
num universo de sonho
a fluir na quietude
da tarde.
Sorvo o deleite
que invento,
embriago-me
no sentimento
para esquecer
o medo,
a angústia
da dúvida
que na razão
desperta
a cada
momento.



HELENA GUIMARÃES
Janeiro 2003  


 

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Clarice Lispector



 
(re)versos  


 
Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...


(Agora leia de baixo para cima)

  
Clarice Lispector

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Uma poesia de Alexander Pushkin





I loved  you

Alexander Pushkin

I loved you, and I probably still do,
And for a while the feeling may remain...
But let my love no longer trouble you,
I do not wish to cause you any pain.
I loved you; and the hopelessness I knew,
The jealousy, the shyness - though in vain -
Made up a love so tender and so true
As may God grant you to be loved again.
 
 
 
Eu te amei

Eu te amei, e eu provavelmente ainda amo,
E por um tempo o sentimento pode permanecer ...
Mas, não deixe o meu amor criar problemas para você,
Eu não quero te causar nenhuma dor.
Eu te amei; e a desesperança que eu conheci,
O ciúme, a timidez - embora em vão -
Levaram-me a um amor tão terno e tão verdadeiro
Como só Deus pode conceder-te para ser amada de novo.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Frncisco Valverde Arsénio

É TÃO SIMPLES ESPERAR POR TI














Espero-te num poema
que não fale de pássaros
nem de borboletas,
onde a noite não tem estrelas
nem as ondas do mar beijam a areia.

Espero-te sem arco-íris
ou fénix renascida,
sem o vento a fustigar a copa das árvores,
as sombras caladas nas paredes,
sorrisos distorcidos pelos espelhos
ou janelas viradas para a linha do horizonte.

Espero-te sem palavras
que falem da lua,
do pôr-do-sol,
das cordas de uma harpa
ou do madrepérola
dos botões dum acordeão.

Espero assim,
como da primeira vez que te vi
e em que um único beijo nos prendeu.

Espero-te tal como és
sem artifícios,
sem poses ensaiadas,
sem cobrar o meu silêncio
ou mendigar o meu corpo.

Espero-te… como és,
na simplicidade…
na tua simplicidade.
  
 
 
Francisco Valverde Arsénio