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terça-feira, 14 de junho de 2016

Guardei para ti as madrugadas do sonho...
quando disse que te amava
os meus olhos plenos de ti escorreram
pelo sol que era a lua encostada no teu rosto
beijos de ternura nasceram nos meus lábios...

o sorriso onde a realidade ainda não doía
levitava nesse querer ver~te em toda a parte
Já nada mais havia senão o teu rosto e o teu nome
hoje sei que o tempo me doi e me enlouquece
e as lágrimas que me adentram são inúteis
_as palavras são sufocos instalados na rotina-
A saudade há-de gelar e o sol será a sombra
essa mesma não mais que um resquício dos enganos
onde a verdade nunca foi mais que um sonho em sobressalto
Um dia rir-me-ei de ser menina
nesse dia serei mais mulher
será tarde ,digo eu, mas será ainda cedo p'ra saber
que há um tempo em que se sofre por se amar
uma sombra perseguida na memória
ninguém muda assim tanto de si mesmo
esse será o tempo de partir!

Autor desconhecido ????  Me parece que não

mas...... publico à mesma.



Joaquim Pessoa // poema sexagéssimo terceiro ( excerto )





 O amor move-se em círculos
como uma divindade.

A minha língua de petrarca
afunda-se na tua boca para retirar água dos sonetos
do teu corpo, num beijo molhado de sílabas frescas, restos
das odes, barcarolas e canções dos primeiros poetas,
esses poetas desconhecidos cujo amor se perdeu
na inquietação dos dias que nunca foram primavera.
Busco esse amor como uma chave desconhecida
algures dentro de ti e da tua linguagem,
como o cálice de ouro dos antigos cruzados que
mataram por amor. E eu mato-me, sim, mato-me
por amor de ti, e por amor de mim em ti, tu és
o meu cálice sagrado, és o meu vinho, a
minha interminável disputa.

Pudesse eu morrer numa fogueira de versos
e morreria feliz, morreria cantando.
  
Joaquim Pessoa   
 
 
  
 
 
 
 


 
Joaquim Pessoa
in GUARDAR O FOGO
Editora Edições Esgotadas, 2013.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

são reis

Bebo dessa tua saudade
que ainda arde
que ainda queima
e dói
por tudo o que poderia ter sido

por tudo o que não foi
Bebo desse amor
que ainda floresce
que ainda transparece
em cada gesto
em cada silêncio
em cada baixar de olhos
como se as coisas fossem todas
assim tão simples de serem ditas
Mãos frias estas minhas
que se aquecem a cada lembrança tua
como pequenas covardias
a que me permito
sempre que respiro


são reis
13jun16    



Foto de São Reis.


terça-feira, 7 de junho de 2016

Isabel de Sousa


No fundo dos teus olhos

 Anoiteço no fundo dos teus olhos
e na noite, sub-repticiamente
instala-se a cortina do silêncio
Emolduro o teu rosto
no cansaço dos dias baços
e procuro-te na luz maior
de todas as constelações e de todas as criações
no fundo dos teus olhos
é que as palavras se entrelaçam
em dedos de ternura e afagos consentidos
É no fundo dos teus olhos
que amanhecem os dias solares
clandestinos na alma da cidade
as gaivotas
invertem o sentido do vôo
o meu desejo
anoiteço no fundo dos teus olhos
e é no fundo dos teus olhos
que amanheço.


De Isabel sousa(luadiurna)






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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Hamilton Ramos Afonso //// A alma e as mãos....






 
 
Todos os nossos gestos de afecto começam na alma ,
que nos dita a vontade de interagir
com o nosso semelhante , das diferentes formas
que os afectos revestem, seja , o amor, a amizade
ou apenas um gesto de solidariedade
por causas mais diversas...
A vontade da alma ,
transmite-se ao veículo onde tudo começa,
as nossas mãos,
que vazias se preenchem de ternura ,
carinho, vontade de ajudar,
estendendo-se para quem delas necessita
servindo de lenitivo,
alento,
refrigério para as agruras da vida
e calor solidário face a uma situação
de penúria ou de desgaste...
São estas mãos vazias
que quero encher com as tuas
para que sintas que elas te ajudarão
em horas de dificuldades, com a ternura
e o carinho que já conheces.
 
 

Hamilton Ramos Afonso 



                                                              

sábado, 4 de junho de 2016

CESÁRIO VERDE



NUM ÁLBUM

I...

És uma tentadora: o teu olhar amável
Contém perfeitamente um poço de maldade,
E o colo que te ondula, o colo inexorável
Não sabe o que é paixão, e ignora o que é bondade.
 
 

 II
Quando me julgas preso a eróticas cadeias
Radia-te na fronte o céu das alvoradas,
E quando choro então é quando garganteias
As óperas de Verdi e as árias estimadas.
 
 

 III
Mas eu hei-de afinal seguir-te a toda a parte,
E um dia quando eu for a sombra dos teus passos,
Tantos crimes terás, que eu hei-de processar-te,
E enfim hás-de morrer na forca dos meus braços.


CESÁRIO VERDE   



quinta-feira, 2 de junho de 2016

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NEM SEI

Eu não sei quem te amará, meu amor,
quando eu te deixar,
se a flor do amor secar,
se eu te deixar algum dia.
 
Nem sei se, num lapso de memória,
não amanheces, uma manhã qualquer,
sem te lembrares de mim sequer.
Nem sei se serei capaz de amar;
se tu serás capaz de amar
quando a solidão pesar
nos dias que virão.
Se ainda estarei vivo, ou não,
ou incapaz de lembrar de uma canção.
Nada sei do amanhã:
se há um barco, um navegar, um porto
um lugar onde chegar
sem me sentir absorto
e, se for possível, das tormentas do viver descansar.
 
 
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