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terça-feira, 5 de agosto de 2014

são reis /// Leva-me as rosas



Leva-me as rosas
mas deixa-me o seu perfume...


Leva-me a luz do dia
mas deixa as tuas lembranças

leva-me o brilho que tive
mas deixa-me os olhos
para que de novo me possa embevecer
com mais rosas
com mais perfume
com mais saudade
com mais magia
com mais tu
com mais companhia
tão ausente como a tua
vagueando pela mente
enquanto eu me passeio tão longe de ti
enquanto eu fico pedindo à lua
que te traga pra junto de mim
 
são reis
 
 
 
 
Foto: POEMA   ////   Leva-me as rosas

De: são reis 

Leva-me as rosas
 mas deixa-me o seu perfume
 
Leva-me a luz do dia
 mas deixa as tuas lembranças
 
leva-me o brilho que tive
 mas deixa-me os olhos
 para que de novo me possa embevecer
 com mais rosas
 com mais perfume
 com mais saudade
 com mais magia
 com mais tu
 com mais companhia
 tão ausente como a tua
 vagueando pela mente
 enquanto eu me passeio tão longe de ti
 enquanto eu fico pedindo à lua
 que te traga pra junto de mim

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Hamilton Afonso.




O principal privilégio de quem ama,

é o de poder transformar o seu coração,

em lugar de acolhimento, sem algemas,

sem portas fechadas, com janelas escancaradas,

para que a pessoa amada, se sinta e permaneça,

sempre, em total liberdade...


Hamilton Afonso.
Foto: O principal privilégio de quem ama,   é o de poder transformar o seu coração,  em lugar de acolhimento, sem algemas,  sem portas fechadas, com janelas escancaradas,  para que a pessoa amada, se sinta e permaneça,  sempre, em total liberdade...    Hamilton Afonso.



Pablo Neruda //// Para nascer nasci...




Para nacer he nacido

Pablo Neruda

UN AMOR

Por ti junto a los jardines recién florecidos me duelen los perfumes de la primavera.
He olvidado tu rostro, no recuerdo tus manos, ¿cómo besaban tus labios?.
Por ti amo las blancas estatuas dormidas en los parques, las blancas estatuas que no tienen voz ni mirada.
He olvidado tu voz, tu voz alegre, he olvidado tus ojos.
Como una flor a su perfume, estoy atado a tu recuerdo impreciso. Estoy cerca del dolor como una herida, si me tocas me dañarás irremediablemente.
Tus caricias me envuelven comos las enredaderas a los muros sombríos.
He olvidado tu amor y sin embargo te adivino detrás de todas las ventanas.
Por ti me duelen los pesados perfumes del estío: por ti vuelvo a acechar los signos que precipitan los deseos, las estrellas en fuga, los objetos que caen.

Para nascer nasci

Pablo Neruda

Um amor

Por ti junto aos jardins recém floridos me doem os perfumes da primavera.
Já esqueci o teu rosto, não recordo tuas mãos, como beijavam os teus lábios?.
Por ti amo as brancas estátuas dormidas nos parques, as brancas estátuas que não têm tua voz nem teu olhar.
Esqueci a tua voz, a tua voz feliz, me esqueci de teus olhos.
Como uma flor a seu perfume, estou atado à tua memória imprecisa. Estou próximo da dor como uma ferida, se me tocas me machucarás irremediavelmente.
Tuas carícias me envolvem como as trepadeiras aos muros escuros.
Esqueci o teu amor e, sem embargo, te adivinho por trás de todas as janelas.
Por ti me doem os perfumes pesados ​​de verão: por ti volto a perseguir os signos que precipitam os desejos, as estrelas em fuga, os objetos que caem.

Edgardo Xavier //// Sempre que chegas...


 
Sempre que chegas renasço. Saio do nada e regresso, feliz, à tua boca. Tenho-te na febre dos meus dedos e nenhuma parte de ti se esconde à minha sede. Trazes contigo a terra inteira e teus são os aromas de mar, o jeito forte de ter, o fogo e a vontade de gritar. Trazes contigo a liberdade. Sem voz nem lei, andamos em veredas que não sei à procura de segredos. E vamos, batidos pelo som do sangue e dos medos, em busca de tudo o que há de vir. Marco-te de mãos e beijos e ardo nos desejos do teu ventre até que, pastosa, se esgote a noite.
 
EDGARDO XAVIER
 

domingo, 3 de agosto de 2014

Daniel Faria ///// Clausura....


Repito que vivo enclausurado na agilidade de um animal nascido
Correndo ao lado dele, correndo para ele – era assim
Que eu queria que fosse a linguagem veloz:
Uma casa para a infância com trepadeiras
Para que as palavras ficassem como frutos no alto.

Repito acorrida na memória quando estou parado
Penso velozmente que o amor, como
Dante disse, é um estado
De locomoção. É um motor. E fico a trabalhar no mecanismo secreto
Do amor.

Sei que estou em viagem na palavra que se move.
Repito o trajecto para ver o poema de novo – era assim
Que eu queria que fosse a linguagem de uma coisa amada
Correndo ao meu lado, correndo para mim no mecanismo violento
Do amor. Era nele que eu queria a casa com trepadeiras
Onde as palavras ficassem silenciosas e altas como um pátio interior.



Daniel Faria  
 
 
 
 
 

sábado, 2 de agosto de 2014

Hamilton Ramos Afonso ///// Feitiço

beijoooooooooooooooooo


Para compensar a falta
do sol que foi iluminar
outros lugares entrego-te
o meu sorriso e a ternura
do meu olhar...

No olhar trago-te estrelas
que acendi para ti...
...o sorriso irá embalar
o teu descanso com o intenso
brilho a beijar o manto
dos teus cabelos...
 
Hamilton Ramos Afonso


Arte : Olga Gouskova Ольга Гуськова Tutt'Art@ (62) —


Foto: Feitiço...    Hamilton Ramos Afonso    Para compensar a falta  do sol que foi iluminar  outros lugares entrego-te  o meu sorriso e a ternura  do meu olhar...    No olhar trago-te estrelas  que acendi para ti...  ...o sorriso irá embalar  o teu descanso com o intenso  brilho a beijar o manto   dos teus cabelos...    Arte : Olga Gouskova Ольга Гуськова Tutt'Art@ (62)

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Eugénio de Andrade ///// Retrato Ardente


Entre os teus lábios ...
é que a loucura acode
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.



Eugénio de Andrade, in "Obscuro Domínio".