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domingo, 6 de julho de 2014

valter hugo mãe //// Tudo....


devo dizer-te que acredito
seriamente termos tudo
para uma felicidade eterna

já passei do tempo em que
as coisas me pareciam distantes
e sem importância

tua sabes que me interessavam
as ideias mais complexas e uma
certa angústia existencial

agora admito que me ocupam as
pequenas coisas, como o
silêncio perto de ti

esse alheamento de tudo o
resto que me convence de que
contigo me completo

talvez tenhas algo a dizer
sobre isso. talvez mo digas.
por isso te espero com ansiedade

se vieres simplesmente, sem que to
peça, como tem acontecido,
juro que serei teu para sempre.



valter hugo mãe 
 
 
 
 

Maria do Rosário Pedreira /// Facto....

Nunca te esqueci - é este um amor maior
que atravessa a vida e resiste à cicatriz
do tempo. O que ontem me disseste agora
o ouço, como se nada tivesse interrompido
a magia do instante em que as nossas bocas
se aguardavam na distância de um beijo e
o olhar tocava o corpo antes da mão. Se

hoje vieres por esse livro que deixaste (e cuja
lombada acariciei todos os dias que durou a tua
ausência como uma nesga de sol acaricia
um rosto no Inverno), encontrarás a sopa a fumegar
na mesa, e a camisa engomada no cabide, e os
lençóis da cama imaculados, e um corpo pronto
para qualquer aventura - e ainda o cão deitado
à porta, à tua espera, como na véspera de partires.

Porque os anos não contam para quem assim ama.

Maria do Rosário Pedreira
 
 

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Fernando Jorge Benevides /// Espera




Meu amor estás presente
em quase todos os meus desejos
em quase todos os meus devaneios ou um
em quase todos os meus sonhos

estás presente no meu coração

Meu amor
vai ser um tempo de espera
uma espera que aguardo
para gozar essa parte de mim
que és tu!...

Amor!...
há um tempo de espera
apenas porque sou
apenas porque és
apenas porque somos
sem como ou porquês
apenas... porque há respostas
que não se adjectivam
num verbo que se sabe…
imperfeito.


Autor: Fernando Jorge Benevides
 

Sophia de Mello Breyner Andresen, /// Terror de te amar..


Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti eu criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in “Obra Poética”


quarta-feira, 2 de julho de 2014

Sara Montiel La Violetera Best Quality 1958




Sara Montiel  em La Violetera , lindíssimo....


C.C / O amor é....

o amor não cabe na palavra
não cabe no gesto
não cabe no fulminante beijo
não cabe na aderência de corpos
o amor está mais além
do que se diz
do que se pensa
do que se enlaça
quando se consegue dizer
o quanto se ama
é porque se ama muito pouco


 
   
C.C. 



terça-feira, 1 de julho de 2014

De Isabel Sousa ( luadiurna ) Entardece...

Entardece
nas margens do poente
 
bebo o cálice dos sonhos postos
na luz crepuscular  da ilusão

na obliqua transparencia das palavras
ditas
 e das que(nos)ficaram por dizer..

Aah! como doem as vagas mornas
p'lo canto das sereias encantadas
ninfas de esperança.. desgastadas
à espera de um sonho por viver

doi-me este entardecer de lua ausente
paixão tardia que a mim assim vieste
vestida de maresia . amor  agreste 

que veio a  mim ,assim, tão de repente

quisera ser o sol e não poente

quisera ser candeia que alumia
as noites de ternura entrelaçada

quisera ser o dia matinal
onde tudo recomeça, transversal

e não se acaba.

por isso

 meu amor.que seja a noite

Visita de minha alma ..permanente
e  que amanheça
 nas margens do poente.

Isabel Sousa(luadiurna)
 
 




Entardece

nas margens do poente
bebo o cálice dos sonhos postos
na luz crepuscular da ilusão

...
na obliqua transparencia das palavras
ditas
e das que(nos)ficaram por dizer..

Aah! como doem as vagas mornas
p'lo canto das sereias encantadas
ninfas de esperança.. desgastadas
à espera de um sonho por viver

doi-me este entardecer de lua ausente
paixão tardia que a mim assim vieste
vestida de maresia . amor agreste

que veio a mim ,assim, tão de repente
quisera ser o sol e não poente
quisera ser candeia que alumia
as noites de ternura entrelaçada

quisera ser o dia matinal
onde tudo recomeça, transversal

e não se acaba.
por isso
meu amor.que seja a noite
Visita de minha alma ..permanente
e que amanheça
nas margens do poente
.



Isabel Sousa(luadiurna)