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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Maria Olinda Maia /////// Sentir-te

Sentir-te...
Sinto o teu perfume
entranhado na minha pele
como o pulsar do meu coração.

...
A minha alma voa
para ti...
Respiro-te...
Vibro contigo...
Voo em teus braços
sei que estou em ti.

Ouço a tua voz
tão doce,tão meiga
e eu sorrio
para o sorriso dos teus olhos.

Viverás sempre em mim.
És a minha metade,
a minha alma gêmea
  


Maria Olinda Maia






 

: Fernando Jorge Benevides /// Porto de abrigo

Porto de abrigo

Que tal irmos para junto do mar 
e...simplesmente olhar

Ver o bater das ondas no seu vai e vem 
chegando à praia

Por vezes, batendo com tanta força
por vezes, batendo suavemente 
que nos chega aos pés 

Sem pedirmos sem sequer imaginarmos 
que o vento soprando sem pensar
na sua rota constante, incessante e cansada

Batendo, batendo, na suavidade das ondas
que se quebram sem cessar... 

permitindo que o barco 
navegue tranquilo rumo ao infinito 
esbatendo-se num porto que tanto buscamos... 
encalhado, às portas de um rio.

Autor: Fernando Jorge Benevides

Que tal irmos para junto do mar
e...simplesmente olhar

Ver o bater das ondas no seu vai e vem
chegando à praia

Por vezes, batendo com tanta força
por vezes, batendo suavemente
que nos chega aos pés

Sem pedirmos sem sequer imaginarmos
que o vento soprando sem pensar
na sua rota constante, incessante e cansada

Batendo, batendo, na suavidade das ondas
que se quebram sem cessar...

permitindo que o barco
navegue tranquilo rumo ao infinito
esbatendo-se num porto que tanto buscamos...
encalhado, às portas de um rio


 : Fernando Jorge Benevides

domingo, 4 de maio de 2014

Noturno


E se seu beijo, peço a toda hora,
como viajante sedento no deserto,
por quê, então, amor você demora?

Se só seu beijo me mantém desperto.
Você não vê que meu coração chora
se do meu amor não se encontra perto?

E se vê, amor, porque ainda insiste
em me deixar tristonho nessa espera
quando minha vida só por você existe.

Vem! Tê-la nesta noite quem me dera,
pois, esperar mais meu peito não resiste
e o tempo perdido não se recupera.

Miguel Torga



Não me perguntes, porque nada sei
Da vida,
Nem do amor,
Nem de Deus,
Nem da morte.
Vivo,
Amo,
Acredito sem crer,
E morro, antecipadamente
Ressuscitando.
O resto são palavras
Que decorei
De tanto as ouvir.
E a palavra
É o orgulho do silêncio envergonhado.
Num tempo de ponteiros, agendado,
Sem nada perguntar,
Vê, sem tempo, o que vês
Acontecer.
E na minha mudez
Aprende a adivinhar
O que de mim não possas entender.


Miguel Torga




                                  

Chico Buarque /////// Olhos nos olhos




Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci

Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos nos olhos, quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais

E que venho até remoçando
Me pego cantando
Sem mas nem porque
E tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você

Quando talvez precisar de mim
'Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos, quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz


sábado, 3 de maio de 2014

Jose Luis Peixoto /// Este livro


Este livro. passa um dedo pela página, sente o papel
como se sentisses a pele do meu corpo, o meu rosto.

este livro tem palavras. esquece as palavras por
momentos. o que temos para dizer não pode ser dito.

sente o peso deste livro. o peso da minha mão sobre
a tua. damos as mãos quando seguras este livro.

não me perguntes quem sou. não me perguntes nada.
eu não sei responder a todas as perguntas do mundo.

pousa os lábios sobre a página. pousa os lábios sobre
o papel. devagar, muito devagar. vamos beijar-nos.

José Luís Peixoto

Alice de Azevedo

Certo dia
Cruzou-se o nosso olhar
No voo esplendoroso dum sorriso
E, somente nesse instante
Foi preciso
Para que, entrelaçadas
Nossas almas
Descobrissem na Terra
O paraíso!…
 
 
Alice de Azevedo in “EVASÃO”
 

Aguarela de Ben Tour