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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Eugénio de Andrade : Sem ti

Eugénio de Andrade : Sem ti

E de súbito desaba o silêncio.
É um silêncio sem ti,
sem álamos,
sem luas.

Só nas minhas mãos
ouço a música das tuas.

peço-te algumas palavras......tuas...se fazes favor...e seja o que for...


 I only want to love at two times: now and forever!!

De : Garcia Lorca

 Se As Minhas Mãos Pudessem Desfolhar a Lua                                                                                                      



Garcia Lorca
Eu pronuncio teu nome
nas noites escuras,
quando vêm os astros
beber na lua
e dormem nas ramagens
das frondes ocultas.
E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.

Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.

Amar-te-ei como então
alguma vez? Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa se esfuma,
que outra paixão me espera?
Será tranqüila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

POEMA DA ESPERA



Talvez seja melhor
Que não venhas.
Ou, melhor ainda se nunca
tivesses vindo.

Porque se assim fosse
Não sentiria
O que estou sentindo
Tamanha ausência de significado.

Talvez seja melhor
Que não venhas.
Podes não ser
Mais nada do que foi
E só matar
O que houve entre nós dois.

Tanto tempos separados
Deve fazer diferença
E se, de repente,
Somos dois estranhos?

Não, é melhor que não venhas.
Melhor permanecer, como agora,
Sem saber por quais caminhos,
Lugares e bancos
Os teus sonhos repousam.

No entanto há uma parte de mim
Que insiste
Em que, de fato, jamais partistes.
E ainda sonha
Com os dias gloriosos
De tua volta
E me sussura
Que não te esquecerei.

Talvez seja melhor que não venhas-
Repito, ansioso, por ouvir tua voz rouca
Me chamar, novamente, de “Meu lindo”!

"Adela" by Duo Canção do Amôr


O Amor, um Dever de Passagem


 


  Fui envenenado pela dor obscura do Futuro. 
Eu sabia já que algo se preparava contra o meu corpo. 
Agora torço-me de agonia 
nos versos deste poema. 
Esta é a terra outrora fértil que os meus dedos dilaceram. 
Os meus lábios são feitos desta terra, 
são lama quente. 
Vou partir pelo teu rosto para mais longe. 
A minha fome é ter-te olhado 
e estar cego. Agora eu sei que te abres para o fogo 
do relâmpago. 
Tenho a convicção dos temporais. 
já não sei nem o que digo nem o que isso importa. Guia 
dos meus cabelos rasos, da melancolia, 
da vida efémera dos gestos. 
Nesse dia fui melhor actor do que a minha sinceridade. 

A cesura enerva-me no estômago 
Cortei de manhã as pontas dos dedos mas sei já que 
elas crescerão de novo a proteger as unhas. 
Talvez a vida seja estranha, 
talvez a vida seja simples, 
talvez a vida seja outra vida. 
A linha branca da Beleza é a minha atitude que se transforma. 

A violência do sono sobe 
sobre o meu conhecimento. 

Fui algures um horizonte na secessão das pálpebras. 

Nuno Júdice, in "O Pavão Sonoro"

DE : RUY BELO



  • Vestigia Dei



    És tu quem perseguimos pelos lábios
    e tens em equilíbrio os seres e o tempo
    És tu quem está nos começos do mar
    e as nossas palavras vão molhar-te os pés
    Tu tens na tua mão as rédeas dos caminhos
    descem do teu olhar as mais nobres cidades
    onde nasceram os primeiros homens
    e onde os últimos desejarão talvez morrer

    Tu és maior que esta alegria de haver rios
    e árvores ou ruas donde serem vistos
    Por ti é que aceitamos a manhã
    sacrificada aos vidros das janelas
    aceitamos por ti o sol ou a neblina
    que faz dos candeeiros sentinelas
    É para ti que os pensamentos se orientam
    e se dirigem os passos transviados
    e o vento que nos veste nas esquinas

    És sempre como aquele que encontramos
    diariamente pela rua fora
    e a pouco e pouco vemos onde mora
    Só tu é que nos faltas quando reparamos
    que os papéis nos vão envelhecendo
    e os dias um por um morrendo em nossas mãos
    És tu que vens com todos os versos
    És tu quem pressentimos na chuva adivinhada
    quando os olhos ainda se nos fecham
    embora o sono nunca mais seja possível
    É tua a face oposta a todas as manhãs
    onde o tempo levanta ombros de espuma
    que deixam fundas rugas pelas faces

    Os céus contam contigo é para teu repouso
    a terra combalida e sem caminhos
    Ser indecomponível teu corpo foi maior
    que vítimas e oblações. Quando tu vens
    a solidão cai leve como a flor do lírio
    e as aves nos pauis levantam voo
    e há orvalho em teus primeiros pés

    Não assistisses tu a esta nossa vida
    caíssem-nos os gestos ou quebrados ou dispersos
    e nenhum rosto decisivo um dia fecharia
    todas as palavras com que dissemos os versos
    Vestigia Dei



Ruy Belo



És tu quem perseguimos pelos lábios

e tens em equilíbrio os seres e o tempo

És tu quem está nos começos do mar

e as nossas palavras vão molhar-te os pés

Tu tens na tua mão as rédeas dos caminhos

descem do teu olhar as mais nobres cidades

onde nasceram os primeiros homens

e onde os últimos desejarão talvez morrer



Tu és maior que esta alegria de haver rios

e árvores ou ruas donde serem vistos

Por ti é que aceitamos a manhã

sacrificada aos vidros das janelas

aceitamos por ti o sol ou a neblina

que faz dos candeeiros sentinelas

É para ti que os pensamentos se orientam

e se dirigem os passos transviados

e o vento que nos veste nas esquinas



És sempre como aquele que encontramos

diariamente pela rua fora

e a pouco e pouco vemos onde mora

Só tu é que nos faltas quando reparamos

que os papéis nos vão envelhecendo

e os dias um por um morrendo em nossas mãos

És tu que vens com todos os versos

És tu quem pressentimos na chuva adivinhada

quando os olhos ainda se nos fecham

embora o sono nunca mais seja possível

É tua a face oposta a todas as manhãs

onde o tempo levanta ombros de espuma

que deixam fundas rugas pelas faces



Os céus contam contigo é para teu repouso

a terra combalida e sem caminhos

Ser indecomponível teu corpo foi maior

que vítimas e oblações. Quando tu vens

a solidão cai leve como a flor do lírio

e as aves nos pauis levantam voo

e há orvalho em teus primeiros pés



Não assistisses tu a esta nossa vida

caíssem-nos os gestos ou quebrados ou dispersos

e nenhum rosto decisivo um dia fecharia

todas as palavras com que dissemos os versos
     ·  · 
    O


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

De: São Reis





Eu ainda acredito em milagres

Todos os dias vejo um...
..quando o sol insiste e rompe
o mais denso nevoeiro
afasta as nuvens
e resplandecente
aquece a terra orvalhada
e desabrocha as flores
que teimam em se fechar

Quando insistente
acorda as aves
inunda o meu quarto
me desperta
e me lembra
que tenho um dia novinho em folha
esperando que eu o escreva

Eu ainda acredito em milagres. E tu?!
                                                                      

   NOTA:                                                                    
 (contigo à lareira ....dançando ......ou na intimidade de um bar.....bebendo um copo....) srsrsrsrsrsr