| Eugénio de Andrade : Sem ti |
E de súbito desaba o silêncio.
É um silêncio sem ti, sem álamos, sem luas. Só nas minhas mãos ouço a música das tuas.
peço-te algumas palavras......tuas...se fazes favor...e seja o que for...
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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Eugénio de Andrade : Sem ti
De : Garcia Lorca
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
POEMA DA ESPERA

Talvez seja melhor
Que não venhas.
Ou, melhor ainda se nunca
tivesses vindo.
Porque se assim fosse
Não sentiria
O que estou sentindo
Tamanha ausência de significado.
Talvez seja melhor
Que não venhas.
Podes não ser
Mais nada do que foi
E só matar
O que houve entre nós dois.
Tanto tempos separados
Deve fazer diferença
E se, de repente,
Somos dois estranhos?
Não, é melhor que não venhas.
Melhor permanecer, como agora,
Sem saber por quais caminhos,
Lugares e bancos
Os teus sonhos repousam.
No entanto há uma parte de mim
Que insiste
Em que, de fato, jamais partistes.
E ainda sonha
Com os dias gloriosos
De tua volta
E me sussura
Que não te esquecerei.
Talvez seja melhor que não venhas-
Repito, ansioso, por ouvir tua voz rouca
Me chamar, novamente, de “Meu lindo”!
O Amor, um Dever de Passagem
Fui envenenado pela
dor obscura do Futuro.
Eu sabia já que algo se preparava contra o meu corpo.
Agora torço-me de agonia
nos versos deste poema.
Esta é a terra outrora fértil que os meus dedos dilaceram.
Os meus lábios são feitos desta terra,
são lama quente.
Vou partir pelo teu rosto para mais longe.
A minha fome é ter-te olhado
e estar cego. Agora eu sei que te abres para o fogo
do relâmpago.
Tenho a convicção dos temporais.
já não sei nem o que digo nem o que isso importa. Guia
dos meus cabelos rasos, da melancolia,
da vida efémera dos gestos.
Nesse dia fui melhor actor do que a minha sinceridade.
A cesura enerva-me no estômago
Cortei de manhã as pontas dos dedos mas sei já que
elas crescerão de novo a proteger as unhas.
Talvez a vida seja estranha,
talvez a vida seja simples,
talvez a vida seja outra vida.
A linha branca da Beleza é a minha atitude que se transforma.
A violência do sono sobe
sobre o meu conhecimento.
Fui algures um horizonte na secessão das pálpebras.
Nuno Júdice, in "O Pavão Sonoro"
dor obscura do Futuro. Eu sabia já que algo se preparava contra o meu corpo.
Agora torço-me de agonia
nos versos deste poema.
Esta é a terra outrora fértil que os meus dedos dilaceram.
Os meus lábios são feitos desta terra,
são lama quente.
Vou partir pelo teu rosto para mais longe.
A minha fome é ter-te olhado
e estar cego. Agora eu sei que te abres para o fogo
do relâmpago.
Tenho a convicção dos temporais.
já não sei nem o que digo nem o que isso importa. Guia
dos meus cabelos rasos, da melancolia,
da vida efémera dos gestos.
Nesse dia fui melhor actor do que a minha sinceridade.
A cesura enerva-me no estômago
Cortei de manhã as pontas dos dedos mas sei já que
elas crescerão de novo a proteger as unhas.
Talvez a vida seja estranha,
talvez a vida seja simples,
talvez a vida seja outra vida.
A linha branca da Beleza é a minha atitude que se transforma.
A violência do sono sobe
sobre o meu conhecimento.
Fui algures um horizonte na secessão das pálpebras.
Nuno Júdice, in "O Pavão Sonoro"
DE : RUY BELO
-
-
Vestigia Dei
· ·
És tu quem perseguimos pelos lábios
e tens em equilíbrio os seres e o tempo
És tu quem está nos começos do mar
e as nossas palavras vão molhar-te os pés
Tu tens na tua mão as rédeas dos caminhos
descem do teu olhar as mais nobres cidades
onde nasceram os primeiros homens
e onde os últimos desejarão talvez morrer
Tu és maior que esta alegria de haver rios
e árvores ou ruas donde serem vistos
Por ti é que aceitamos a manhã
sacrificada aos vidros das janelas
aceitamos por ti o sol ou a neblina
que faz dos candeeiros sentinelas
É para ti que os pensamentos se orientam
e se dirigem os passos transviados
e o vento que nos veste nas esquinas
És sempre como aquele que encontramos
diariamente pela rua fora
e a pouco e pouco vemos onde mora
Só tu é que nos faltas quando reparamos
que os papéis nos vão envelhecendo
e os dias um por um morrendo em nossas mãos
És tu que vens com todos os versos
És tu quem pressentimos na chuva adivinhada
quando os olhos ainda se nos fecham
embora o sono nunca mais seja possível
É tua a face oposta a todas as manhãs
onde o tempo levanta ombros de espuma
que deixam fundas rugas pelas faces
Os céus contam contigo é para teu repouso
a terra combalida e sem caminhos
Ser indecomponível teu corpo foi maior
que vítimas e oblações. Quando tu vens
a solidão cai leve como a flor do lírio
e as aves nos pauis levantam voo
e há orvalho em teus primeiros pés
Não assistisses tu a esta nossa vida
caíssem-nos os gestos ou quebrados ou dispersos
e nenhum rosto decisivo um dia fecharia
todas as palavras com que dissemos os versos -
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
De: São Reis

Eu ainda acredito em milagres
Todos os dias vejo um...
..quando o sol insiste e rompe
o mais denso nevoeiro
afasta as nuvens
e resplandecente
aquece a terra orvalhada
e desabrocha as flores
que teimam em se fechar
Quando insistente
acorda as aves
inunda o meu quarto
me desperta
e me lembra
que tenho um dia novinho em folha
esperando que eu o escreva
Eu ainda acredito em milagres. E tu?!
Todos os dias vejo um...
..quando o sol insiste e rompe
o mais denso nevoeiro
afasta as nuvens
e resplandecente
aquece a terra orvalhada
e desabrocha as flores
que teimam em se fechar
Quando insistente
acorda as aves
inunda o meu quarto
me desperta
e me lembra
que tenho um dia novinho em folha
esperando que eu o escreva
Eu ainda acredito em milagres. E tu?!
NOTA:
(contigo à lareira ....dançando ......ou na intimidade de um bar.....bebendo um copo....) srsrsrsrsrsr
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