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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Um amor




Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão.
puxaste-me para os teus olhos

transparentes como o fundo do mar para os afogados. Depois, na rua,

ainda apanhámos o crepúsculo.

As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar

diferente inundava a cidade. Sentei-me

nos degraus, do cais, em silêncio.

Lembro-me do som dos teus passos,

uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas,

e a tua figura luminosa atravessando a praça

até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,

o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali,

continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha

essa doente sensação que

me deixaste como amada

recordação.


Nuno Júdice

Imagem retirada do Google

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Soneto à tua volta



(Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Eterno Motivo" " - Prêmio Raul de Leoni,
da Academia Carioca de Letras - 1943)

Voltaste, meu amor... enfim voltaste!
Como fez frio aqui sem teu carinho....
A flor de outrora refloresce na haste
que pendia sem vida em meu caminho.

Obrigado... Eu vivia tão sozinho...

Que infinita alegria, e que contraste!
-Volta a antiga embriaguez porque voltaste
e é doce o amor, porque é mais velho o vinho!

Voltaste... E dou-te logo este poema

simples e humilde repetindo um tema
da alma humana esgotada e envelhecida...

Mil poetas outras voltas celebraram,

mas, que importa? – se tantas já voltaram
só tu voltaste para a minha vida...
 
 
 
Cristina.

Trago na palma da mão a luz diurna

Estefania.



Trago na palma da mão a luz diurna: e a ferida no flanco.

O meu deus, o meu demónio, respira fundo e alto.

Ela, a minha múltipla companheira,

é uma coluna silenciosa e ardente.

A luz sela esta aliança entre o sopro e a matéria

e uma voz se eleva nos barcos do silêncio.


António Ramos Rosa

domingo, 5 de agosto de 2012

Mundo




NO MEU OLHAR ESTOU AUSENTE, NADA ME PRENDE

Domingo, Agosto 05, 2012 ás 02.16 da matina




Poderia falar da madrugada
-o tempo mágico-
e das vozes perdidas
entre gargalhadas
e sons inaudíveis.
Poderia falar da noite
que vem sempre
-inexirável e premente-
deitar-se connosco.
Mas, hoje, só posso falar
de saudade, de beijos;
imponderáveis e devaneios,
que me levam
-entre abraços e carícias-
ao fim do Mundo!


De : Paula Raposo

sábado, 4 de agosto de 2012

Bebo......

RAZÃO

Bebo como se o amanhã não existisse
e, algum dia, esta será toda a realidade.
Bebo para tornar a vida bela
e abrir uma janela de acertos
no tanto que errei.
Bebo porque feliz nunca serei.
Bebo por saber que o futuro
é sempre melhor distorcido
e por ter te amado
e por ter te perdido
num passado
que não tem como voltar.
E a ironia
é que vivo por te amar!

ESTE SUEÑO




Miguel Antonio Jiménez

Este sueño sin párpados es un rumor herido
y este aire de vida es un redondo sueño
donde tus ojos ruedan y me siento su dueño
en el agua que juega consumiendo el gemido

Eres mi agua mi fuego mi primera noticia

la pregunta que envuelve la palabra que asoma
su voz hiela en el aire que toma
mi agudo fuego mi mirada en caricia
ESTE SONO

Este sono sem pálpebras
é um rumor ferido
e este ar
de vida é um redondo sono
onde teus olhos
rodam e eu  me sinto dono
na água
que brinca consumindo o gemido

És
minha água, meu fogo minha primeira notícia
a pergunta que envolve a palavra que assoma
sua voz
gela no ar que toma
meu agudo fogo meu olhar de carícia  



Do BLOG:  BY SPERSIVO

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Diz-me tu





Diz-me tu como te quero.
Tu.
Que me calaste as palavras
Num beijo tão longo
Que foste a minha boca
Que foste respirar
Que foste a minha voz.
Diz-me tu como te desejo.
Tu.
Que me ardeste no corpo
Num abraço tão apertado
Que me tornaste e me deste
Um desejo maior
O desejo de nós.
Diz-me tu como te amo.
Tu.
Que me tomaste as palavras
Que me tornaste desejo
E a quem em silêncio chamo
E a quem ardendo amo.
Diz-me tu, meu amor.
Diz-me tu de nós.




POEMA DE :  Encandescente